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Resenha | O Retorno da Serpente, de J. Anddef

O terrorismo se estendeu por todo o mundo, não descartando qualquer possibilidade de atendimento de suas pretensões.

Principalmente depois do episódio terrorista de 11 de setembro de 2001, cenário algum pode declarar-se total e seguramente isento de atividades ligadas ao terrorismo internacional.

“O Retorno da Serpente” é uma obra dinâmica, veloz e muito bem articulada, que viaja por cenários de vários países (Brasil, EUA, Israel, Irã, Colômbia e na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai) e prende a atenção do leitor ao expor, em meio à narrativa ficcional, informações técnicas sobre o terrorismo e sua sistemática de atuação.

O delegado da Polícia Federal Cláudio Marcuse, a agente da inteligência Nora Salgueiro e o conceituado advogado Tércio Scliar formam a equipe que investiga o recrutamento, a formação de terroristas e suas ações no exterior e no Brasil. Eles descobrem a perigosa e letal articulação de uma célula terrorista, que poderá causar grande impacto com suas ousadas ações. Poderão eles evitar que os militantes extremistas e fundamentalistas obtenham sucesso?

Ao misturar ficção e realidade, o autor aproveita o ensejo para explicitar as vulnerabilidades da sociedade moderna que são exploradas pelo terrorismo internacional de maneira insidiosa e persistente, cujo objetivo é reunir os elementos necessários ao desenvolvimento de ações ousadas, funestas e causadoras de grandes prejuízos materiais e humanos (físicos e psíquicos), em seus alvos.

Resenha

“O Retorno da Serpente” é uma mistura interessante de fatos supostamente reais e ficção, em um enredo que fala de política e terrorismo internacional.

Por si só esses temas tão atuais já chamariam a atenção, e somado a isso temos o fato do autor utilizar-se de reportagens reais publicadas pela Revista Veja e o pelo jornal A Folha de São Paulo, em 2010 e 2011, que levaram a polícia Federal e a ABIN a realizar investigações para apurar fatos relacionados a possíveis recrutamentos e cooptações de pessoas (brasileiros), para participarem de um suposto grupo de estudos doutrinários islâmicos, no Irã. A mim parecia ser um livro digno de virar uma produção cinematográfica…

No início me senti um pouco incomodado com a forma como transcorre a narrativa em 3ª pessoa do autor, uma obra que deveria ser algo “dinâmico e veloz” se tornou algo arrastado e monótono, pois o autor descreve os eventos, explica o funcionamento das células terroristas, armamentos e outros detalhes de forma muito detalhada, parecendo mais um relatório técnico do que uma obra literária. Então, antes de continuar, fui dar uma lida sobre quem é o autor. Olha só o que descobri:

Brasileiro, militar, Coronel do Exército, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, Mestre em Ciências Militares pela Escola Comando e Estado-Maior do Exército e pós-graduado em Política, Estratégia e Defesa pela Escola Superior de Guerra (ESG) e COPPEAD – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharel em Direito pela Universidade Gama Filho e ex-comandante de Pelotão de Operações Especiais, Esquadrão de Carros de Combate, Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e de Batalhão Logístico.

A partir dessa informação, pude perceber que o Anddef, por ser um militar especializado nessa área, tende a querer por no papel todo o seu know-how sobre o assunto. É interessante, e até desejado, que faça isso, mas não a todo momento. Outra coisa que me incomodou foram algumas opiniões pessoais do autor sobre política e terrorismo, durante a obra ele, além de explicar o funcionamento do terrorismo em suas diversas formas (muita coisa eu não sabia, e achei bem interessante), ele expõe sua opinião pessoal (e não de algum personagem) associando o socialismo e o comunismo a atos terroristas durante a guerra fria. E crítica a política externa brasileira (já aí foi através de um dos personagens), que na opinião dele seria muito “ambígua”, fragilizando e facilitando possíveis atos terroristas em nosso território. No caso da opinião sobre os atos terroristas na guerra fria, apenas não concordei com a opinião dele, mas entendo a tentativa de contextualização histórica. No caso da crítica a política externa brasileira, achei uma inserção desnecessária a história, já que em nada contribuiu para a trama, foi só uma forma de criticar o governo brasileiro devido a aproximação do Brasil com governos como o do Irã e da Venezuela, por exemplo. Ah, e nessas inserções históricas, também faltou contar o outro lado da história, tipo o porquê de os terroristas agirem da forma como agem, e explicar as suas motivações e origens.

Voltando ao enredo, o autor utilizou-se de fatos reais encontrados na mídia, e não esclarecidos, e criou uma ficção abordando o recrutamento, o treinamento e o retorno desses militantes islâmicos ao Brasil, onde estariam dispostos a perpetrar ações terroristas aqui e em países vizinhos. Ele viaja por cenários de vários países (Brasil, EUA, Israel, Irã, Colômbia e na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai). A obra foca em três protagonistas: O delegado da Polícia Federal Cláudio Marcuse, a agente da inteligência Nora Salgueiro e o conceituado advogado Tércio Scliar. Juntos eles procuram correr contra o tempo para impedir uma grande ação terrorista em território brasileiro, liderada pelo terrorista conhecido como “Professor”.

Passada a estranheza da narrativa, dentro do que se propõe, o livro foi bem estruturado, sempre mudando de personagem e local de ação, o que caracteriza bem o a narrativa em 3ª pessoa objetiva. Com um enredo bem elaborado, onde o mistério e o suspense são uma constante, o livro prende e até flui rapidamente (se não nos prendemos tanto aos detalhes descritos).

Não posso deixar de falar de outro aspecto que me incomodou bastante, a falta de uma boa revisão. Uma coisa muito importante quando se lê um livro é o português e a gramática, neste livro existem erros gritantes, como o uso de palavras escritas erradamente e de concordância das frases. Já na capa, a editora pegou muito bem o espírito da coisa, ficou excelente.

Durante a trama o livro explica bem todo o mecanismo de tudo, desde a sistemática de atuação dos ataques terroristas, até o que as forças brasileiras fazem para os enfrentar. No final do livro, têm vários anexos de reportagens que ocorreram entre 2010 e 2011 que são bem interessantes. E, apesar das falhas apontadas, é um livro que recomendo para quem gosta do estilo e do assunto, pois é um tema palpitante e atualíssimo.

O terrorismo se estendeu por todo o mundo, não descartando qualquer possibilidade de atendimento de suas pretensões. Principalmente depois do episódio terrorista de 11 de setembro de 2001, cenário algum pode declarar-se total e seguramente isento de atividades ligadas ao terrorismo internacional. “O Retorno da Serpente” é uma obra dinâmica, veloz e muito bem articulada, que viaja por cenários de vários países (Brasil, EUA, Israel, Irã, Colômbia e na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai) e prende a atenção do leitor ao expor, em meio à narrativa ficcional, informações técnicas sobre o terrorismo e sua sistemática de atuação. O delegado…

O Retorno da Serpente

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Muito Bom!

Durante a trama o livro explica bem todo o mecanismo de tudo, desde a sistemática de atuação dos ataques terroristas, até o que as forças brasileiras fazem para os enfrentar. No final do livro, têm vários anexos de reportagens que ocorreram entre 2010 e 2011 que são bem interessantes.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • Que as realizações alcançadas neste ano, sejam apenas sementes plantadas que serão colhidas com maior sucesso no ano vindouro. Feliz Natal e boas festas!
    http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/

    • Obrigado, Lucélia! Desejamos o mesmo para você!

      Beijos

  • Amelia Guedes

    Gosto bastante desse gênero de livros, misturar realidade e ficção sempre resulta numa boa leitura. Pena que a revisão não ficou muito boa, isso nem incomoda muito, mas dá um certo desgosto.