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Resenha | Não Olhe para Trás, de Jennifer L. Armentrout

NAO_OLHE_PARA_TRAS_1407726988BNão Olhe Para Trás – Samantha é uma jovem de 17 anos rica e popular que, depois de passar quatro dias desaparecida, retorna ferida e desmemoriada. A nova Samantha não se reconhece no retrato de menina má e mimada que todos à sua volta começam a pintar. E logo descobrirá que foi a última a ver Cassie, a garota com quem mantinha uma relação confusa de amizade e rivalidade e que desapareceu no mesmo dia que ela. O que aconteceu na noite fatídica em que as duas sumiram? E por que Samantha foi a única a reaparecer? Não olhe para trás é um daqueles suspenses que só paramos de ler para tentar nos antecipar à autora e descobrir qual é o mistério.

RESENHA

Excelente. Esta foi a definição que encontrei para o livro Não Olhe para Trás. São mais de 400 páginas de pura adrenalina que gera uma ansiedade enorme no leitor, quase exigindo que leia mais rápido e instigando-o a dar uma espiada na última frase do capítulo quando termina logo ali, na próxima página, ao alcance do olhar. Tive de ter muito autocontrole.

Samantha é uma garota rica, extremamente patricinha e fútil. Ela e suas amigas sempre “causam” na escola e são conhecidas por todos. Elas fazem parte do seleto grupo dos populares na escola e na pequena cidade e o restante todo deseja ser amigo delas ou fica de fora de tudo que é interessante, descolado e ‘rico’.

Porém um dia ela aparece toma machucada, descalça, suja de sangue e desmemoriada. Não se lembra de absolutamente nada, nem mesmo seu nome, ou porque está ali, ou ainda o que houve antes que tivesse chegado naquela estrada.

A partir deste aparecimento de Samantha a história vai se desenrolando e mostrando novos elementos que preenchem as páginas, criando uma expectativa enorme no leitor. O que houve com Samantha? O que houve com Cassie, sua melhor amiga, desaparecida há quatro dias juntamente com Samantha? São lembranças ou alucinações as visões que Samantha tem? Por que algumas pessoas agem de forma estranha em alguns momentos? Quem anda deixando recados e tem vigiado Samantha, a ponto de ela ter sensação de estar sendo sempre observada?

A história alterna entre suspense e muitos enigmas a serem desvendados, e muito romance. Tudo muito bem dosado e na hora certa. A autora – Jennifer – não se deteve demais nem numa vertente nem em outra do livro, trazendo um equilíbrio gostoso de se ler. Além disso, alguns diálogos e comentários chegam a ser engraçados, trazendo um pouco de leveza ao tema originalmente tenso.

Comecei a sorrir ao ouvir aquilo, imaginando meu pai conquistando minha mãe com um zilhão de gestos românticos, mas aí pensei em como os dois eram atualmente. Havia mais romantismo entre mim e minha escova de cabelos do que entre aqueles dois.

O perfil fútil de diversos personagens me incomodou muito durante a leitura. Chegavam a me irritar as citações acerca do poder do dinheiro e o quanto aqueles que o detém podem ser frívolos. Porém mais para o final de tudo, entendi o porquê deste elemento tão marcante. A autora inseriu todos os elementos que perpassam as páginas de forma friamente calculada. Nada sobra ali. Nenhuma informação é desnecessária.

Desta forma, a trama foi extremamente bem elaborada, não sobraram fios soltos e tudo fez muito sentido. Os personagens se apresentaram de forma incrível, onde com poucas ações e cenas, já se podia definir o perfil de cada um e já gera no leitor sentimentos diversos sobre cada um e cada uma. A autora soube montá-los com sabedoria.

A edição é simples, porém bem feita. Há um detalhe nos números de páginas e de início de capítulos bem bacana, como se os números tivessem sido recortados e colados, bem a estilo sequestradores. Não encontrei erros de grafia ou concordância, embora um aspecto da tradução me tenha incomodado. Algumas expressões muito quotidianas foram inseridas e eu não achei que elas tenham casado com a linguagem de todo o livro, e o peso da trama. Um exemplo: o termo tantã, usado em uma fala da protagonista ao citar pessoas com desequilíbrio mental. Certamente no original a autora pode ter usado expressões bem regionais, forçando a tradutora a fazer o mesmo. Entretanto, no meu ver, poderiam ser usadas outras expressões que condissessem mais com todo o resto.

Em suma, recomendo a leitura! Comece a ler quando tiver tempo para pegar e não soltar mais, porque você corre o sério risco de perder algum compromisso, por não querer parar de ler!

Sobre Nadja Moreno

Blogueira amante de livros. Sempre em busca do mais e melhor, em tudo.

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  • Julielton Souza

    Eu simplesmente adoro essas histórias carregadas de suspense, onde as protagonistas surgem desmemoriadas e precisam desvendar recordações e mistérios para se encontrar dentro da história. O inicio da sua resenha me fez lembrar a Mara Dyer.
    Quero muito ler esse livro.

    • Nadja

      Olá Julielton!!

      Pois é, sou mega suspeita, porque é meu gênero preferido e se tem este lance de amnésia então!!! Leia sim, aposto que serão horas muito bem aproveitadas!!

      Abraços!

  • Viviane Gonçalves

    Os detalhes do sangue na capa são incríveis, e antes de ler a resenha imaginava um suspense daqueles de tirar o fôlego. Não sou muito de ler esse gênero literário mas estou curiosa para saber: onde está Cassie? O que houve com Samantha?

    E fiquei curiosa para saber como é o Carson.

    Já para a lista, afinal quem resiste a um livro com um romance cheio de mistérios?

    Beijos!

    Viviane Gonçalves

    vsg_caue@hotmail.com