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Resenha | Quidungo de Joaquim de Almeida

SINOPSE  DA EDITORA: Mares revoltos, águas escuras, grandes profundidades, espinhos de ouriço, tubarões. Nada disso intimidava o exímio mergulhador João Quidungo, conhecido e respeitado em todo o litoral. Trabalhando para resgatar objetos e cargas perdidos nas águas, Quidungo seguia a sua vida com pleno domínio das coisas do mar, quando uma coruja suindara prenunciou mudanças no horizonte. A partir do dia em que a coruja cantou, em terra firme seus amigos viveram a surpresa da chegada da televisão, enquanto no mar um canto misterioso começou a ameaçar os pescadores. Com o sumiço de Manolo, irmão mais novo de João, o mergulhador entra em águas misteriosas para buscá-lo no reino de Janaína, a rainha das águas, contando para isso com a ajuda de seu amigo, o grande peixe Itajara. Ao explorar, nesta narrativa fantástica, a relação amistosa de um homem com os mistérios do mundo submarino, Quidungo captura o leitor, soltando-o apenas na última linha.

Bem, recebi esse livro da Peirópolis, editora que está trazendo ao mercado livros de autoria nacional, com temáticas regionais, grande parte no gênero infanto-juvenil. Como encontramos no site da editora, ela dá a voz do índio, do negro, das comunidades tradicionais brasileiras, do português e da formação da nossa língua portuguesa. Mas vamos tratar do livro em questão, né! Quidungo é um livro infanto-juvenil cheio de encanto, aborda o mar e seus mistérios, e se reúne às boas narrativas do gênero juvenil brasileiro, como Tumbu de Marconi Leal ou A Terra dos Meninos Pelados, de Graciliano Ramos.  Desenvolvendo um enredo que traz a riqueza da cultura afro-brasileira, o professor Joaquim de Almeida nos mostra como a partir de uma palavra podemos dá asas a imaginação.

A partir do significado de Quidungo, que veio da língua da família banta que significa “baleia fantástica” na mitologia do Recôncavo Baiano, Almeida, com sua experiência de mergulhador, deu corpo ao argumento deste belo livro que brinca com a imaginação. O autor é um apaixonado pelo mar, tanto que acredita que um dia ainda vai morar nas profundezas do oceano. Mas também é conhecido por outros livros, como o xilográfico O Mistério fazer Capiongo, Chico Cambeva, José Moçambique ou Gumercindo e a Galinha. Em seus livros sempre encontraremos um embasamento em pesquisa, como  o autor mesmo relata em entrevista “a pesquisa sempre faz parte do meu trabalho, seja ela de cunho teórico ou prático”.

Uma história bem escrita que envolve mitologia e realidade, os capítulos são leves e o conteúdo bastante inventivo, aliado ao ingrediente da arte que o autor também assina. Por falar da arte, cada ilustração foi feita com lápis de cor e recortada uma a uma por Joaquim para compor uma idealização do leitor com a história, como ingredientes imaginativos para encantar quem se aventurarem nas páginas de Quidungo.

O projeto gráfico é de sua irmã, a Thereza Almeida, muito bem cuidada. A capa ilustra muito bem o mergulho que daremos nessa narrativa de poucos mais de noventa páginas. Bem, só lendo, pessoal, agora se encantem com algumas ilustrações de Quidungo e as profundezas do oceano segundo o autor.

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