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Resenha | Caça ao Homem – A Vingança dos Deuses, de Christian Jacq

caça_ao_homemQuando Kel, um jovem e promissor escriba do escritório de intérpretes, descobre que seus colegas de equipe foram misteriosamente assassinados, seu pânico é geral. Em desespero, ele foge do prestigioso local com um documento codificado, sem desconfiar que isso pode fazer com que ele se torne o principal suspeito de um grave caso de Estado. Para piorar, o Egito está num momento crucial de sua história. O beberrão e preguiçoso faraó interessa-se apenas pela Grécia e não vê crescer em suas fronteiras a preocupante ameaça dos persas.

Nesse clima deletério, alguém maquinou um plano contra o jovem Kel. Sozinho e perseguido pela polícia do reino, ele precisa decifrar o código do misterioso papiro para provar sua inocência. Suas possibilidades de sair vivo da aventura parecem ínfimas. A menos que os deuses finalmente o ajudem!

Resenha

Foi o primeiro livro que li com a temática “Egito Antigo” (por incrível que pareça, já que essa é a inspiração principal pro nome do site), e confesso que estava apreensivo, pois é um tema pouco explorado em livros lançados por aqui, e ainda não havia lido nenhum dos grandes sucessos do Christian Jacq, como a série Ramsés. Mas foi uma surpresa muito boa, o autor conseguiu ambientar sua história no Egito Antigo de forma sensacional, você se sente vivendo naquela época de tão bem ambientado que é.

Seguindo a tendência da época, o escriba não usava peruca e mantinha os cabelos curtos. Já o perfume era um detalhe de bom gosto. Sem muito tempo para retoques, Kel tomou a direção do escritório de intérpretes de Saís, no fundo de uma ruela sem saída do centro da cidade, não distante dos prédios oficiais.

Vamos a trama… ao acordar, o escriba Kel dá-se conta que está atrasado. Ele logo imagina que tal falha lhe renderia um bom castigo. Só que, ao chegar a seu local de trabalho, Kel imagina que esteja tendo um pesadelo: todos os seus companheiros de trabalho estão mortos. Nesse momento Kel, entra em desespero, e ao ouvir passos foge com um papiro codificado, confiado a ele por seu chefe. Tornando-se então, o principal suspeito do crime. Começando aí, a caça ao homem. Nesse momento, vemos que o Egito está num momento crucial de sua história, aliás fato muito bem caracterizado pelo Jacq. O beberrão e preguiçoso faraó Amásis interessa-se apenas pela Grécia e não vê crescer em suas fronteiras a ameaça dos persas. Com isso, é criado então uma excelente oportunidade para um enredo de golpe de Estado, tendo como pano de fundo fatos reais da história do Egito.

A trama foi muito bem construída, mesmo mesclando fatos históricos reais e ficção, arrisco dizer que poderia muito ser ambientado em nossa época atual. A história possui suspense, aventura e romance na medida certa.

Durante a trama, nosso protagonista, o escriba Kel, tem a ajuda da sacerdotisa Nitis, do chefe dela, o sumo sacerdote Wahibré, e do seu fiel amigo Bébon. E, claro, como era de se esperar, Kel e Nitis acabam se apaixonando perdidamente.

O perfume da sacerdotisa embriagou Kel. Era uma sutil mistura de mil fragâncias, sobre as quais predominava o jasmim, misturando suavidade e fogo.

Com relação a capa, temos uma belíssima e conhecida pintura (em relevo brilhante) do Rei Ramsés II assassinando um líbio. Aliado a escolha e a posição da tipografia, vemos um excelente projeto gráfico. Com relação a revisão, não percebi nada de errado em termos gramatical ou de concordância.

O livro possui um ritmo bem frenético, lembrando até aqueles filmes onde o cara é acusado injustamente, luta contra tudo e contra todos, correndo a história toda atrás das provas de sua inocência. Tipo aquele filme O Fugitivo, do Harrison Ford.

Um detalhe a parte são as informações de rodapé, onde o autor explica termos e informações postas dentro da história, tem muita coisa interessante pra gente conhecer melhor como funcionava o sistema político-social no Egito Antigo, e também alguns detalhamentos de sua religião.

É um livro que vale muito a pena pra quem quer conhecer um pouco mais sobre o Egito e sua história, ou apenas gostaria de um bom livro de suspense para ler, pois vemos um consistente trabalho de pesquisa, aliado a um suspense viciante que une, com maestria, informações verídicas e ficção. O autor prova que, além do fantástico conhecimento da cultura egípcia, é um exímio escritor de thriller.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • Thállyta Silva

    Não conhecia este livro mas pelo título ele parece ser bom.
    Ainda não li muitos livros ambientados no Egito, mas esse me chamou bastante atenção… Imagina acordar e descobrir que todos estão mortos, rs.
    Também não conhecia a ilustração da capa, mas adorei saber um pouco sobre ela.
    Espero iniciar a leitura deste livro logo.

  • Amelia Guedes

    Adoro o Egito, livros sobre essa temática são maravilhosos, ainda mais se tiverem um ritmo rápido, cheio de ação.
    Me lembra quando li As Crônica dos Kane do Rick Riordan, também é ótimo.

  • Tamires Fernanda

    Não tinha ouvido falar sobre esse livro, e ainda mais sobre o Egito Antigo. Não sei se gosto, pois ainda não li nada sobre o Egito mais na sua resenha vc disse que tinha suspense e romance, ai sim, eu vou lê-lo com certeza.

    Abçs 🙂

  • Julielton Souza

    A história egípcia é uma das minhas preferidas, e sua mitologia esta no top 3 das maiores e melhores em minha opinião.
    O Egito antigo e atual é um prato cheio para um escritor, há muitas informações, histórias e conceitos prontos a serem adaptados a uma ficção, e como fã deste povo tão importante para o mundo e para a nossa cultura cristã, é evidente que qualquer que seja seu uso seria absurdamente complacente a ela.
    Não conheço o autor e o livro, e sinto envergonhado em dizer isso, porém sua resenha deverás satisfatória e muito bem colocada aguçou meu desejo, creio que irei me perder logo nas paginas escritas pela Jacq.