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Recife Assombrado

Lendas urbanas são pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista amplamente divulgadas de forma oral, através de e-mails ou da imprensa e que constituem um tipo de folclore moderno. São freqüentemente narradas como sendo fatos acontecidos a um “amigo de um amigo” ou de conhecimento público.

By Wikipedia

Há um tipo de lenda urbana que, particularmente, abomino e sempre que posso as combato. São as lendas urbanas virtuais (ou Hoax), relatos que, às vezes, trazem um viés (!) de verdade, um aspecto que chega a perturbar um espírito mais crédulo, um bom samaritano virtual. Ô povo besta!!

Sempre que recebo uma praga dessas, em hipótese alguma as repasso de imediato, sempre procuro na net informação sobre o fato e respondo adequadamente ao inocente que está contribuindo para disseminar o medo em pessoas por culpa do SEU email alarmista-conspiratório. Sabe aquele cara, o Google? Ele tem quase tudo, é só saber procurar, por exemplo, digite “Domínio Público” lenda urbana. Esse exemplo foi uma das últimas lendas urbanas que recebi, a pessoa que me mandou deu sorte que eu estava ocupado e não mandei uma resposta, até porque essa era bem inocente mesmo, creio que o cara que inventou só tinha intenção de ajudar, “enchendo” o site www.dominiopublico.gov.br de acessos. Já vi a mesma versão pro Portal CAPES, também do governo.

Mas o assunto “virtual” fica pra outra ocasião, desta vez contarei a vocês algumas lendas urbanas da cidade onde moro, Recife.

Todo mundo conhece alguma lenda urbana, tenho certeza que você ingênuo leitor também já acreditou em uma. Veja se não se lembra de alguma dessas:

  • Os esgotos das grandes cidades são habitados por crocodilos;
  • Maria Sangrenta (também conhecida como Loira do Banheiro e Mulher do Algodão), caso seu nome seja pronunciado três vezes, ela aparecerá frente ao convocador;
  • Paul McCartney morreu em 1966 e foi substituído por um sósia;
  • A Aids teria sido uma criação em laboratório feita para exterminar os povos da África;
  • As canetas BIC Cristal seriam de origem extraterrestre (essa é um clássico dos clássicos!).

E por aí vai, agora conheçam duas das mais interessantes histórias do…  Recife Assombrado

A Perna Cabeluda

“Na década de 70 aconteceu algo de arrepiar: uma menina chamada Maria, foi atacada pela tal Perna Cabeluda!

Na época, ela tinha sete anos. No começo da noite, estava em seu quarto brincando com as bonecas. A mãe estava na cozinha, lavando os pratos do jantar. Os irmãos e o pai estavam na casa do vizinho, assistindo TV. De repente, Maria sentiu aquele clima sombrio no ar. Ela disse que, como qualquer criança, ficou logo com muito medo e começou a chamar pela mãe. Mas a mãe não a ouviu.

Quando a menina deu as costas e ia sair do quarto para procurar alguém, percebeu que alguma coisa pulava em sua cama. Maria teve uma terrível visão e nem deu tempo de gritar: foi logo empurrada pela medonha “criatura”. A menina se meteu debaixo da cama, onde a “infeliz” continuou a dar fortes pulos!

Muda de pavor, Maria começou a rezar em pensamento para que visita indesejável fosse embora. Depois de alguns minutos, fez-se silêncio no quarto. Nisso, a mãe encontrou a menina encolhida sob a cama. Estava branca, da cor de uma folha de papel. Assustada, mãe perguntou o que tinha ocorrido. Maria, chorando, só conseguia dizer:

– …uma perna cheia de cabelo!”

Essa é a minha preferida, A perna cabeluda aparecia onde menos se esperava (e por falar nisso, onde é que alguém esperaria que aparecesse?), esta criatura era uma perna-sem-pessoa, em vez de uma pessoa-sem-perna. Surgia pulando, atacava os transeuntes, dava chute em todo mundo, e depois fugia. Dizem que a origem desta lenda vem da alegoria do fato da esposa de um cidadão ter um amante, ele chega em casa e vai dormir com sua esposa, de repente ouve um barulho embaixo da cama, e acha o quê? Uma Perna Cabeluda!!

A Mulher do Algodão (ou Loira do Banheiro)

Na década de setenta, um fantasma com características muito particulares ganhou as manchetes dos jornais. A aparição se apresentava como uma mulher (ou menina) loura com algodão na boca, ouvido e nariz. Aterrorizava as crianças que freqüentavam os banheiros de escolas públicas ou particulares.

Veja aqui uma reportagem publicada no Diário de Pernambuco de agosto de 1978 que descreve momentos de pânico provocados pela “Mulher do Algodão”:

 “Fantasma de uma mulher loura provoca correria e desmaios entre estudantes”

O fantasma de uma mulher loura de cabelos longos, algodão na boca, ouvidos e nariz, está apavorando os moradores dos bairros do Centenário e Vila São Luiz em Duque de Caxias. Segundo alunos do Colégio Ana Laura , na rua Mário Reis, e da Escola Estadual Irineu Marinho, na rua Otávio Ascoli, a mulher apareceu causando grande correria, tendo uma aluna desmaiado. Os pais estão sem saber o que fazer, pois as crianças se negam a voltar aos estabelecimentos escolares. Os diretores das escolas negam o fato, mas soube-se que a diretora Cássia, da Escola Estadual foi uma das que correram e não entra mais nos banheiros. Na realidade, ás vezes essa mulher aparece na forma de uma menina, e muitas pessoas afirmam que antes de sua aparição, ouve-se um grito aterrorizante dentro do banheiro. Segundo afirmam os que a viram, ela pede que não lhes sejam tirados as mechas de algodão, e quando alguém resolve fazê-los, imediatamente corre sangue dos órgãos tapados. A loura fantasma seria uma mulher falecida há algum tempo vítima de atropelamento. Testemunhas afirmam que a morte da mulher foi devido à falta de socorro. Um filho dela teria morrido trancado, num banheiro do colégio onde fora posto de castigo por um dia inteiro. Sua aparição, dizem, é motivada por um desejo de vingança, tendo ela prometido que matará sete crianças para, então, “descansar”.

Existe outra versão que diz que foi uma menina que foi trancada no banheiro e maltratada por duas amigas que tinham inveja dela por causa de um namorado, ela se vingou matando as meninas.

 Acho esta bem parecida com a Maria Sangrenta (ou Bloody Mary nos EUA) ou com a Mulher de Branco. Acho que algum estudante desocupado resolveu “abrasileirar” melhor essas lendas americanas.

Outras lendas recifenses:

  • A Velhinha da Caxangá
  • O Fantasma da Caixa
  • Paixão de Carnaval
  • O Prédio no Espinheiro
  • A Sedutora da Curva
  • A Loira do Elevador
  • O Homem da Capa Preta
  • Visita no Hospital
  • A Loira do Necrotério
  • A Namorada do Além
  • O Frade Sem Cabeça
  • O Baú da Velha
  • A Passageira
  • Rosto na Janela

E então, o que acham? Será que alguma coisa concreta motivou essas histórias? Será que fez com que alguém deveras apavorado contasse o que viu, mesmo sabendo que poderia ser ridicularizado? Caríssimo leitor, não ria quando um amigo lhe contar uma história desse tipo. Você pode ser a próxima vítima… Ou será que ¿Isto Non Ecziste?

Mande sua lenda urbana preferida para contato@papirodigital.com , e a publicaremos aqui.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.
  • Gostei do post!

  • Ribamar Vilela

    Interesante Post!! Sugiro incluir A Cruz do Patrão, cruz existente por trás do Forte do Brum (Recife Antigo). A cruz fica no istmo que separa Olinda de Recife. Tem muitas estórias: que o lugar é meio assombrado, que é local de desova, que ficamos ouvindo vozes de escravos mortos por lá, no século 19. Bom, a Cruz existe, está lá. Agora, as vozes…essa eu não quero escutar….