Início / Literatura / Resenhas de Livros / Resenha | 72 Horas Para Morrer de Ricardo Ragazzo

Resenha | 72 Horas Para Morrer de Ricardo Ragazzo

Pior do que conhecer um Serial Killer, é um Serial Killer conhecer você!

“‘O Carro pertence à sua namorada.’ Com essas palavras, Júlio Fontana, delegado da pacata cidade de Novo Salto, tem a vida transformada em um inferno. Pessoas próximas começam a ser brutalmente assassinadas, como parte de uma fria e sórdida vingança contra ele. Agora, Júlio terá que descobrir a identidade do responsável por esses crimes bárbaros, antes que sua única filha se torne o próximo nome riscado da lista. 72 Horas para Morrer é uma corrida frenética contra o tempo, que prenderá o leitor do início ao fim.”

Durante muito tempo eu procurei um bom thriller nacional, algo com ação e suspense que atraísse o leitor de forma definitiva, eis que me deparo com este livro do Ricardo Ragazzo.

72 Horas Para Morrer não é apenas uma história policial, é sobre as consequências das ações que tomamos sem pensar.

Júlio, o personagem principal bem que poderia se encaixar também no papel de vilão, longe do estereótipo de policial bonzinho que se encontra em diversas obras do gênero. Ele tem problemas em controlar a raiva e é susceptível a descontroles e exageros, sem pensar muito na reação em cadeia que isso pode gerar.

Agora imagine esse policial sendo perseguido, pessoas que ele ama ou confia sendo mortas ao seu redor, só isso basta para perceber que a ação no livro é perpétua, incessante, daquelas que você não tem tempo de tomar o folego antes de pular para o próximo capítulo. Isso bastaria se Júlio fosse um policial qualquer, mas acontece que ele é o delegado, tendo de lidar com situações de abuso e crimes cometidos por amigos enquanto corre contra o tempo para pegar o assassino. A pressão psicológica aumenta tanto depois da primeira morte que, mesmo com todos os desvios morais, não deixamos de torcer pelo personagem.

O autor vai deixando pedaços da solução da história pelo caminho, que só vão fazer sentido quando você os amarra no fim da leitura. Tudo isso faz você xingar o autor durante a leitura uma dezena de vezes, depois se arrepender e depois xingar novamente.

Uma das coisas que mais gostei, pois foi a primeira vez que vi, foi a mescla de narrativa em terceira  (com o narrador onisciente) e primeira pessoa (com o narrador como personagem principal).

Minha única decepção foi a mudança brusca de estilo no fim do livro, partindo para o sobrenatural. Deu a impressão de que a história estava tão trincada, tão difícil, que o autor para não acabar matando o personagem partiu para uma explicação diversa.

Mas mesmo assim ainda tenho fé em futuras publicações do autor, ele tem um estilo impactante que atrai o leitor.

A edição pela Novo Século Editora é linda, a capa é fosca com verniz localizado, a arte em tons escuros com a metade de um rosto de olhar forte é meio clichê, mas não deixa de impressionar. O papel do miolo é leve, gramatura de 70g para menos, amarelado. A fonte escolhida é agradável aos olhos, apesar de não considerar o tamanho grande, é uma leitura rápida, o livro tem 254 páginas e é leve, bom para carregar na bolsa e ler nas filas do dia a dia ou no ônibus. A revisão deixou passar alguns errinhos, mas penas um que deu para sentir, lá na página 112, onde um “para mim” deveria ser trocado por um “para Júlio”, devido ao recurso de narrativa utilizado. Bom acabamento, e o livro é resistente e bem maleável.

É indicado para leitores mais experimentados, que gostem de muita ação, mas aviso que não é indicado para todas as faixas etárias pois contém cenas detalhadas de tortura e assassinato.

72 Horas Para Morrer de Ricardo Ragazzo

Notas de 0 a 5

Arte da Capa 4

Enredo 4

Diagramação Interna e Revisão 4

Facilidade de Leitura 5

Sobre Baltazar de Andrade

Baltazar de Andrade nasceu com outro nome, mas acha Baltazar muito mais bonito. Criado nas imediações de Curitiba, cresceu rodeado pela coleção de livros do pai. Metamorfose - O Inimigo Nas Sombras é seu primeiro livro. Atualmente vive com a esposa e a filha, além de sua própria coleção de livros de estimação e uma gata muito manhosa. Paralelamente a série "Rastro Psíquico" está escrevendo o livro O Vidente de Aparelho Quebrado. Amante inveterado da literatura nacional e criador relapso de idéias fugitivas.

Leia Também

Resenha | Gaian – O Reinício, de Cláudio Almeida

“Gaian, o reinício” é uma fantasia épica e narrará os últimos acontecimentos da Sétima Era …

Resenha | Anjo – A Face do Mal, de Nelson Magrini

A partir de dois Princípios, Ação e Oposição, fez-se a Luz. Infinitas eras após a origem …