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Resenha | Corpo de Festim, de Alexandre Guarnieri

O corpo humano em forma de poesias

Obra vencedora do prêmio Jabuti ganha nova edição

Com o intuito de explicar a maravilhosa criação do corpo humano em forma de poesia, Alexandre Guarnieri brinca com as palavras para descrever a criação e a evolução dos seres por meio da biologia. Reeditado pela Penalux, o livro “Corpo de Festim”, vencedor do prêmio Jabuti 2015, tem como proposta levar o leitor às infinitas descobertas sobre o início de nós mesmos e a continuidade da nossa história.

Segundo Guarnieri, a obra pretende acostumar o leitor à sua biologia, às suas entranhas e fazer com que estas lhe entreguem a verdade sobre o mundo, a vida e sua história, descobrindo e redescobrindo o novo e o antigo dentro da anatomia, da matéria orgânica e também das palavras.

Para o escritor Furio Lonza, autor do prefácio, o livro reúne poesias em torno de um tema, concentradas obsessivamente na materialidade da palavra, na dissecação, na anatomia, no “voyeur biológico”.

– Sua repetição sobre seu objeto, o corpo, leva-nos a infinitas descobertas sobre o início de nós mesmos e a continuidade da nossa história, chegando perto das nossas interpretações de nossas verdades e mentiras – relata Lonza.

Para os editores Tonho França e Wilson Gorj, Guarnieri se enquadra nos pódios da poesia brasileira contemporânea, por sua linguagem inovadora e única. Com tema impressionantemente modernos, seu peso materialista é familiar devido à cultura ocidental do século XXI, que precisa do material bruto para crer.

Resenha

Este é um livro bem complexo de se resenhar, aliás como são todos os livros de poesia, mas este é ainda mais, pela forma como foi construído… todos os textos fazem referência a alguma parte da anatomia humana, desde a sua constituição bioquímica até a carne propriamente dita. Ele disseca as palavras como disseca um corpo humano!

Começando a ler, me veio uma dúvida, que talvez seja a de muitos, o porquê do título “Corpo de Festim”! Bom, começo separando a palavra “corpo” de “festim”… o corpo parece bem óbvio, a meu ver é aquele cadáver no necrotério que será dissecado pelo legista, é o poeta construindo sua obra. Já o festim pensei em dois sentidos, um deles seria aquele cartucho falso de armas de fogo “sem fogo”, ou seja um “corpo falso”, uma autópsia “de mentirinha”. Outro significado para o festim poderia ser o de festa mesmo, uma pequena celebração ao corpo humano e a poesia presente nele. Então temos uma obra que faz uma dissecação da vida humana ao mesmo tempo em que celebra a sua existência.

Um detalhe curioso é a sua excentricidade na desconstrução ortográfica, na obra o autor não se utiliza das letras maiúsculas nos textos, usa os sinais gráficos (barras, colchetes e parênteses) de forma totalmente irreverente e o alinhamento dos textos não seguem uma lógica aparente, vemos textos alinhados a direita, a esquerda, centralizados e até justificados. Ele se utiliza desta técnica como artifício de ilustração… é um livro raro, é um livro onde os sinais de pontuação não servem para pontuar! 

                      

Com relação a narrativa, o autor dividiu seu livro em três capítulos, “Darwin não joga dados, Mallarmé sim”, “Corpo-só-órgãos” e “Vigiar e punir”. A gente consegue perceber claramente, apesar da complexidade da escrita, que estes capítulos seguem uma ordem cronológica bem definida. Indo desde o “surgimento” no útero, até o “desaparecimento” na necropsia, sendo que o último poema da obra, “mandala de houdini”, é um desabafo onde o autor se explica e se inspira no ilusionista Houdini. Ainda temos ao final dois estudos sobre a obra em sim, são explicações bem oportunas para quem quer entender melhor esta obra tão complexa.

Com relação a capa, temos uma ilustração da clássica imagem do ilusionista Harry Houdini acorrentado em meio a uma de suas fantásticas e angustiantes apresentações. Já com relação a diagramação, é uma desconstrução total do que conheci até hoje. E a revisão? Não tenho como opinar, já que não é possível saber o que é proposital ou não.

É um livro de poesias genial, uma obra extremamente complexa que é para poucos e raros leitores. Se você gosta de poesia e procura uma leitura que mexa com suas estruturas, que te faça pensar, uma leitura inquietante, uma leitura que fuja totalmente do senso comum, essa é sua oportunidade. Impressiona!

O corpo humano em forma de poesias Obra vencedora do prêmio Jabuti ganha nova edição Com o intuito de explicar a maravilhosa criação do corpo humano em forma de poesia, Alexandre Guarnieri brinca com as palavras para descrever a criação e a evolução dos seres por meio da biologia. Reeditado pela Penalux, o livro “Corpo de Festim”, vencedor do prêmio Jabuti 2015, tem como proposta levar o leitor às infinitas descobertas sobre o início de nós mesmos e a continuidade da nossa história. Segundo Guarnieri, a obra pretende acostumar o leitor à sua biologia, às suas entranhas e fazer com…

Corpo de Festim

Recurso Poéticos
Estrutura & Organização
Capa & Diagramação

Genial!

É um livro de poesias genial, uma obra extremamente complexa que é para poucos e raros leitores. Se você gosta de poesia e procura uma leitura que mexa com suas estruturas, que te faça pensar, uma leitura inquietante, uma leitura que fuja totalmente do senso comum, essa é sua oportunidade. Impressiona!

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.