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A Bateria de Bagdá

Após um grande hiato, voltamos a trazer as mais interessantes lendas, hoaxes e mistérios que assolam as mentes de nossos crédulos e inocentes leitores, sempre fazendo-os pensar e tirar suas próprias conclusões, ou não.

Hoje, começaremos com algumas questões de cunho filosófico/científicas: De onde viemos? Para onde vamos? De onde veio todo esse conhecimento que nos cerca? E quem eram os deuses que sempre idolatramos? O escritor Erick Von Däniken publicou um livro intitulado “Eram os deuses astronautas?”. Onde dá uma pretensa explicação sobre essas questões. Ele afirma que somos, de certa forma, frutos de extraterrestres. Isso mesmo que você leu, incauto leitor, ele afirma que os ET’s vieram aqui, não só a turismo espacial (ou seria sexual??), vieram sim nos passar vários conhecimentos e outras coisitas mais. Von Däniken apresentou como provas ligações entre as colossais pirâmides egípcias e incas, as quilométricas linhas de Nazca, os misteriosos moais da Ilha de Páscoa, entre outros grandes mistérios arquitetônicos (que estudaremos em outro momento). Ele também cria uma teoria de cruzamentos entre os extraterrestres e espécies primatas, gerando a espécie humana. Dizia o autor também que esses extraterrestres eram considerados divindades pelos antigos povos: daí vem a explicação do título do livro.

Para provar sua curiosa tese, entre as diversas outras provas citadas, estão as chamadas Baterias de Bagdá, nosso objeto de estudo de hoje. Sentem-se, a viagem é viajada.

Região de Khujut Rabu, redondezas de Bagdá, ano de 1938. O arqueólogo alemão, Wilhelm König, encontrou numa de suas escavações um jarro de barro, de aproximadamente 13 centímetros, com uma perfuração de onde saía um cilindro de cobre envolvendo uma barra de ferro. O vaso foi datado em mais de 2000 anos de idade, cerca de 200 a.C. Ao perceber que o barro estava com sinais de corrosão, suspeitou que algum ácido fora usado ali. Para o arqueólogo não estava tão óbvio, mas quando fora feita uma pesquisa mas aprofundada nesse artefato, descobriu-se tratar de uma, pasmem, bateria elétrica. Princípio básico de sua construção: Ao combinar cobre com ferro forma-se um par eletroquímico que na presença de uma solução ácida (como suco de frutas cítricas, limão, uva, ou vinagre) um potencial elétrico é produzido. Cria-se uma solução ácida eletrolítica para gerar uma corrente elétrica a partir da diferença entre os potenciais eletroquímicos dos eletrodos de cobre e ferro.

Várias destas supostas Baterias de Bagdá, foram encontradas. Essa bateria gerava algo em torno de 1 volt e meio, ou seja, nada mais que uma pilha pequena, né? Mas mesmo assim, sendo usada em conjunto, como aprendemos em eletricidade básica, poderia gerar uma carga muito maior. Alguns estudos reproduziram o modelo do vaso e foi constatado a geração de uma tensão bem próxima da bateria encontrada, entre 2 e 4 volts.

Aí começa o mistério:

  • Como assim, existe uma bateria elétrica construída mais de 1880 anos antes da até então primeira bateria do mundo, criada em 1779 por Alexandre Volta?
  • Como obtiveram esse conhecimento, alguém ensinou a eles? Mesmo usando componentes básicos, como saberiam que aquilo geraria eletricidade? É algo muito complexo para se descobrir aleatoriamente.
  • Teriam conhecimento teórico dos princípios da eletricidade ou teriam fabricado as baterias devido a uma descoberta acidental, sem prévio conhecimento teórico?
  • E, principalmente, para que diabos aquele povo primitivo fabricava esse troço?

Existem várias especulações a respeito de seu uso: Uma delas é que tenham sido utilizadas com propósitos medicinais, como anestésicos, embora dispusessem de outros meios para o alívio da dor; Existem aqueles que defendem o uso de tais baterias como meio de produzir efeitos mágicos nos rituais religiosos para impressionar e mistificar os leigos, mas seria muito trabalho para nada, ou não? A explicação mais aceita é a que defende o uso das baterias na cobertura de peças com finíssimas camadas de metais preciosos como prata e ouro. Isso explicaria o fato, também estranho, de se ter encontrado peças antigas, revestidas de prata ou ouro com indícios da aplicação dessa técnica, chamada de eletrólise. Esse é um processo conhecido como galvanoplastia.

Qualquer que seja o caso, os artefatos existem e parece haver concordância entre os investigadores de que sejam realmente baterias. Assim sendo, teremos que procurar as respostas à luz dos fatos, por mais estranhos e incômodos que sejam. Portanto, estamos diante de um caso de conhecimento que foi perdido ao longo dos séculos. Os registos que contavam que este povo teve acesso a baterias elétricas foram desconsiderados durante muito tempo porque era algo que não encaixava no quadro geral da evolução humana. Já que não faria sentido existirem coisas que todos pensavam que só foram descobertas e utilizadas nos últimos 300 anos. É claro que não eram baterias como as que temos hoje, mas os princípios são os mesmos.

Então, o que acham? Será que os extraterrestres vieram aqui dá um passadinha há milhares de anos e pararam para nos ensinar a fazer uma pilha para gente no futuro poder usar um smartphone e um ipod? Ou será que ¿Isto Non Ecziste?

 

Fontes de pesquisa:

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Mande para o Isto Non Ecziste uma lenda, um hoax ou um grande mistério que você conheça ou que queira conhecer mais, escreva para o contato@papirodigital.com

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • Lenilton

    Putz, man! Não acredito em viagens espaciais embora não duvide de vida fora da Terra. Não tenho opinião formada…mesmo. Mas achei bastante interessante a matéria. Abraço!