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Resenha | O Quarto Dia, de Sarah Lotz

Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis… 

Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica… se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro.

As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações de bordo sofreram danos irreparáveis.

Como milhares de pessoas podem ter sumido sem deixar rastro? Teorias da conspiração se alastram, mas só há uma certeza: 2.962 passageiros e tripulantes simplesmente desapareceram no mar do Caribe.

Resenha

Desta vez a Sarah Lotz nos leva a um cruzeiro no navio Belo Sonhador, da Foveros, em dezembro de 2016. Onde, o que era para ser uma deliciosa viagem de verão, acaba por se transformar em um pesadelo repleto de acontecimentos inexplicáveis. Se no enigmático Os Três ela apostou mais no mistério e nas teorias conspiratórias, neste O Quarto Dia a autora nos trouxe um suspense/terror ainda mais assustador, onde vemos acontecimentos verdadeiramente perturbadores e enfim algumas “quase” respostas a respeito do que aconteceu no livro anterior: os acontecimentos decorrentes da fatídica Quinta-Feira Negra (um dia em que quatro aviões caiem quase ao mesmo tempo, em pontos diferentes no mundo, tendo apenas três sobreviventes, todos crianças que saíram quase ilesas dos acidentes).

Tudo corria bem durante o cruzeiro de ano novo do Belo Sonhador, até que no quarto de viagem um incidente acontece, uma pane nos motores faz com que o navio pare, assim como todas as formas de comunicação com o exterior. Sendo assim, 2.962 pessoas ficam à deriva no Golfo do México e sem previsão de retorno a terra firme. É aí que a coisa começa a complicar, surgem suspeitas de uma epidemia viral, causando medo e desconforto nas pessoas. E fica ainda pior quando passageiros e tripulantes alegam ver fantasmas nos corredores do navio.

Gritou e mordeu a língua quando um peso pousou em seu peito, tirando-lhe o ar dos pulmões. Tentou se soltar debatendo-se, mas os braços não queriam – ou não conseguiam – se mexer. Paralisado, não havia nada que pudesse fazer enquanto um hálito de gelo roçava em seu rosto e dedos frios subiam feito aranhas por sua coxa.

Diferentemente do livro anterior, a narrativa de O Quarto Dia é dividida em capítulos que remetem ao ponto de vista de cada um dos principais personagens: A Assistente da Bruxa, O Condenado, A Criada do Diabo, As Irmãs Suicidas, O Anjo da Misericórdia, O Guardião de Segredos e Blog do Coringa. Que são respectivamente: Maddie, a assistente da médium Celine del Ray; Gary, o estuprador que causa a morte de uma garota durante a viagem; Helen e Elise, duas idosas que estão no navio com o propósito de cometer suicídio; Jesse, o único médico do navio, e que passa a atuar no limite do estresse por conta disso; Altheia, uma camareira muito paciente e querida pelos passageiros, que almeja crescer no emprego, e que em certo momento se encontra com o menino (quem leu Os Três já deve tá sentindo calafrios…); Devi, o segurança que encontra a garota morta, e passa a investigar e descobrir muito além do crime em si; e Xavier, um obcecado blogueiro que tem como objetivo expor as farsas da “predadora” Celine del Ray.

Há duas coisas que tenho certeza: a primeira é que a morte não existe; a segunda é que as almas dos que deixaram o mundo físico estão sempre conosco… 

Assim como em Os Três, em O Quarto Dia a autora não apresentou uma explicação clara sobre os acontecimentos, mas diferentemente do livro anterior neste a gente não viaja tanto pelas mais variadas teorias, há uma bem evidente (ou não) durante a narrativa. Enquanto que em Os Três a gente viajou entre as teorias de que o que acontecia era obra de espíritos malignos, de alienígenas ou até de entidades extra dimensionais, em O Quarto Dia uma dessas teorias é mais óbvia e evidente, mas será que é mesmo? E, mais ainda, no final deste livro temos algumas pistas que nos ajudam a entender um pouco mais de Os Três. Mas mesmo assim ainda nada conclusivo, deixando ainda no campo das especulações, o que pode ser frustante para alguns. Espero que a autora nos brinde com um terceiro livro, explicando tudo o que aconteceu nas duas obras.

Com relação ao projeto gráfico, como não poderia deixar de ser, o trabalho lembra bem o livro anterior, ele é inteiro com a lombada azul, com o tom escuro, mesclando azul royal e preto, remetendo ao mar e à noite. É uma capa simples, apenas com o navio isolado no oceano e os famosos quatro traços, mas por isso mesmo é uma solução muito bem trabalhada.

Bom, o livro é uma obra de terror/suspense muito interessante, que recomendo fortemente para quem já leu Os Três e quer mais desse universo sobrenatural. Para quem gosta de suspense, teorias da conspiração, sobrenatural e fenômenos inexplicáveis é um prato cheio. Mas se não leu o anterior, não se preocupe, pois são duas histórias até certo ponto distintas.

Sou uma pessoa racional, mas naquele navio vi coisas que não poderiam – e não deveriam – existir.

***

Leia um trecho da obra AQUI!

Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis...  Janeiro de 2017. Após cinco dias desaparecido, o navio O Belo Sonhador é encontrado à deriva no golfo do México. Poderia ser só mais um caso de falha de comunicação e pane mecânica... se não fosse por um detalhe: não há uma pessoa viva sequer no cruzeiro. As autoridades acham indícios de uma epidemia de norovírus, mas apenas descobrem os corpos de duas passageiras. Para piorar, todos os registros e gravações…

O Quarto Dia, de Sarah Lotz

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito Bom!

Em O Quarto Dia, Sarah Lotz conduz o leitor por uma viagem de réveillon que tinha tudo para ser perfeita. Mas às vezes o novo ano reserva surpresas desagradáveis...

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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