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Resenha | Camundo – O Desenho e a Sombra de Nanuka Andrade

Alguns desenhos mostram o passado, outros mostram o futuro… Entendeu ou quer que eu desenhe?


Sinopse:

“Depois de fugir de um asilo de desvalidos, Camundo encontra abrigo na casa de um rico e influente ervateiro. O que poderia ser um final feliz para um menino abandonado, acaba se tornando em uma infeliz sucessão de acidentes e infortúnios. Camundo não é um menino comum; é capaz de desenhar coisas terríveis, que acontecem logo em seguida: incêndios, acidentes e crimes, entre outras temeridades. O que Camundo não sabe é que desenhos assim podem despertar interesse de gente perigosa, como uma sociedade secreta, conhecida por Asseclas do Lagarto, que está disposta a tudo para trazer um segredo milenar à tona, escondido nos corredores subterrâneos da cidade.”

 

nanuka_camundoO livro Camundo – O Desenho e a Sombra, de Nanuka Andrade, começa com uma tentativa malograda de fuga, o que mostra que Camundo (Carlos Duarte) não era feliz no asilo dos desvalidos, uma espécie de orfanato em que as crianças eram obrigadas a confeccionar sapatos. Aliás, ninguém era feliz por lá, porém há aquela reviravolta emocionante em que Camundo se vê em uma mansão com tudo do bom e do melhor, a única condição: nenhum desenho.

A narrativa é envolvente, deixando vários ganchos pelo caminho, o que nos faz não querer parar de ler até que por fim resolvamos todo o mistério, que ainda fica longe de acabar.

Desde capas perdidas, até cachimbos quebrados, pistas não faltam pra aguçar a curiosidade do leitor. O livro mistura vários gêneros, mas se enquadra mais é em fantasia, passando por policial e suspense. Ainda perto do fim não se sabe quem são os mocinhos ou os bandidos.

É a primeira vez que leio algo com a temática abordada (pictomancia), então procurei mais sobre o assunto e descobri que, apesar de vários casos de polícia utilizarem o método, não se encontra nada na internet. Isso mesmo, acredito que o termo tenha sido inventado pelo próprio autor, Nanuka Andrade.

Houve certo preconceito quando comecei a leitura, realmente achei que seria um daqueles livros de capa chamativa e vazios de ideias. Camundo, apesar de se passar na década de 20, é absurdamente atual, tratando de problemas de corrupção de entidades ditas filantrópicas até personalidades influentes.

Quanto à arte da capa e as ilustrações (obras do próprio autor), são simplesmente lindas. A edição pela Editora Underworld tem os seus defeitos, a fonte do texto é agradável aos olhos, espaçamento e tamanho da fonte também são bons, o material de impressão (sim, polén soft, o melhor) e da capa são bons e a diagramação não deixa a desejar. Já a revisão… não tanto pelos ocasionais erros de português (todas as editoras sofrem com um ou dois em cada edição minunciosamente revisada) que não são gritantes, mas pela junção das palavras. Deixe que me expresse melhor, no livro constam palavras siamesas, ligadas umas às outras não uma, nem duas, mas diversas vezes, o que dá um mal estar ao ler (ex: nãotemcomonãoreparar).

Arte da Capa: 5

Enredo: 5

Diagramação interna e Revisão: 4

Facilidade de leitura: 4

Onde Comprar: Cia. dos Livros

Sobre Baltazar de Andrade

Baltazar de Andrade nasceu com outro nome, mas acha Baltazar muito mais bonito. Criado nas imediações de Curitiba, cresceu rodeado pela coleção de livros do pai. Metamorfose - O Inimigo Nas Sombras é seu primeiro livro. Atualmente vive com a esposa e a filha, além de sua própria coleção de livros de estimação e uma gata muito manhosa. Paralelamente a série "Rastro Psíquico" está escrevendo o livro O Vidente de Aparelho Quebrado. Amante inveterado da literatura nacional e criador relapso de idéias fugitivas.

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  • Pelo sua resenha o enrendo deve ser ótimo, cheio de mistério,como eu gosto,afinal qual é o gosto de ler um livro que já se sabe o final? A capa é linda mesmo.Me convidou a ler!(risos)

    • É meu autor favorito, Karina, recomendo de olhos fechados