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Resenha | A Autobiografia Interativa, de Neil Patrick Harris

NEIL_PATRICK_HARRIS_1419351866427806SK1419351866BNeil Patrick Harris conquistou o mundo graças ao impagável Barney Stinson, do seriado How I Met Your Mother, sucesso no Brasil, onde é exibido pelo canal a cabo Sony. Para o personagem, a vida é sempre divertida e, como adora repetir, lendária. Este primeiro livro do premiado e querido ator americano também é. Em vez de contar sua trajetória de maneira tradicional, Neil Patrick mistura realidade, ficção e muito humor. E o melhor: é o leitor é quem escolhe para que direção a história vai.
Neil Patrick, que neste ano de 2015 apresentou o Oscar pela primeira vez, no dia 22 de fevereiro, combina episódios de sua vida, comentários afiados sobre o dia a dia das celebridades e bastidores de Hollywood. Em cada momento crítico, é o leitor quem decide como a trama vai continuar. Caso escolha corretamente, Neil Patrick encontrará fama, dinheiro e amor verdadeiro. Se o leitor optar errado, o resultado será miséria, sofrimento e uma morte horrível mordido por piranhas. E ainda tem mais: truques de mágica, receitas de drinks, fotos embaraçosas e até uma música para o grand finale.
Ele fala ainda do seu começo de carreira como ator-mirim prodígio e do relacionamento com o também ator David Burtka, com quem casou recentemente e tem dois filhos. Nascido na cidade Albuquerque, no estado americano do Novo México, Neil Patrick ganhou diversos Emmy e um Tony pela sua participação no musical Hedwig and the Angry Inch. Além de Barney Stinson, ele é conhecido pelo papel de Doogie Howser da série Tal pai, tal filho, exibida no começo dos anos 90. Ele atuou em vários filmes, como o cult Madrugada muito louca, e Gone girl, recém-lançado, e já apresentou o Emmy e o Tony diversas vezes. Ele adora usar o Twitter (@actuallyNPH) e é um mágico amador nas horas vagas.

RESENHA

Se você procura um livro inteligente e engraçado, este é o livro. Neste aspecto, é sagaz, hilário, desestressante, indispensável. Leitura que deve ser incluída na sua lista de “coisas para fazer antes de morrer”.

O público: pais e vizinhos. A entrada é gratuita e vale cada centavo.

Nunca tinha lido algo do tipo (embora o estilo me faça lembrar de brincadeiras do tempo do colégio que consistia em uma lista de frases numeradas que deveriam ser lidas na sequência indicada no final de cada uma destas frases. Eu adorava!). Portanto me senti um tanto quanto tensa ao ter de escolher para onde ir ao final de cada capítulo (que são, na maioria, bem pequenos). Sempre me perguntava: Mas e o outro lado da história? Complicado decidir, ainda mais uma pessoa com TOC como eu, que quer ler até a ficha catalográfica do livro. Porém o livro é extremamente bem montado. Logo se percebe que não dá para deixar de ler algumas coisas. Ou até dá… Tem páginas que… bom. Você vai ter de ler.

O livro é escrito em segunda pessoa e isso é incrível. Acho que há anos não lia nada em segunda pessoa e isso faz com que você se sinta mesmo o protagonista da história. Nesta autobiografia Neil não usa EU, mas usa VOCÊ. E isso que dá o tom da interatividade, porque se a história fala de VOCÊ, você pode decidir, correto?

A essa altura, seu irmão, Brian Christopher Harris, é três anos mais velho do que você, um fato que permanecerá inalterado durante toda a sua vida.

Com todo este vai-e-volta que a interatividade sugere, mistura-se realidade com ficção e, claro, muita diversão. Você pode decidir uma vida absurdamente diferente da vida real de Neil, e até mata-lo! É preciso muito cuidado e sabedoria para fazer a escolha de que caminho seguir. Ou não. Além disso você pode “cair” numa página com receitinhas interessantes (mas com ingredientes não muito simples) ou em um joguinho para passar o tempo. Ou ainda, com um PARE, para se restabelecer das emoções lidas até ali.

Uma sugestão é que você não o leia em sequência. Ou o faça somente após seguir diversos caminhos propostos de leitura e quiser, como eu, verificar se não deixou nada para trás. Porque o bacana mesmo é viver várias histórias de um mesmo personagem num mesmo livro. Além, é claro, da coerência/sequência, que fica bem prejudicada se você for página a página.

Agora, falando um pouco do tema proposto do livro, a autobiografia: Neil é um excelente ator, possui fãs por todo lado e, é claro, ele sabe bem disso. Portanto é bem egocêntrico e isso fica bem claro na história contada. Ainda mais por não se poder ter certeza quanto à veracidade de tudo, visto que, como já citado, existe muito de ficção misturada à realidade. Para mim, mesmo quando o capítulo soava sério e sem brincadeiras, poderia ter ali um tanto de devaneios também, ou não?

Apesar de expor muita coisa acerca de suas preferências sexuais e contar sobre sua família, amigos e relacionamentos, Neil não conta nada demais, nem expõe revelações bombásticas ou que poderiam trazer alvoroço aos seus fãs. Ele conta muito bem sobre os bastidores de Hollywood e sua parcela de contribuição nas produções. Quem ama teatro, Broadway e afins tem neste livro um prato cheio. Inclusive, achei interessante a abordagem sobre o processo quando há jovens e crianças nas produções. Os bastidores nem sempre são tão bacanas quanto ao que o telespectador tem acesso.

A edição da Paralela é perfeita, não encontrei erros e a diagramação é extremamente pertinente ao conteúdo. A capa, apesar de não mostrar tanta diversão, apresenta o papel da mágica na vida de Neil, bastante retratada no livro (no lado ficção e no lado real). A textura é aquela deliciosa que passa a sensação de emborrachada.

Um quote sobre a parte séria do livro…
Alguns diriam que você estava no armário, mas a “verdade” a respeito da preferência sexual de uma pessoa por vezes se revela após um longo caminho de pequenos passos, sendo a aceitação um dos últimos.

Sobre Nadja Moreno

Blogueira amante de livros. Sempre em busca do mais e melhor, em tudo.

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