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Resenha | O Outro Lado, de Flávio Assunção

Em O Outro Lado, o leitor acompanha a jornada de um serial killer que acredita ter nascido com o dom de reconhecer os indivíduos verdadeiramente bons,que demonstram benevolência e nobreza de espírito por meio de seus atos. Ao identificar características tão sublimes de humanidade, busca uma maneira de garantir a passagem dessas pessoas para o Outro Lado, um lugar criado por seu próprio imaginário, sua concepção particular de paraíso, confiando veementemente nessa prática como o sentido quase religioso e missionário de sua existência, atribuindo às pessoas que mata o significado do sonho e da esperança de constituir um ideário de vida societária onde somente o bem prevalecerá. 

Paralelamente, percorremos os corredores da mente de dois personagens: uma mulher que nos últimos seis anos apenas se dedica à recuperação de sua irmã em coma, vivenciando os dissabores de uma vida marcada por renúncias e distanciamento de familiares, amigos e diversões, declinada ao ambiente frívolo do hospital; e um adolescente que teve sua acessibilidade reduzida após um acidente, com seu cotidiano descrito, desde então, pela apatia, desesperança e narrativa que apresenta o olhar que ele próprio constrói sobre si, limitado pela dependência, exclusão, estigma, desigualdade e sofrimento.

Resenha

O Outro Lado é um drama psicológico narrado em terceira pessoa, escrito por Flávio Assunção. Nesse thriller, Allan é um homem de 32 anos, de boa aparência, aparentemente comum, que desde criança acredita ser especial. Ele é um serial killer que acredita ter nascido com o dom de reconhecer pessoas boas o suficiente para entrarem no céu, que ele chama de “o outro lado”. Acredita que tem a missão de fazer a “passagem” dessas pessoas de bem, por isso ele viaja pelo país analisando as pessoas que vê pela frente para descobrir se são potenciais merecedoras de sua dádiva.

Allan acredita que a vida neste mundo é uma espécie de prisão para os bons de espírito e de coração, mas que a liberdade e a felicidade plenas poderiam ser alcançadas através dele.

Ao mesmo tempo em que acompanhamos o Allan, também conhecemos outros dois personagens essenciais para a história: Melissa, uma mulher sem vida social que se dedica a cuidar da irmã em coma a seis anos. E Derek, um adolescente revoltado com tudo e com todos que vive aprisionado em uma cadeira de rodas após sofrer um grave acidente.

O autor conseguiu criar uma trama sensacionalmente tensa, que te segura a cada página e te faz não querer largar do livro até o desenrolar de tudo. Não é um livro que te surpreenda com plots twists, longe disso, mas é um livro que o imaginar que já saiba o que possa vir a acontecer é o que te faz seguir ainda mais na leitura, pois a narrativa e os personagens são muito bem desenvolvidos. O autor nos faz penetrar na mente de um psicopata, ver as coisas como ele ver nos faz até sentir um certo amalgama de raiva e pena dele, sentir uma sensação de compaixão pela sua mente doentia e confusa. O Flávio também nos faz entrar na mente de uma irmã amorosa, que vive reclusa e não aceita a perda da irmã. E também nos coloca na mente de um adolescente desgostoso com a vida, que vive numa cadeira de rodas observando o mundo pela janela do quarto.

A questão é que amava aquela missão, e o amor o movia. Sabia que fora escolhido a dedo por uma força maior, a quem não devia decepcionar.

Uma coisa que achei muito interessante foi sua obsessão pelo cantor Sir John, que na cabeça dele seria o único que  o entenderia. É muito provável que o Sir John seja o nosso querido Sir Elton John! O que me lembrou o caso de Mark David Chapman, que aos 25 anos assassinou John Lennon, horas depois de o ex-Beatle autografar um disco para ele. Chapman sentiu-se traído por Lennon ao “perceber” que o cantor não era na vida real o mesmo que parecia nos palcos e que proclamava por meio de suas músicas. Acredito que seria um desenrolar bem possível também para o nosso personagem.

Com relação ao projeto gráfico, a capa é muito bem resolvida, mostra um homem observando o “outro lado” e no fundo uma cidade. A diagramação é simples e tranquila de se ler, e não encontrei erros relevantes de revisão.

Achei um livro sensacional, que sucinta algumas reflexões. Possui suspense e tensão na medida certa, além de um psicopata incrivelmente bem desenvolvido.

Em O Outro Lado, o leitor acompanha a jornada de um serial killer que acredita ter nascido com o dom de reconhecer os indivíduos verdadeiramente bons,que demonstram benevolência e nobreza de espírito por meio de seus atos. Ao identificar características tão sublimes de humanidade, busca uma maneira de garantir a passagem dessas pessoas para o Outro Lado, um lugar criado por seu próprio imaginário, sua concepção particular de paraíso, confiando veementemente nessa prática como o sentido quase religioso e missionário de sua existência, atribuindo às pessoas que mata o significado do sonho e da esperança de constituir um ideário de vida…

O Outro Lado

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Tenso!

Achei um livro sensacional, que sucinta algumas reflexões. Possui suspense e tensão na medida certa, além de um psicopata incrivelmente bem desenvolvido.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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