Início / Literatura / Resenhas de Livros / Resenha | O Jantar, de Herman Koch

Resenha | O Jantar, de Herman Koch

Em uma noite de verão, dois casais se encontram em um restaurante elegante. Entre um gole e outro de vinho e o tilintar de talheres, a conversa mantém um tom gentil e educado, passando por assuntos triviais como o preço dos pratos, os aborrecimentos do trabalho, o próximo destino de férias. Mas as palavras vazias escondem um terrível conflito, e, a cada sorriso forçado e cada novo prato, o clima fica ainda mais tenso.

Um fenômeno best-seller internacional, um suspense sombrio, conto altamente controverso de duas famílias que lutam para tomar a decisão mais difícil de suas vidas no percorrer de uma refeição. É noite de verão em Amsterdã e dois casais se encontram em um restaurante da moda para jantar. Entre garfadas de comida e raspadas educadas de talheres a conversa permanece um zumbido suave de discurso educado – a banalidade do trabalho, a trivialidade das férias. Mas por trás de palavras vazias, coisas terríveis precisam ser ditas, e com cada sorriso forçado e cada novo rumo as facas estão sendo afiadas. Cada casal tem um filho de quinze anos de idade. Os dois meninos estão unidos por sua responsabilidade por um único ato horrível, um ato que provocou uma investigação policial e quebrou as confortáveis e isoladas vidas de suas famílias. A medida que o jantar atinge seu clímax culinário a conversa finalmente toca em seus filhos. Assim como a civilidade e amizade desintegra-se cada casal mostra o quão longe eles estão dispostos a ir para proteger aqueles que ama. Uma escrita tensa e incrivelmente emocionante, contada por um narrador inesquecível, O Jantar promete ser o tema de inúmeros jantares. Espetando tudo, desde os valores dos pais, menus pretensiosos a convicções políticas, este romance revela o lado obscuro da gentil sociedade e pergunta o que cada um de nós faria em face de uma inimaginável tragédia.

Resenha

Perturbador… esta é a palavra que descreve bem este livro. É um livro que perturba, que te deixa inquieto e pensativo, sobretudo se você tiver filhos. Lembrou-me muito os perturbadores O Clube da Luta e Laranja Mecânica, pelas sensações de tensão, revolta e repulsa que nos causa.

Lançado originalmente em 2009 na Holanda, O jantar, de Herman Koch, ganhador do prêmio holandês de literatura Publieksprijs no ano de seu lançamento, já é o livro mais traduzido daquele país. Segundo a Fundação para Literatura Holandesa a obra teve os direitos de publicação vendidos para 37 países e será traduzida em 33 idiomas. Ele está na lista de best-sellers de diversos países, como Alemanha, França, Itália, Espanha e Estados Unidos. Além disso, o livro ganhou duas adaptações cinematográficas: um filme holandês estreou em novembro, e uma versão hollywoodiana também está em produção e marcará a estreia de Cate Blanchett como diretora.

Como o título diz, a história se passa em um jantar, a princípio me pareceu meio estranho isso, mas realmente teve tudo a ver. Os capítulos do livro foram distribuídos inteligentemente como as partes de um jantar: Aperitivo, Entrada, Prato Principal, Sobremesa e Digestivo. E você acaba seguindo a narrativa, e se irritando com o gerente do restaurante,  como se estivesse mesmo no jantar.

Os personagens principais são Paul, o narrador da história, irmão de Serge Lohman, candidato a primeiro ministro que mantém sempre um sorriso no rosto, e as suas respectivas esposas, Claire e Babette. No início o livro me pareceu entediante, com excessivas descrições das comidas, do atendimento e do restaurante em si. Mas percebi logo que era uma característica do narrador/personagem, pois é contada por Paul Lohman, tornando a narrativa bem pessoal, tendenciosa e unilateral. Apesar de que, a gente lê a perspectiva do narrador e mesmo assim, em alguns momentos, ainda consegue tirar nossas próprias conclusões do que acontece no enredo. Uma coisa curiosa da narrativa é que Paul evitar detalhar algumas coisas, para não acabar “entregando” informação demais.

O modo de escrever do autor é bastante interessante, mas pode ser um pouco confuso para leitores menos atentos. O livro é narrado em primeira pessoa, e ele vai nos contando o que está acontecendo no jantar e ao mesmo tempo vai nos enchendo de flashbacks do passado, para nos deixar cientes de vários momentos e situações de sua vida. No início não nos é dito o que os garotos fizeram de tão grave, e a gente vai conhecendo cada personagem da história na visão do narrador, e vai gostando mais de uns do que de outros. No momento em que começamos a descobrir a terrível verdade, o que sentíamos por alguns personagens começa a mudar e passamos a ter a nossa própria visão (atônita) dos fatos.

Ao final do livro fica um nó no estômago, um sentimento de revolta e repulsa perturbador, mas também fica ecoando um pensamento: E se fosse com meu filho, o que eu faria para protegê-lo? Com certeza minha reação seria bem mais próxima da que um dos personagens chegou a ter, mas não vou entregar qual. 🙂

O livro é impressionante, é uma leitora perturbadoramente realista e tensa. Então não é para todos os tipos de leitores, mas garanto que é uma leitura que vale muito a pena.

 
Título Original: Het Diner
Autor: Herman Koch
Tradutor : Alexandre Martins
Editora: Intrínseca
Categoria: Literatura Estrangeira / Thriller Psicológico / Romance Holandês
Lançamento no Brasil: 2013
Idioma original : Holandês
Nº de Paginas : 256

——————————————————————

Trailer do filme Het Diner

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

Leia Também

Resenha | A Terra Inteira e o Céu Infinito, de Ruth Ozeki

Uma vez, um velho Buda falou: Para o ser-tempo, parado no cume da montanha mais …

Resenha | O Quarto Dia, de Sarah Lotz

Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que …