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Resenha | Mozart de Christian Jacq

Depois de cinco livros dedicados ao faraó Ramsés, todos best-sellers internacionais com milhões de exemplares vendidos, e das séries A pedra da luz e A rainha liberdade, o francês Christian Jacq apresenta uma aventura espiritual ao mesmo tempo que narra a vida de um dos maiores gênios da História, Wolfgang Amadeus Mozart, na série de quatro volumes, Mozart. Mesclando mistério, espiritualidade, cultura egípcia e maçonaria, Jacq revela um lado desconhecido do criador de algumas das mais famosas sinfonias da humanidade.

O autor, nascido em Paris em 1947, é doutor em egiptologia pela Universidade de Sorbonne, expressou sua paixão pelo Egipto através das já citadas obras literárias, como também nos trabalhos de divulgação especializada. A origem dessa paixão nasceu quando tinha seus treze anos, ao ler, A história da civilização do Egito antigo de Jacques Pirenne e ouvindo as composições mozartianas. Na época nem imaginaria seu futuro na literatura. E assim, na passagem da comemoração dos 250 anos do  nascimento do compositor austríaco, homenageia suas paixões juvenis, de uma forma única, principalmente pela grande ligação que há entre os dois temas. Uma conexão, ocorrida quando Mozart se filia à maçonaria, sendo iniciado nos mistérios de Isis e de Osíris, um contato que foi essencial na sua vida. E assim, a idéia do romance amadureceu e Jacq nos presenteia com uma ficção ao seu estilo, com um personagem histórico em meio a uma trama de mistério que não sabemos até que ponto pretende ser real.

Ao primeiro momento a série promete horas de entretenimento, contudo há um porém… A impressão de aliar o mundo egípcio com o gênio salzburgues pode parecer estranha, aos moldes do pobre código do Leonardo (O código Da Vinci, de Dan Brown), mas a conjuntura histórica dos primeiros dias de Wolfgang até sua morte e a categorização dos seus trabalhos, seguindo o que Köchel organizou destacam-se em meio aos recursos narrativos sem muitos elementos, que prima mais os diálogos breves ante as datas importantes do “biografado” que se sucedem uma após as outras sem ilação, uma sucessão de feitos e conversações que desfilam e povoam as páginas dessa tetralogia.

O primeiro volume, O Grande Mago (Mozart – Le grand magicien, 406 páginas, R$ 45,00), mostra os dias do nascimento de Mozart, sétimo filho do professor de violino e interprete Leopold Mozart e Anna Maria Pertl, o segundo a sobreviver; seus primeiros anos, como orgulho do pai, aprendeu a tocar cravo ante de aprender a ler; aos sete anos, já tinha se apresentado em Praga, Viena, Frankfurt… Cobre os anos de 1756 a 1779. A criança-prodígio que compunha para “descobrir as notas que se atraem”, conhece um sacerdote egípcio, Thamos, que se entitula o conde de Tebas (a do Egito, não a da Grécia), um personagem mítico, um dos Superiores Desconhecidos[1] que guiará o garoto em sua iniciação, lhe revelando que ele é o Grande Mago que salvará o mundo.

O filho da luz (Le fils de la lumière, 406 páginas, R$ 45,00), o segundo volume, que vai de 1779 a 1785, narra a incrível capacidade de compor de Mozart, como se sua vida dependesse da composição. Uma independência que degenera muito seu padrão e devido ao problema com o príncipe-arcebispo de Salzburgo, decide morar em Viena onde conhece a paixão. Thamos acompanha seu pupilo, agora um aprendiz da ordem, e funda uma loja maçônica capaz de fortalecer os preceitos antigos perante os inimigos dentro do Império Austro-húngaro.

O irmão do fogo (Le frère du feu, 420 paginas, R$ 45,00), Jacq perfira os anos das grandes composições de Mozart, como As Bodas de Fígaro e Don Giovanni, o compositor está feliz no amor e é pai de um garoto, tem uma carreira em ascensão. Encomendas não param e cantoas famosas batem à sua porta. Contudo, novas ameaças lançam sombras sobre o futuro do mestre. Músicos invejosos, como Salieri, que faz de tudo para impedir a apresentação de suas obras, além disso, representantes do Império, com medo da influencia do compositor na sociedade, policiam as lojas maçônicas, sempre procurando provas acusatórias contra seus membros. Mozart luta e resiste ante os reveses, enquanto a Áustria sentia os turcos a oeste e a revolução a leste batendo em suas fronteiras.

No ultimo volume, O amado de Isis (L’aime d’Isis, 392 páginas, R$ 45,00) a Revolução Francesa ameaça abalar toda a Europa, e as Lojas maçônicas tornam-se suspeitas aos olhos do imperador da Áustria. Mesmo com problemas financeiros e atravessando períodos sombrios, o músico continua fiel ao seu ideal. Mozart, então, consegue forças para realizar a sua grande obra, A Flauta Mágica, transmitindo a Sabedoria dos mistérios de Ísis e Osíris. Com isso, ele abre uma nova via para a iniciação egípcia no Ocidente. Com esta última ópera, assinou sua sentença de morte. Considerado como um agitador perigoso, tanto pela classe política, pela Igreja e por alguns músicos ambiciosos da corte, que veem seu compromisso com a maçonaria uma afronta, principalmente pelos ideais revolucionários, Mozart acaba envenenado. E Thamos faz sua passagem.

Lançado por aqui pela Bertrand Brasil, sob a tradução de Maria Alice Araripe de Sampaio Doria, a série é uma adaptação livre da vida de Mozart, assim alguns leitores podem achar exagerado o tom de Jacq de abordar o espiritual do compositor, mas as passagens sobre Mozart e sua família são bastante agradáveis por mostrar o cotidiano da época. Recomendo com algumas reservas.


[1] Superior Desconhecido: uma das insígnias maçônicas para um grande sábio, capaz de transmitir os ritos maçônicos verdadeiros inspirados nos Grandes Mistérios Egípcios.

Livro: Mozart: O Grande Mago (Volume I)
Autor: Christian Jacq – 406 páginas
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Onde Comprar: Submarino

Livro: Mozart: O Filho da Luz (Volume II)
Autor: Christian Jacq – 406 páginas
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Onde Comprar: Submarino

Livro: Mozart: O Irmão do Fogo (Volume III)
Autor: Christian Jacq – 416 páginas
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
Onde Comprar: Submarino

Livro: Mozart: O Amado de Ísis (Volume IV)
Autor: Christian Jacq – 392 páginas
Ano: 2009
Editora: Bertrand Brasil
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