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Resenha | Comédia de Aristófanes em linguagem jovem

aristofanesEnquanto nossa política se ver envolta em diversos casos de corrupção, negociatas, velhacaria e grande parte e nossos governantes agem em causa própria, há alguns séculos, um grego retratava temas tão contemporâneos como a politicagem, o nepotismo e a desonestidade dos poderosos e ricos. Nascido por volta de 455 a.C., Aristófanes, o mais famoso comediógrafo da antiguidade, ridicularizava a elite grega, principalmente a ateniense, retratando em suas comédias a maneira injusta que a classe dominante agia e guiava seus concidadãos.

O seu Pluto ou um deus chamado dinheiro (136 pp, R$27,00) criticava a má distribuição da riqueza entre os atenienses, uma peça tão eterna, que mesmo escrita em 388 a.C. ainda é tão contemporânea quanto uma das peças críticas de Nelson Rodrigues. A editora 34 nos presenteia com uma adaptação pela historiadora Anna Flora e ilustrações de Carlos Matuck, dessa comédia clássica em uma versão para o público jovem.

O livro possui além do texto integral, uma introdução bem detalhista da obra, do autor grego, do teatro e da sociedade da época. A obra é protagonizada por Pluto, o deus cego da riqueza, e como a maioria das comédias de Aristófanes, é uma sátira divertida que envolve toda a sociedade grega, caracterizando seus personagens, de forma muita engraçada, há deste um escravo insubordinado a um mestre estúpido.

Crêmilo é um cidadão ateniense, um homem íntegro, que não aceita que os honestos vivam tão pobres, enquanto os corruptos ficam cada vez mais ricos. Preocupado, vai a um Oráculo de Apolo, pedir conselhos para melhor educar o filho e já que ele teme o seu futuro. Crêmilo recebe como resposta, a ordem de seguir o primeiro homem que encontrar e tem que convencê-lo a acompanhar até sua casa. Logo, encontra um homem, cego, e acaba descobrindo que ele é o próprio deus do dinheiro, Pluto.
A primeira parte da obra examina como a riqueza não está sendo repartida entre os honestos e sim aleatoriamente. Crêmilo se convence se restituir a visão à divindade, estes erros não aconteceriam mais e o mundo seria um lugar melhor.

A segunda parte apresenta a deusa Pobreza, que refuta a razão de Crêmilo de que é melhor ser rico, argumentando que sem a pobreza não haveria escravos, pois todos eles poderiam comprar sua liberdade, nem tampouco comidas ou bens luxuosos, por que ninguém trabalharia se fossem todos ricos.
Mesmo assim, Pluto é curado de sua cegueira e inicia a série de mudanças cômicas na cidade. Em uma linguagem simples, bem atual, e sem perder a vivacidade do original, o titulo da coleção Infanto-juvenil da editora 34, faz jus ao autor que com sua peças, ensinou muitos a terem ética e uma educação moral.

 

Onde Comprar: Cia. dos Livros

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  • Não vou mentir, eu nunca li uma peça grega… mas tenho vontade. Esse livro parece ser ótimo e o assunto é atual demais pra passar batido.