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O Ladrão de Tumbas de Antonio Cabanas

frente_lombadaNo Egito antigo, Shepsenuré, filho e neto de ladrões e seu único filho, Nemenhat sobrevivem em meio a miséria e o perigo cometendo o pior crime que alguém poderia fazer naquelas terras: o de saqueadores de tumbas. Essa é a história  de um dos maiores autores espanhóis da atualidade, Antonio Cabanas. O livro O ladrão de tumbas (El ladron de tumbas, tradução de Ernani Ssó, 630 páginas, R$ 69,00) publicado pela Bertrand Brasil, mescla personagens fictícios com históricos, para criar uma narrativa que detalha o cotidiano de um dos extratos mais baixos da sociedade daquele tempo, descrevendo com primor a luta pela sobrevivência de seus protagonistas em meio a guerra de interesses entre as demais esferas.

Um romance incomum, por tratar de algo não muito habitual nas obras do gênero, em que os protagonistas não são reis, nobres, grandes guerreiros, profetas, deuses… Mas simples pessoas que vivem a margem daquela sociedade em que o faraó é um deus na Terra. Seus personagens foram escolhidos, em palavras do próprio autor, por serem os últimos dos parias, que arrastam suas vidas errantes pelos caminhos de um Egito muito diferente que conhecemos. Usando uma linguagem simples, que refaz a forma que os egípcios se tratavam, Cabanas nos mostra o seu domínio em retratar perfeitamente àquela época.

A narrativa se passa nos primeiros anos do reinado de Ramsés III, nas aventuras pelos nomos dos dois protagonistas, até a sua chegada a Mênfis e a reviravolta que ocorre nas suas vidas, eles encontram a tumba de um nobre, ainda intocada, contendo um tesouro de valor inestimável, o que proporciona a ele e seu filho a oportunidade de viver sem receio de serem presos. Shepsenuré passa a viver como marceneiro e Nemenhat vai trabalhar em um navio, como ajudante de Hiram, um comerciante sírio. Entretanto, a tragédia os cerca, e uma série de infortúnios cai sobre sua família. Até o clímax do final, que movimenta a história para o cenário da batalha dos exércitos de Ramsés contras os povos do mar.

Interessante a relação de Seneb e Shepsenuré, que mostra como é possível a amizade perante crenças diferentes. Além disso o culto à morte da cultura egípcia é abordada de uma forma bem abrangente e única, como se estivéssemos vivendo naquele momento há séculos atrás.

Maravilhoso trabalho de Cabanas, que resgata e representa fielmente o tipo de vida e os costumes dos egípcios antigos. A edição está caprichada, em capa por Igor Campos é com certeza belíssima, comparando as outras edições estrangeiras, imitando um papiro antigo em que retrata um ladrão de tumbas. Hipnótico do inicio ao fim, um verdadeiro épico, com tudo que alimenta um aficionado por ficção histórica.

 

Onde Comprar: Cia. dos Livros 

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  • mgrezender

    Puxa, que livro diferente. eu não conhecia nem o autor e nem o livro e gostei do que li na sua resenha. vou querer ler é claro.
    Maristela G Rezende

  • Vou ler com certeza. Gostei muito do tema.

  • O Cabanas vai está na Bienal do Rio 2013, tem outro livro dele que segue a mesma linha, vale a pena conferir!

  • Os livros desse site são totalmente diferentes, isso é bom pra gente conhecer coisas novas ao invés de ficar apenas fissurados em modinhas (:

  • Eu sou fascinada pelo Egito antigo. Faz tempo que procuro livros com o tema porque gosto de conhecer mais sobre a cultura e tal.

  • Juliana

    Já estou com o livro para ler, e depois de ler essa resenha abriu-me ainda mais o apetite. Adoro também histórias sobre o Egito antigo. Um livro que amei foi O Egípcio de Mika Waltari, é maravilhoso, sua descrição é impecável!! (apesar de ser um livro que não é todos que conhecem, mas deveriam)