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Resenha | A Divina Democracia, de Lano Andrado

Sabemos, com toda certeza científica da fé, que o mundo vai acabar. Também sabia disso o diabo e foi logo ter com Deus para lhe expor suas idéias a respeito desse grande evento. Ao ser recebido por Deus, ele sugere ao criador deixar que o povo escolha por quem quer ser governado no próximo milênio. Então, assim como na época de Jó, Deus entrou na pilha e lá se foram os dois, Jesus e o Diabo, fazer campanha para o próximo mandato. Sempre com muita disciplina e respeito de ambas as partes, tudo seguia tranquilamente durante a disputa dos candidatos ao redor do mundo. Porém o final viria a ser exatamente no Brasil, onde tudo é diferente, onde tudo pode acontecer. Ao pisar em solo tupiniquim, o Diabo logo assume sua postura popular e torna-se um ídolo para a grande massa. Jesus, por sua vez, adota uma postura séria e contestadora e uma parte do povo que clamava por mudanças o segue. Faltando pouco menos de uma se semana para a eleição, as coisas começam a pegar fogo e a guerra é declarada. Alguns escândalos vêm à tona e os candidatos passam a trocar acusações em calorosos debates na TV.

Em meio a isso tudo, um grupo de blogueiros revolucionários encontra documentos que podem anular a eleição e são perseguidos pelos colaboradores de campanha dos candidatos envolvidos.

Traições, terrorismo, acordos feitos na calada da noite, fraudes, escândalos, alianças de última hora e corrupção, muita corrupção nessa história totalmente fictícia.

Resenha

A Divina Democracia é um livro independente muito interessante e, de certa forma, bem atual. É uma sátira, uma ironia contra nossas instituições e costumes tipicamente brasileiros.

Na história, Deus e o Diabo decidem iniciar uma peleja pelo governo do mundo, onde cada país terá o governante que escolher. A processo eleitoral caminha para seu fim, e todos os países caminham para ter um único governante, exceto no Brasil, onde a eleição ainda continua em aberto. Diante disto, Jesus (o candidato divino) e o próprio Diabo resolvem vir ao Brasil lutar por cada voto. De cara, vemos de lado um Jesus sério e contestador, que não acredita que fazer milagres resolva algo, e de outro um Diabo carismático, um político populista que acredita em milagres para resolver todos os problemas.

O livro é uma comédia, é uma brincadeira que fala verdades, é uma crítica ao país e a seu jeitinho brasileiro, aos políticos e aos eleitores. Ele possui uma crítica social muito forte que, apesar de ser necessária e primordial com o que o autor quer passar, peca em vários momentos, quando se aprofunda demais na crítica e esquece do enredo. A gente percebe a todo momento um paralelo com a realidade brasileira recente, com seus escândalos, negociatas e corrupções. E o povo à margem disso tudo.

No que tange a escrita do autor, é bom que quem for ler entenda que é uma sátira literária, o que significa dizer que possui situações por si só ridículas e sem intenção de parecerem plausíveis. O que pode causar estranheza em algum leitor desavisado. Para quem não conhece o estilo, vou citar como exemplo uma bastante conhecida: O Auto da Compadecida, ela é uma sátira aos poderosos, critica a hipocrisia presente na sociedade através do tipos como o Padre, o Major, o Padeiro, etc. Critica também o materialismo e a discriminação com os pobres. No caso de nossa obra em questão, o Lano faz uma sátira aos políticos e a mídia, criticando alguns aspectos de nossa sociedade atual através de alguns personagens característicos, assim como na obra do Ariano.

Com relação a capa, acho que o autor deveria buscar um trabalho gráfico mais profissional, a ideia é muito boa, mas a execução deixou um pouco a desejar. Com relação a diagramação, a divisão de capítulos e parágrafos foi bem feita, dividindo bem cada parte da obra. Já com relação a revisão, encontrei muitas palavras erradas e alguns poucos erros de concordância, mas acho compreensível por ser um trabalho independente.

No geral é um bom livro para quem curte o estilo literário, eu recomendo. Ah, e quem você acha que ganhou a eleição? Eu não teria dúvidas disso. 🙂

Saiba mais:

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • apaixonadasporlivros

    Eu não sou muito politizada , mas tenho prestado muita atenção no nosso cenário político e acho que uma obra assim faria muito bem ao nosso país. Claro , se todos lessem e refletissem sobre o texto. Mesmo sem ter lido o livro consegui perceber semelhanças gritantes com o que estamos vendo e vivendo ultimamente e definitivamente preciso conhecer a história. Dica incrível de leitura e de presente para o natal. Já estou aqui imaginando os amigos e familiares que necessitam de uma chamada nesse quesito.

    Bjss

    Bianca Benitez

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br

  • rudynalvacorreiasoares

    Cleson!
    Interessante ver livros que fazem analogia, ainda mais quando se refere a política e poder.
    Achei bem interessante e deve ser até engraçada a eleição.
    Também não teria dúvidas.

    “Sem a música, a vida seria um erro.”(Friedrich Nietzsche)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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    • Olá Rudy,

      Caso queira saber mais sobre, ou ler o livro, acrescentei o email do autor ao final do post.

      Beijos