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Resenha | A História não contada dos Estados Unidos, de Stone e Kuznick

Este é um arquivo histórico importantíssimo e raro que o leitor terá a oportunidade de conhecer a partir da curiosidade e do brilhante trabalho desta inusitada dupla de autores.

A obra cobre um período de mais de 100 anos de história mundial, é fruto de uma profunda pesquisa por cinco anos, em que os autores se debruçaram sobre arquivos da época, e conferiam dados de fontes à exaustão. O resultado mostra que tudo está conectado: Dos governos Reagan e Eisenhower a todo o conceito da Segunda Guerra Mundial; o real significado da batalha contra o nazismo; o desenvolvimento (e a alimentação) da guerra fria; os diversos momentos em que os Estados Unidos agiram, na verdade, como agressores; O Macarthismo e a tradição de espionar toda gente, desde pessoas comuns à líderes mundiais; o modus operandi em que se inserem os conflitos no Iraque, Teerã, o trabalho da CIA e tantos outros eventos que, segundo documentos, tiveram como meta criar uma guerra global ao terror e dividir o mundo.

RESENHA

Se fosse retratar este livro em uma só palavra eu diria que IMPRESSIONANTE poderia ser uma bem adequada. Que os EUA fazem o que bem entendem com o mundo em busca de seus próprios interesses já é sabido por todos nós. Sempre se comenta nas rodadas de bate papos despretensiosos nos botecos de final de semana da vida que “eles” sempre quiseram dominar o mundo. Posso dizer que, lendo estas páginas, “dominar o mundo” não é somente uma força de expressão. É o desejo mais profundo e enraizado dos poderes deste país.

O livro A História não contada dos Estados Unidos é um relato forte, verdadeiro, embasado e extremamente bem descrito pela dupla de autores. Afinal, estamos falando de Oliver Stone, o célebre e polêmico diretor americano, vencedor de dois Oscars e mais algumas dezenas de outros prêmios. Seus filmes sempre possuem uma vertente polêmica e desestabilizadora. Em seu livro este perfil não é deixado de lado, na verdade fica quase que pornograficamente explícito. E junto de Oliver, Peter Kuznick, PHD em história, autor de diversos livros ligados à Ciência, Política e História Nuclear. É um profundo conhecedor do poder e consequências de uma guerra nuclear. Não era para menos, só poderia sair um relato historicamente arrepiante destas mentes.

Como os EUA influenciam a cultura, a política e até o dia a dia de pessoas distribuídas por todo o mundo, penso que seria importante que todos pudessem conhecer o que este livro retrata. É um país de poder. Puro, profundo, assustadoramente demarcado e até obsessivo poder. É como se o poder pudesse justificar todo e qualquer ato.

O livro conta os fatos marcantes da história dos EUA que direta ou indiretamente interferiram em diversos outros países ou continentes numa ordem cronológica, desde o final dos anos 1890 até os dias atuais, com o presidente Obama. Séculos de atos arrogantes e tendenciosos, tentando mostrar ao mundo que são um povo abençoado por Deus, e predestinado a ser a maior e mais potente sociedade mundial.

Num discurso ao Senado norte-americano naquele ano, declarou que o caminho dos Estados Unidos no cenário mundial “se dava não por meio de algum plano de nossa concepção, mas sim pela mão de Deus…” […] os Estados Unidos deviam, de fato, mostrar o caminho.

É impossível ler estas páginas nos dias atuais, com a crescente derrocada da política brasileira, sem fazer uma analogia ao perfil dos comandantes de lá e de cá. Durante toda a história americana os governos agiram em prol da nação, dos Estados Unidos como um todo. Uma Nação superior, à revelia das consequências das suas ações no restante do mundo. Muitas atrocidades, decisões absurdas proclamadas como heroicas, atos covardes e até desesperados aconteceram ao longo da história para manter a postura arrogante de país dominante. “Somos os melhores do mundo” foi o pensamento conducente de tais atos. Em paralelo, no Brasil, vemos décadas e décadas de atrocidades e decisões absurdas, porém com a “singela” diferença de que, aqui, o “somos” é sempre trocado por “sou”. Aqui não é para que a nação seja suprema, mas para que uns poucos sejam supremos diante de todo o “resto” sobre o mesmo chão.

Deixando de lado as decisões americanas subjugadoras de todo o restante do planeta, temos de admitir que são estratégicos e sabem usar muito bem as armas do convencimento, da coerção velada, da mídia que convence e forma opiniões. Lendo sobre o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki e suas consequências dentro de território americano fiquei incrédula. Exatamente da mesma forma que é de assustar a conivência do povo alemão às ações absurdas de Hitler, assusta o quanto o povo americano é levado a apoiar e acreditar que as ações tomadas por seus governantes foram as melhores, sob todos os aspectos.

Em suma, é um livro polêmico e revelador. Me questionei se ele foi bem recebido nos EUA. Creio que muita gente não gostou muito do que leu nestas páginas.

A narrativa de Stone e Kuznick (me senti influenciada agora, americanos que usam o sobrenome para citar alguém) é muitíssimo fluída e envolvente. Mesmo que você não tenha hábito de ler relatos históricos poderá saborear este livro, consumindo-o num breve período de tempo. Não é, de forma nenhuma, um relato maçante e cansativo. Muito pelo contrário. Ele insere uma necessidade enorme no leitor de saber o que vem em seguida, que segredos ou detalhes serão desnudados.

Em se tratando de edição, a Faro Editorial fez um trabalho jus ao seu conteúdo e ao profissionalismo de seus autores. Capa forte e instigante, miolo com páginas em diagramação ideal para leituras longas. Sem ressalvas!

Recomendo que você leia este livro. Certamente você começará a leitura enlevado pela curiosidade, mas em breve se tornará uma leitura crítica, analítica e passará, inevitavelmente, a questionar muitas coisas…

Sobre Nadja Moreno

Blogueira amante de livros. Sempre em busca do mais e melhor, em tudo.

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