Início / Literatura / Resenhas de Livros / Resenha | O Garoto Quase Atropelado, de Vinícius Grossos

Resenha | O Garoto Quase Atropelado, de Vinícius Grossos

O_GAROTO_QUASE_ATROPELADO_1437748955517395SK1437748955B“Uma história inesquecível sobre adolescentes que escolheram acreditar no que sentiam. Você vai se emocionar” – Bruna Vieira, autora do Depois dos quinze.

Um garoto sofreu com um acontecimento terrível.

Para não enlouquecer, ele começa a escrever um diário que o inspira a recomeçar, a fazer algo novo a cada dia.

O que não imaginou foi que agindo assim ele se abriria para conhecer pessoas muito diferentes: a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo, e que sua vida mudaria para sempre!

Prepare-se para se sentir quase atropelado de uma forma intensa, seja pelas fortes emoções do primeiro amor, pelas alegrias de uma nova amizade ou pelas descobertas que só acontecem nos momentos-limite de nossas vidas.

Estar vivo e viver são coisas absolutamente diferentes!

RESENHA

Quando comecei a ler O Garoto Quase Atropelado não tinha muita certeza do que iria encontrar. A sinopse sugeria um drama, um livro recheado de sentimentos e sensações. Mas o título e a capa sugeriam que seria um livro divertido, engraçado… No fim, Vinícius, o autor, me surpreendeu e me presenteou com um livro completo e bem escrito, que une o drama à comicidade de forma muito bem feita. Fiquei mais do que satisfeita com o que li.

O livro é escrito em forma de diário. Mas não é todo assim. Na verdade ele transita entre narrativa tradicional e narrativa em forma de diário. As duas apresentações de escrita meio que se confundem no desenrolar da trama. Não sei bem se isso foi proposital ou não, mas enfim, eu achei interessante porque se ele todo fosse feito em forma de diário, de forma bem explícita e clara, talvez as sensações e sentimentos não teriam sido passados com tanta profundidade. Sendo proposital ou não, o fato é que a dinamicidade da escrita gerou uma leitura bem fluída e envolvente.

O Garoto-quase-atropelado passou por uma situação traumática recentemente e, a partir disso, sua psicóloga sugere que ele escreva um diário para minimizar as consequências, se conhecer melhor e viver mais profundamente os acontecimentos novos em sua vida. Falar – ou melhor, escrever – poderia colocar os fatos em patamares mais aceitáveis, mais fáceis de serem administrados.

Durante a experiência, o garoto-quase-atropelado conhece uma garota interessante e diferente, e passa a chamá-la de Cabelo-de-raposa. A partir dela torna-se amigo também de James-Dean-não-tão-bonito e de Cabelo-roxo. Os personagens têm nome? Exceto o garoto-quase-atropelado sim, os personagens tem nome, mas o garoto os trata por estes apelidos e eles se tornam a característica de cada um deles. Interessante como o apelido criado facilita ao leitor a visualização do personagem. Sinceramente não me lembro se o autor detalhou cada um deles de fato na história, não a ponto de eu os conhecer como tenho a sensação que os conheço. Na verdade, tudo soou de forma natural e a história me envolveu a tal ponto que fiquei com a sensação de que poderia esbarrar com um deles, num dia qualquer em uma esquina qualquer.

A partir desta amizade criada ao acaso (ele, de fato, foi quase atropelado), a história da amizade destes 4 personagens vai se desenvolvendo. Neste desenrolar o autor trata muito de sentimentos, de neuroses, trata sobre a morte, sobre relacionamentos e sobre as consequências de um relacionamento ruim. Fala de abuso, fala de amizade, de amor e de remorso. Fala de consequências e de escolhas. Fala sobre homossexualidade e a árdua tarefa de ser o diferente dentre tantos iguais. Enfim, aborda uma infinidade de sentimentos e todos eles povoam a mente de quem lê. Não dá para passar incólume por estas páginas.

Vi que o livro está caracterizado como YA (young adult – jovem adulto). Porém, os acontecimentos que envolvem estes amigos são, em muitas vezes, tão profundos e fortes que o retiram do gênero Romance YA, devido à sua extrema maturidade. Para mim ele se encaixa tranquilamente no gênero Drama.

Eu particularmente gosto muito quando outras obras são citadas nos livros que leio, e Vinícius foi muito feliz com as citações e comentários acerca de obras clássicas. Dá vontade de ler/reler cada um deles. Aliás, não só isso. Algumas aventuras vividas pelos personagens dão água na boca. Sabe aquela vontade de simplesmente jogar tudo para o alto e fazer o que dá na telha? Então.

Em se tratando da edição, só tenho elogios à Faro Editorial. Bem feita, com uma gramatura pesada nas páginas, o que dá uma textura forte, densa. As imagens retratadas são incrivelmente casadas com a obra e sua proposta. A capa sugere sem contar muito, mas está dentro da história…. enfim, uma excelente obra. Altamente recomendável!

Sobre Nadja Moreno

Blogueira amante de livros. Sempre em busca do mais e melhor, em tudo.

Leia Também

Resenha | 1+1 – A Matemática do Amor, de Augusto Alvarenga e Vinícius Grossos

“Não lembro muito bem como eu e o Bernardo nos conhecemos. Até onde sei, ele …

Resenha | A Terra Inteira e o Céu Infinito, de Ruth Ozeki

Uma vez, um velho Buda falou: Para o ser-tempo, parado no cume da montanha mais …

  • RUDYNALVA SOARES

    Nadja!
    Ganhei esse livro e ando bem ansiosa pela chegada para poder ler.
    Achei impressionante o protagonista não ter um nome, pode ser qualquer um que se coloca no lugar dele.

    “Quem quiser vencer na vida deve fazer como os seus sábios: mesmo com a
    alma partida, ter um sorriso nos lábios.”(Dinamor)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!