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Resenha | O Labirinto da Morte de Ariana Franklin

Sinopse 

Mais um caso espera a legista Adelia Aguilar em O labirinto da morte, novo livro da inglesa Ariana Franklin. Depois de solucionar o caso de quatro crianças mortas em Cambridge, no romance anterior (A mulher que desvendava a morte), a médica italiana é forçada pelo rei Henrique II a permanecer na Inglaterra para descobrir quem matou Rosamunda Clifford, sua amante favorita – um crime cujos desdobramentos poderiam resultar em uma nova guerra civil na Inglaterra. Intriga política, romances proibidos e assassinatos são os elementos de O labirinto da morte, que mistura personagens históricos e fictícios em uma narrativa repleta de surpresas que prende a atenção dos leitores da primeira à última página.

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A inglesa Ariana Franklin apresentou em A mulher que desvendava a morte a legista Adélia Aguilar que retorna no livro O labirinto da morte (The death maze, tradução de Geni Hirata, Rocco, 368 páginas, R$ 49,50) numa instigante aventura de investigação que segue a linha CSI Las Vegas, com uma pequena diferença: a história se passa em plena Idade Média, na Inglaterra do século XII.

Após descobrir o caso das crianças assassinadas em Cambridge, a italiana legista é mantida em solo inglês para qualquer eventualidade pelo rei Henrique II, impedindo-a de retornar para a Escola de Medicina de Salermo. Expulsa pelos invejosos médicos locais, que não suportavam ver uma mulher com talentos para a profissão, Adélia passa a viver nos pântanos de Fens, com seus amigos, o árabe Mansur e a desbocada Gyltha, além de Guardião, seu cachorro e Allie, sua filha de um ano, seu maior tesouro, fruto de um romance com Rowley, nomeado bispo de St Albans após o relacionamento. Naquele lugar poderia tratar das pessoas sem ser chamada de bruxa.

Entretanto, um novo caso a faz romper as neblinosas fronteiras de sua morada. Novamente, sob as ordens do rei, é chamada para investigar um assassinato que ocorreu em Oxford. A amante favorita de Henrique II, Rosamunda Clifford, é envenenada e a rainha Leanor está sendo acusada pela morte. E Adélia terá que provar a inocência da rainha para que o país não caia numa revolta civil. Para isso terá que fazer a necrópsia do corpo de Rosamunda, que fora colocada numa torre próxima da cidade de Oxford, entretanto para entrar na torre terá que passar por um perigoso e mortal labirinto.

Pelos temas abordados, a história deste segundo livro com a médica protagonista está bem mais elaborada que a primeira aventura investigativa. Franklin apresenta aspectos bem mais realísticos, com um olhar bem mais desromantizado e com personagens históricos bem desenvolvidos, como Thomas Beckett e a rainha Leanor. Demonstrando ao leitor, de forma clara, o quão difícil era ser uma mulher durante aquele período, antagonizado por uma guerra civil e principalmente, se esta mulher, não fosse da classe dominante.

Suas descrições são extremamente visuais, contudo a introdução da narrativa demora um certo tempo para entrar efetivamente no ritmo acelerado da trama. Destaque para o detalhamento dos costumes sociais prevalentes no século XII, como na subjugação das mulheres, para a corrupção desenfreada da Igreja, um bom vislumbre da história da Inglaterra e como era a vida para a realeza, os sacerdotes e os plebeus.

Com uma narrativa fascinante, uma boa intriga e suspense na medida, com pitadas sutis de romance e humor. Uma mistura perfeita de realidade com a ficção. Ótima leitura.

Sobre Cadorno Teles

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