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Entrevista: Ademir Pascale

Olá queridos leitores, ficamos um tempinho parados com as entrevistas por causa de um entrevistador bêbado problema técnico. Mas estamos voltando com tudo! Um aviso aos cardíacos de plantão, o próximo entrevistado é um mestre do suspense e do terror, um mago negro da literatura. Tremam, pois ele está chegando e vocês vão descobrir muito sobre ele. O grande Ademir Pascale.

Ademir Pascale


“Ademir Pascale, 37 anos, nasceu em São Paulo. É casado com a publicitária Elenir Alves e pai de Hector e Davi. É linguísta (português, inglês e literaturas), crítico de cinema e ativista cultural.”

Se quiser uma biografia mais completa clique aqui.

 

 

PD – Resolvi começar de maneira diferente, pois li algo na orelha da capa de trás de ‘Encruzilhada’ que me chamou a atenção. Qual a influência que sua família (humana e animal) exerce sobre o Ademir escritor?

AP – Apesar de trabalhar muito, sou uma pessoa caseira e gosto de ficar em casa com a minha família. Como escritor tenho uma sensibilidade bem aflorada. Observo bem meus dois filhos, minha esposa e meus cães e pode ter certeza que tiro sempre uma boa lição disso para o que escrevo. 

PD – A sua carreira é mais extensa do que se pode imaginar, são contos, romances, organização de antologias… Você se vê como um ícone na literatura nacional?

AP – Não, nem pensar. Estou bem longe disso. Pra mim um ícone são escritores como Moacyr Scliar (in memorian) que tinha mais de oitenta livros publicados e espalhados pelo mundo, que chegou até a ser plagiado em “As Aventuras de Pi”. Estou apenas no começo 😉 

PD – Fale um pouco sobre o surgimento da idéia para o primeiro romance. Qual foi o despertar para ‘O Desejo de Lilith’?

AP – Gosto de estudar as mais diversas religiões. Meu primeiro livro foi um estudo sobre Jesus Cristo, intitulado “Jesus e os Manuscritos Proibidos” (esgotado). Adorei ter escrito “O Desejo de Lilith”, de ter revivido seres antigos, de ter falado sobre a primeira mulher da história da humanidade, que não foi Eva, mas Lilith. E tenho ideia para muitos outros livros seguindo este gênero.

PD – Como você vê a aceitação do leitor nacional para o gênero ‘Terror’?

AP – Excelente. Escritores como André Vianco despertaram o interesse nos leitores brasileiros, abrindo uma brecha para muitos outros escritores novos ou que já escreviam até antes do próprio Vianco.

 PD – E quanto à sua obra? Qual a aceitação geral e qual a pior crítica que você já recebeu?

AP – Tornei-me bem mais conhecido por causa do meu romance “O Desejo de Lilith”. Recebi críticas positivas e negativas, assim como qualquer outro livro recebe. Quem curte terror e entende do assunto gostou muito, mas quem não curte e leu detestou, assim como um crítico que até esqueci o nome fez. Ele leu, detestou o livro e fez uma resenha gigantesca do meu livro. Acredito que ele tenha ficado uma semana ou mais escrevendo a resenha. Publicou em blog, comunidade do Orkut (sim, Orkut), site, Skoob etc. Nunca vi ninguém se empenhar tanto em divulgar uma resenha como esse crítico fez…(rsrs). Mas geralmente as pessoas se empenham mais em divulgar algo negativo do que positivo. Sempre recebo mensagens positivas sobre minhas obras (principalmente sobre “O Desejo de Lilith” e “Encruzilhada”) no Twitter, Facebook e via e-mail. Pra mim isso está ótimo, pois esses são meus verdadeiros leitores 😉

 

PD – Segundo o seu blog, você contribui bastante em projetos sociais. Qual a marca que essa interação tem deixado em Ademir Pascale? O que você pode dividir conosco dessa experiência?

AP – Em um dos meus trabalhos, ministro aulas de informática (LINUX) para pessoas de baixa-renda de uma região carente da Zona Sul de São Paulo. Grande parte destas pessoas não tem possibilidade de ter acesso à internet em casa, muito menos um computador. À noite (noite sim, noite não), trabalho num abrigo como Educador Social para crianças em situação de risco, mas sobre este trabalho não posso revelar muita coisa, pois cada uma destas crianças tem um histórico que é mantido em segredo. Só posso dizer que quando saio de lá, saio completamente quebrado, como se eu tivesse mais de 100 anos de idade, mas depois acabo me recuperando. O aprendizado de cada dia trabalhado lá levarei para o resto da vida. Fora isso, já fiz inúmeras outras coisas, como ter levado mais de 6.000 pessoas de baixa-renda para o cinema, com o apoio da FOX Film, Playarte, Disney Pictures, Imovision, Buena Vista, Etc. Na literatura criei o “No dia 20 de julho, dê um livro nacional de presente”, projeto que teve ótima repercussão nas redes sociais e apoio de inúmeros escritores e dezenas de editoras. Este ano quero continuar com este trabalho e será o terceiro ano consecutivo.

 

PD – Pra você, qual seria a melhor maneira de conscientizar as pessoas quanto aos benefícios que esses projetos geram na sociedade?

 AP – Através de divulgação em massa na tv, rádio e internet.

PD – Você, como autor e leitor, acha suficiente os incentivos governamentais à literatura? O que precisaria mudar?

AP – Não acho suficiente. O que precisa mudar é a mentalidade dos gestores do ensino no Brasil. Incentivar mais a leitura de livros nacionais. Usar mais livros contemporâneos e com uma linguagem mais moderna. Falta muito incentivo para os escritores. Nossos governantes não estão nem aí para nós, só querem saber de escritores como Paulo Coelho, que já é reconhecido mundialmente, mas que nem mora mais no Brasil, pois certamente viu que mesmo sendo reconhecido aqui, lá fora tem bem mais oportunidades, e está certíssimo. Somos nós que registramos a história do Brasil, mas o valor que temos, agregado a falta de incentivo, faz com que tenhamos de trabalhar em outras funções para pagar nossas contas e manter nossas famílias, fazendo cair nossa produção literária. Da minha roda de amizade, não conheço nenhum escritor que vive do ofício. Países como Alemanha, Estados Unidos e até Argentina escritores são supervalorizados. Ser escritor num país como o nosso e manter-se escrevendo por anos é trabalho árduo e somente para os mais fortes. 

PD – Há vários fatores que são apontados por várias pessoas, concordando ou não umas com as outras, que pesam na situação atual: A falta de incentivo fiscal, falta de investimento em educação, falta de interesse da população, falta de competência do setor cultural… Enfim, uma infinidade de ‘falta’, além, é claro, de investimentos em coisas desnecessárias, como 1 Milhão para o show musical de uma famosa e incentivo para filmes que visam o lucro capitalista ao invés do cultural (ambos projetos que não precisariam de investimento público, o que é como pagar o ingresso duas vezes). O que você faria se pudesse remanejar todo esse dinheiro gasto em pseudocultura?

AP – Então, 1 milhão para um show eles tem, não é? E isso não é nada para “eles”. Basta querer, mas esse não parece ser o objetivo do nosso governo, que está gerando analfabetos funcionais que adoram rebolar ouvindo thú, tchá, tchá, tchá e assistindo Big Brother. Vejo crianças na quinta, sexta, sétima série que não sabem nem escrever direito o próprio nome. Sinceramente, não quero nem imaginar qual será o futuro do Brasil.

E respondendo a pergunta referente ao dinheiro, se eu pudesse remanejar tudo isso investiria em publicidade para divulgar mais a literatura nacional. Criaria projetos de incentivo para os autores e editoras. Criaria mais eventos e feiras de livros. Criaria meios para reduzir os impostos das gráficas e livrarias e criaria uma lei onde as livrarias seriam obrigadas a divulgar com destaque a literatura nacional.   

PD – Tratando de algo novo. Fale um pouco sobre o livro ‘Diabólica’.

AP – Já escrevi dezenas de contos e “Diabólica” é uma reunião que eu mesmo fiz de alguns dos meus melhores contos do gênero terror, fantasia e ficção científica. Gosto muito do conto que deu o título ao livro, assim como “Amor Liberto” e vários outros que compõe a obra. A capa foi elaborada pelo Marcelo Bighetti e o livro será publicado ainda este ano pela Editora Literata.

 

PD – Agora o lado comercial, você como organizador, acha difícil escolher contos para antologias? Qual o critério principal? Qual o conto que te deixou mais maravilhado e qual o que você  não pensou duas vezes para descartar?

AP – Nenhum trabalho é muito fácil. É claro que teve contos que tive até raiva de ler. O autor deixou vários erros em sua minibiografia, chegou a errar até o seu próprio nome. Pô, errar o próprio nome? Isso quer dizer que ele não teve um pingo de cuidado com o seu texto. Mas já li muitos contos bons e só os melhores participaram das minhas antologias, mas não gosto de citar nomes 😉 

PD – O que mais te assusta no meio literário?

AP – A inveja. Já conheci, infelizmente, escritores que tinham ódio e que eram capazes de tudo para destruir o trabalho de outro escritor.

PD – Qual a sua maior ambição? Pelo que você trocaria a sua alma?

AP – Não trocaria minha alma por nada. Prefiro ir pelo lado mais difícil. E minha maior ambição é escrever um livro que se torne conhecido em outros países. Ah, e claro, conseguir sobreviver apenas escrevendo, o sonho de qualquer escritor 😉                                                                                                            

PD – Quais os seus projetos (fora Diabólica)? Algum novo romance?

AP – Estou escrevendo um novo romance, mas ainda não posso divulgar o título. Fora isso, estou trabalhando numa HQ com o ilustrador Rafael Conte, estou organizando os livros “Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe”, para a Editora Estronho e “Espelhos do Mal – Homenagem a Charles Baudelaire”, para a Editora Literata.                                            

PD – Deixe uma mensagem para os leitores do Papiro.

AP – Obstáculos não existem. Eles estão apenas em nossa mente. Pude comprovar isso indo muito além do que achava ser meus piores obstáculos. Então acredite e sempre siga em frente.

Valeu pela entrevista 😉

Ademir Pascale

Contatos:
Blog: www.odesejodelilith.blogspot.com
Twitter: www.twitter.com/ademirpascale 
Facebook: www.facebook.com.br/ademir.pascale

Sobre Baltazar de Andrade

Baltazar de Andrade nasceu com outro nome, mas acha Baltazar muito mais bonito. Criado nas imediações de Curitiba, cresceu rodeado pela coleção de livros do pai. Metamorfose - O Inimigo Nas Sombras é seu primeiro livro. Atualmente vive com a esposa e a filha, além de sua própria coleção de livros de estimação e uma gata muito manhosa. Paralelamente a série "Rastro Psíquico" está escrevendo o livro O Vidente de Aparelho Quebrado. Amante inveterado da literatura nacional e criador relapso de idéias fugitivas.

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