
Não é de hoje que a lenda do Rei Arthur e seus cavaleiros inspira versões das mais variadas espécies, sejam interpretações dramáticas ou cômicas (Você já viu “Monty Python: Em busca do cálice sagrado”? NÃO? Você é um herege. Mas outra hora falo sobre filme, hehe).
Uma das versões mais interessantes que já li encontrei exatamente nos quadrinhos: Camelot 3000. Sim, como o título já diz, esta máxi-série, escrita por Mike W. Barr (Arqueiro Verde) e desenhada pelo genial Brian Bolland (Hellboy), mostra o ressurgimento do Rei Arthur em pleno século XXXI, concretizando a famosa profecia de que ele voltaria quando a Inglaterra mais necessitasse. E não só a Inglaterra que precisa do bom rei, mas o mundo todo, pois a Terra está sendo atacada por alienígenas reptilianos (Não, não são os Skrulls) e a humanidade está à beira do extermínio.
Despertado acidentalmente por um jovem em fuga, Arthur tem que reunir seus cavaleiros mais leais (e outros nem tão leais) para formar a nova Camelot e assim poder criar uma força de resistência ao invasor extraterrestre. Um detalhe marcante da série é o modo como os cavaleiros são encontrados no futuro. Cada um deles reencarnou em uma forma diferente. Galahad, o mais cristão dos cavaleiros, agora é reencarnado no corpo de um samurai. Percival, um cavaleiro conhecido por sua amabilidade e por ter encontrado o Graal na vida passada, agora é um monstro disforme e abrutalhado. A transformação mais dramática fica por conta de Tristão, que reencarna como uma mulher e após recuperar as memórias de sua vida de cavaleiro, passa a abominar seu novo sexo. Guinevere é a comandante das forças da ONU e Lancelot é um empresário francês. O triangulo amoroso persiste através dos séculos. Do outro lado do tabuleiro, temos a bruxa Morgana Le Fay e o filho bastardo de Arthur, Mordred. Ela comanda os aliens e ele é um traidor da Terra. Merlin não poderia faltar, como sempre manipulando e conduzindo tudo.
A trama se desenrola originalmente em doze capítulos, resgatando o mito de
nobreza e bravura dos cavaleiros. Mike W. Barr sabe adicionar conflitos pessoais e morais a cada um deles, enriquecendo os personagens, enquanto as expressões faciais e os olhares de Brian Bolland transmitem toda a intensidade da confusão de homens e mulheres comuns que, de repente, descobrem ser a última chance de sobrevivência da Terra. As violentas cenas de batalha, incluindo sangrentos esquartejamentos, e citações à homossexualidade de Tristão tornaram a revista alvo de críticas e de elogios.
A série foi publicada nos EUA pela DC Comics, entre 1982 e 1985. Chegou ao Brasil pelas mãos da Editora Abril, ainda em formatinho, em 1984, fazendo parte do mix da primeira série do Batman e, logo depois, passando para Superamigos. De lá pra cá já houveram algumas versões encadernadas que felizmente ainda podem ser encontradas nas comic shops e pela internet. Definitivamente um marco dos quadrinhos que merece ser conhecido por aqueles que não tiveram essa chance ainda.

Por Alex Nery




