
Durante a década de 90 o selo Unicórnio Azul mostrou ao público algumas obras da literatura fantástica , com títulos como Conan, Arquivo X e Jornadas nas Estrelas. A Mercuryo trouxe o selo com uma reformulação, trazendo aos amantes de ficção cientifica, mistério, fantasia, aventura, ficção histórica, história alternativa e romance histórico uma nova opção de leitura.
O primeiro livro lançado foi A Mão que cria, de Octávio Aragão, um romance de realidade alternativa, em um mundo habitado por alguns dos mais célebres personagens da literatura fantástica. A narrativa leva o leitor ao conflito entre duas famílias, frutos da ciência humana e baseada em figuras bem conhecidas dos leitores de fantasia.
O designer gráfico, jornalista e professor da UFES Octávio Aragão iniciou em 1998 um projeto audaz, o Intempol©, um universo ficcional multimídia, que reuniria vários criadores em torno de um mesmo objetivo formar um panorama diversificado da literatura fantástica brasileira contemporânea. O projeto se consolida lançando contos, quadrinhos, reunindo gente como Lúcio Manfredi, Jorge Nunes, Osmarco Valladão, Carlos Orsi Martinho, Paulo Elache, Fábio Fernandes e Gerson Lodi-Ribeiro e formando um portal na Internet para todos os aficionados ao gênero lerem material de um mundo partilhado.
A ficção alternativa narra uma história de um arco de personagens e cenários que se interligam em vários pontos do tempo e espaço. E A mão que cria é o primeiro romance deste molde, a primeira aventura brasileira no ramo da ficção alternativa, mesclando histórias de autores como H.G. Wells, Mary Shelley, H. P. Lovecraft e Júlio Verne.
Em A mão que cria já no titulo se ver a ligação ficcional do livro, a frase é a primeira parte da saudação ensinada pelo Monroe a seus ani-homens, em A ilha do Dr. Moreau (1896) de H.G. Wells. A história mescla o próprio Julio Verne como presidente da França que consolida a revolução tecnológica, entre os quais o uso da tecnologia do Capitão Nemo e dos experimentos do Dr. Monroe, que garante a vitória francesa na II Grande Guerra. Em contrapartida a Alemanha derrotada apresenta em 1939 um exército de homens super-poderosos, liderados por um sobrevivente de uma expedição a Tunguska, frutos das maquinações da criatura do Dr. Frankenstein. Uma história que se passa deste os anos 1870 até os nossos dias, com flashes do passado em meio a narração do presente.
Octávio Aragão tece em uma narração segura, bem crítica à sociedade moderna, um livro vertiginoso, uma mescla de elementos fictícios de várias mídias – referencias pesquisadas em romances de espionagem e de ficção científica, além do cinema, quadrinhos e séries de TV – em um ritmo de ação que vale a pena conferir em qualquer lugar, seja em nossa dimensão ou não. Recomendo a leitura.
Onde Comprar: Cia. dos Livros | Saraiva


























