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Resenha | Marvel Comics – A História Secreta, de Sean Howe

marvel secretaTudo o que você sempre quis saber sobre a Marvel Comics, mas não sabia a quem perguntar. Em 1961, Stan Lee ia pedir as contas. Já completara 20 anos de Marvel, uma editora que vendia mal e que há pouco tempo tivera que demitir boa parte dos funcionários. Mas seu chefe, Martin Goodman, queria novos heróis, novas revistas, novas criações para manter a concorrência em dia. Lee convocou Jack Kirby e Steve Ditko, seus artistas prediletos. Foi daí que surgiram: Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Thor, Hulk, Homem de Ferro, X-Men, Demolidor, Vingadores e o mais importante: um mundo fictício onde todos viviam em conjunto, no qual as aventuras de um personagem teriam influência direta sobre as histórias de outro. Estava criado o Universo Marvel.

Em uma pesquisa sem precedentes, Sean Howe acompanha os bastidores da Marvel Comics desde suas origens, no boom de super-heróis da década de 1930, até a venda bilionária à Disney, no começo deste século. Neste intervalo, super-heróis e superpoderes criados “a toque de caixa” viraram sucesso instantâneo, o mercado de quadrinhos passou períodos de vacas gordas e vacas esquálidas, autores entraram em crise entre si e com a editora, amizades viraram inimizades, inimizades viraram desavenças, desavenças viraram processos na justiça e o Universo Marvel saltou do papel barato para telas de TV, de videogame, de IMAX e para a imaginação de várias gerações pelo planeta. Renovando gerações de fãs desde a década de 1930, a Marvel criou a narrativa ficcional mais extensa da história e é uma das maiores potências da cultura pop global.

Destacar com splash: Vencedor do prêmio Eisner 2013 – Melhor obra relacionada a quadrinhos.

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Stan Lee e Jack Kirby em 1975, com as lendas Gil Kane, Jim Steranko, Wil Eisner e Jerry Siegel.

Resenha:

No princípio a Marvel criou o Bullpen e o Estilo.
E o Bullpen era sem forma e Vazio; e havia trevas sob a face dos Artistas.
E o Espírito da Marvel se movia sobre a face dos roteiristas.
E disse a Marvel: Haja o Quarteto Fantástico. E houve o Quarteto Fantástico.
E viu a Marvel o Quarteto Fantástico. E que era bom.
                                                                                                                                           – Stan Lee
 

A obra conta a verdadeira história por trás da criação da lendária Marvel Comics, que divide com a DC Comics o título de maior editora do segmento de quadrinhos no mundo. Nas 560 páginas, o autor Sean Howe traz os bastidores e histórias desde a era de ouro da Marvel, na década de 40, até a fusão com a Walt Disney Company, em 2009, além de nomes bem conhecidos, como Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko (a santíssima trindade da editora). Um adendo importante é que o tradutor, o Érico Assis, especialista na área de quadrinhos, deixou a obra muito mais próxima de nós leitores brasileiros, ao utilizar na maioria das vezes os nomes dos personagens tal qual ficaram conhecidos no Brasil. E a versão brasileira vem com um apêndice exclusivo com a relação de todas as obras citadas no livro que foram publicadas por aqui.

O livro gira em torno das relações entre os expoentes maiores da editora. É curioso conhecer os bastidores de grandes obras, vendo como foi concebida cada uma, e as desavenças existentes entre os criadores e os mandachuvas (como dizia o Kirby).

É impossível recuperar a origem de uma ideia. Ideias vão para lá e para cá entre os autores até que os mandachuvas se metem e escolhem o que acreditam que será a fórmula do sucesso.
                                                                                                                                                        – Jack Kirby
 

O livro começa falando sobre Martin Goodman, dono da Magazine Management, que mais tarde se tornou a Timely Comics. Apesar de não ir muito a fundo na história do criador da Marvel, Howe faz uma explanação rápida da origem de Goodman, de filho de imigrantes russos a dono da empresa que um dia viria a ser chamada de Marvel Comics. Passa pelos personagens Namor, Tocha Humana e Capitão América na Timely, mostrando como o bandeiroso rapidamente se tornou a mina de ouro de Goodman, afinal era uma herói que lutava pelos EUA numa guerra (era a 2ª guerra mundial).

Em 1961, vemos os quadrinhos da Magazine Management em crise, então Goodman decide copiar o grande sucesso da concorrente DC Comics (a Liga da Justiça) e criar um grupo de super-herois. Chama Stan Lee, o primo de sua esposa, neste momento com 38 anos, e que havia começado ainda adolescente como o garoto das correspondências. Lee e Jack Kirby, que havia criado o ícone Capitão América nos anos 40, criaram um supergrupo chamado Quarteto Fantástico, que não era bem o plágio que o Goodman queria, mas deu muito certo. Em seguida Steve Dikto cria o Homem-Aranha, outro espetacular sucesso, e a dupla Lee-Kirby começa então a criar vários personagens poderosos um atrás do outro, começa aí de fato a Marvel Comics, nome que a linha de quadrinhos recebeu em 1962.

Kirby, Lee e DiktoJack Kirby, Stan Lee e Steve Dikto

Lee e a bullpen da Marvel foram responsáveis pela criação de heróis como Homem-Aranha, Os X-Men, Os Vingadores (Thor, Homem de Ferro e Hulk), O Quarteto Fantástico (Coisa, Tocha Humana, o Sr. Fantástico e a Mulher Invisível), entre tantos outros. Eles haviam criado não apenas heróis mais humanizados e verossímeis, eles haviam criado um estilo de vida para os jovens daquela geração.

Não vou entrar em muitos detalhes para não dar spoilers, mas a partir daí o livro começa a listar uma sucessão de crises, desentendimentos, demissões, contratações, ruínas e renascimentos da editora, o que para o fã curiosos é um prato cheio. Vemos as brigas pelos direitos de vários personagens, os desentendimentos entre Lee e Kirby, entre Lee e Dikto, e Lee e outros artistas. O autor dar a entender que Stan Lee achava que todo o sucesso da Marvel se devia apenas a ele, diminuindo a importância dos outros, fazendo com que muitos partissem para a concorrente. Com isso o dream team vai se desfazendo, Lee se afastava cada vez mais dos quadrinhos e passava a se dedicar a outras mídias como o cinema e a tv.

Durante todo o livro vemos também algumas histórias curiosas, como uma em que Roy Thomas, editor-chefe da Marvel, resolve publicar as histórias de um filme estranho, sem nenhum astro famoso, rodado na Tunísia e que tem um jovem inexperiente, chamado George Lucas, no comando. Na época o Thomas já havia arriscado com Conan – O Bárbaro, e tinha funcionado, então porque não arriscar comprar os direitos desse tal Star Wars e fazer uma minissérie em quadrinhos.

No início dos anos 90, o livro mostra que acontece a debandada de Todd McFarlaneJim LeeRob Liefeld e outros para fundar a Image Comics, e pouco depois mais uma briga, agora entre os proprietários que quase levou a Marvel à falência.

Nos anos 2000 mais um renascimento, agora para toda a indústria dos quadrinhos, em 2002 o homem-aranha chega às telonas e se torna um estrondoso sucesso de bilheteria. Levando a Marvel a se tornar uma maravilha das adaptações cinematográficas, culminando depois com a fusão controversa com a Walt Disney Company.

Com relação ao design do livro, a capa lembra incrivelmente o jeito Marvel, principalmente as capas dos anos 60 e 70, mas devo dizer que senti falta de imagens ilustrativas no miolo, por ser um livro sobre os bastidores dos quadrinhos seria interessante ter fotos dos editores e artistas, além das imagens das capas das histórias citadas durante o livro.

Para quem é fã de quadrinhos e quer conhecer os bastidores da Casa das Ideias, esse livro é obrigatório. Para quem não conhece muito desse universo, talvez não vá gostar muito, pois o livro é bem de segmento mesmo. Foi um pouco difícil resenha-lo, porque como ela foi concebida, ficou muita informação junta, chegando até a ser confuso em certos momentos, tive que voltar algumas vezes pra compreender melhor algumas passagens, como por exemplo as várias mudanças no comando e na equipe, parece que o autor quis colocar o máximo de informação possível. Mas enfim, vale a pena adquirir e guardar na estante!

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Autor: Sean Howe
Tradutor : Érico Assis
Editora: Leya Brasil
Categoria: Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias
Edição : 1 / 2013
Idioma : Português
Nº de Paginas : 560
 
 
 
Marvel Bullpen
 Apresentação do Marvel Bullpen
(Reparem nos textos chamativos nas caixas e nos apelidos de cada um da equipe)
 

Amostra do livro:

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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