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Resenha | Alice no País das Armadilhas, de Mainak Dhar

capa_alice_final.inddUMA AVENTURA ENVOLVENTE SOBRE UMA GAROTA QUE ENCONTRA SEU DESTINO EM UM MUNDO QUE DEU TERRIVELMENTE ERRADO.

O planeta Terra foi devastado por um ataque nuclear, e boa parte de sua população se transformou em Mordedores, mortos-vivos que se alimentam de sangue e, com sua mordida, fazem dos humanos seres como eles.

Alice é uma jovem humana de 15 anos que mora no País das Armadilhas, nos arredores da cidade que um dia foi Nova Déli, na Índia. Ela nasceu nessa nova realidade aterrorizante e teve de aprender a se defender sozinha desde cedo.

As coisas mudam quando Alice decide seguir um Mordedor por um buraco no chão: ela descobre a estarrecedora verdade por trás da origem das criaturas e se dá conta da profecia que ela mesma está destinada a consumar — uma profecia que se baseia nos restos chamuscados do último livro encontrado no País das Armadilhas, uma obra chamada Alice no País das Maravilhas .

Uma mistura incomum de mitos, teorias conspiratórias e Lewis Caroll, Alice no País das Armadilhas pode parecer mais uma história de zumbi, mas é uma metáfora instigante de como tendemos a demonizar aquilo que não compreendemos.

Resenha

Alice no País das Armadilhas é uma distopia, que a princípio pode dar a entender se tratar de um releitura do contos de fadas Alice no País das Maravilhas, mas não é bem isso, é mais uma referencia à Alice do Lewis Carroll. Nesta obra, o autor Mainak Dhar conta a história de Alice, uma garota de 15 anos que nasceu em um período chamado Insurreição, onde boa parte da população mundial tinha se transformado em Mordedores, que é o nome dado aos nossos já conhecidos zumbis.

Alice mora no País das Armadilhas, nos arredores de Nova Déli na Índia. Em um determinado dia, em seu turno de vigília, ela avistou algo curioso, um mordedor com orelhas de coelho pulando em um buraco. Curiosa, como toda adolescente costuma ser, ela resolve investigar. Ao perseguir o estranho Mordedor, ela acaba descobrindo que há muito mais sobre os mordedores do que todos imaginam, ela encontra uma mulher que se intitula Rainha dos Mordedores, e com ela uma antiga profecia é revelada, Alice é a menina loira da profecia. O conhecido e cultuado livro Alice no país das maravilhas é a base para essa profecia.

Era óbvio que eles a queriam viva. Mas por qual motivo, ela não tinha a menor ideia.

A ideia de se referenciar ao clássico conto infantil foi muito feliz, mas apesar da clara referência a alguns personagens como o Coelho, a Rainha e o Chapeleiro, não consegui ver grandes paralelos com relação aos dois livros, apenas a presença da guerra e dos interesses políticos. Por isso não o considero uma releitura, considero que o autor usou a obra de Carroll apenas como referência para desenvolver a sua própria.

Abrindo agora um parênteses, só como uma curiosidade, o título original do livro é Alice in Deadland, a versão original do conto de fadas é conhecido como Alice in Wonderland, então no inglês a referência é óbvia. Já na hora de traduzir… imagino a dificuldade que a tradutora Alice Klesck e os editores da Única devem ter tido para fazer uma adaptação coerente. Com certeza País das Armadilhas, apesar de meio estranho a primeira vista, foi o mais próximo que foneticamente conseguiram fazer. 

Mas, voltando ao enredo, essa pode ser uma história com zumbis, mas é claramente um conto metafórico de como tendemos a demonizar aquilo que não compreendemos. Alice conhece a Rainha, um híbrido de zumbi e humano, que lhe conta o lado dos mordedores na história, conta como eles surgiram e mais, que existe uma vacina que os grandes líderes mundiais querem manter em segredo. A Rainha tenta mostrar que os mordedores não são esses grandes vilões, tenta mostrar que eles tem até um certo grau de “organização social”, e que são tão vítimas quanto a maioria dos humanos que restaram. A partir daí, a garota começa a se questionar sobre tudo o que ela conhece sobre sua vida.

Não posso culpá-la por acreditar no que acredita. Você cresceu ouvindo só um lado da história e, a julgar pela minha antiga vida, sei exatamente o poder que uma propaganda tem.

Devo citar ainda alguns pontos que considerei negativos… a história é muito rápida, entendo a dinamicidade da trama, mas alguns personagens surgiram e foram descartados muito rapidamente, personagens que eu imaginava que poderiam crescer muito no decorrer da série, que me parece ser bem extensa. Outra coisa foi um fato que não havia me atentado, só percebi depois, o autor é um indiano, a história se passa na Índia, mas a heroína é uma americana loira de olhos azuis. Tudo bem, a Alice de Carroll é loira, e a história teria que ter a ver com ela, mas a mim pareceu que se perdeu uma boa chance aí.

Com relação ao projeto gráfico, a capa é sinistramente linda, cheia de silhuetas de árvores secas e criaturas sombrias e até mesmo demoníacas, que não sei bem como interpretar, mas talvez tenha algo de metafórico com relação ao medo e a demonização do desconhecido. A diagramação é bem simples, o início dos capítulos são ilustrados com pequenos ornamentos. Com relação a revisão, percebi alguns erros, mas não me atrapalhou a leitura.

É um excelente livro para quem curte uma boa aventura distópica, e ainda mais com os sanguinários zumbis. Mas não é só isso, ele nos faz pensar sobre o nosso papel no mundo e como tratamos aqueles que não conhecemos de verdade. Olhando de uma outra ótica, um tipo de leitor que talvez se interesse pela obra é aquele que curte Jogos Vorazes e Divergente, esses livros seguem a mesma linha do País das Armadilhas: uma adolescente contestadora do status quo, que se torna a salvadora do seu povo. Espero muito do próximo livro, pois o final desse primeiro foi impressionante. Ah, a saga da Alice dos zumbis já vai com uma trilogia e mais outros livros lá fora, se não me engano!

Esse sempre foi o problema de vocês, humanos. Transformam em objeto de ódio tudo o que não conseguem compreender. É tão mais fácil detestar e destruir do que procurar entender.

 

UMA AVENTURA ENVOLVENTE SOBRE UMA GAROTA QUE ENCONTRA SEU DESTINO EM UM MUNDO QUE DEU TERRIVELMENTE ERRADO. O planeta Terra foi devastado por um ataque nuclear, e boa parte de sua população se transformou em Mordedores, mortos-vivos que se alimentam de sangue e, com sua mordida, fazem dos humanos seres como eles. Alice é uma jovem humana de 15 anos que mora no País das Armadilhas, nos arredores da cidade que um dia foi Nova Déli, na Índia. Ela nasceu nessa nova realidade aterrorizante e teve de aprender a se defender sozinha desde cedo. As coisas mudam quando Alice decide…

Alice no País das Armadilhas

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito Bom!

É um excelente livro para quem curte uma boa aventura distópica, e ainda mais com os sanguinários zumbis. Mas não é só isso, ele nos faz pensar sobre o nosso papel no mundo e como tratamos aqueles que não conhecemos de verdade.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • @UnicaEditora Thanks for the review and glad you enjoyed the read.

  • apaixonadasporlivros

    Eu amo distopias e essa parece ser bem diferente,com toda certeza pela referência de Alice no país das maravilhas,e mesmo com as suas ressalvas,acho que é um livro que me agradaria e que preciso ler para conhecer e tirar minhas concusões.

    Resenha impecável… Adorei.

    bjsss

    • Cleson

      Sim, é uma história bem interessante, vale a pena!

      Obrigado pelo comentário, volte sempre!

      Beijos