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Resenha | O Sal da Vida, de Françoise Héritier

Existe uma forma de leveza e de graça no simples fato de existir, que vai além das ocupações, além dos sentimentos poderosos e dos engajamentos políticos. É sobre isso que este livro fala. Sobre esse pequeno plus que nos é dado a todos: “O Sal da Vida”.

Nesta meditação, nesta espécie de poema em prosa em homenagem à vida, totalmente íntimo e sensorial, a renomada antropóloga Françoise Héritier vai atrás das pequenas coisas agradáveis (às vezes nem tanto) às quais aspira o mais profundo do nosso ser: as imagens e as emoções, os momentos marcados de recordações que dão sabor à vida, que a tornam mais rica e mais interessante do que muitas vezes acreditamos que ela seja, e que nada nem ninguém poderá nos tirar, nunca, jamais!

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Resenha

Onde está o sal da vida? Em um dia quente de Verão, Françoise Héritier, uma renomada antropóloga francesa de 80 anos, recebeu um cartão-postal de um amigo que estava desfrutando de uma agradável e ‘roubada’ semana de férias na Escócia. Isto a faz refletir e chegar a conclusão que de fato o trabalho e as nossas obrigações diárias é que nos roubam a nossa própria vida. Surpresa de sua descoberta, ela decidiu atender seu amigo sob a forma de uma carta e explicar que a felicidade, o verdadeiro ‘sal da vida’ se encontra em todos os momentos de descanso e relaxamento.

Então, o sal da vida seria, nada mais, nada menos que tudo aquilo que dá sentido a nossa existência, tudo aquilo que nos dá prazer, que nos faz feliz, e que faz a vida valer tanto a pena.

O livro tem uma proposta curiosa, listar tudo aquilo que trás sentido para a vida da autora, no decorrer de 100 pág. É fantástico, mas em certo ponto se torna cansativo, lá pela metade do livro me peguei querendo que acabasse logo a lista, mas logo em seguida também me peguei sorrindo e lembrando de situações semelhantes as passadas por Françoise.

Com relação ao design do livro, a capa é linda, mas logo que a vi imaginei ser um livro sobre um romance em Paris. Já a tipografia, e a diagramação em si, são soluções muito bem elaboradas, pois apesar da grande quantidade de texto, não nos deixa cansados de ler (só a lista interminável é que cansa).

Em suma, O Sal da Vida é um livro interessante, que no faz refletir sobre a vida que levamos e que poderíamos levar. E até mesmo nos incita a fazer nossa própria lista das coisas que nos fazem ser quem somos, inclusive no fim do livro vem um campo para o próprio leitor escrever o seu sal da vida. Ah, e no fim do artigo tem o meu. 🙂

Vale a pena ser lido, mesmo se você cansar da leitura em certo ponto, dê uma pausa e depois retome, quem sabe ele até venha a fazer parte do seu “sal da vida”.

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Meu sal da vida é…

… o primeiro filme no cinema (Branca de Neve, da Disney), o primeiro filme alugado (JFK, de Oliver Stone). Deitar na cama entre meus pais de noite, a gargalhada da minha mãe, brincar com meu irmão, ler revistas em quadrinhos. Cheiros que associo a pessoas e coisas específicas, fazer um gol sendo um verdadeiro perna de pau (e com a pior perna), não pensar em nada e pensar demais em tudo. Dormir no ônibus, ter medo, assistir e adorar filmes de terror, não saber nadar, não saber andar de bicicleta. Matar alguém de cócegas, sempre ter assunto, mesmo sem ter nenhum. Livros que me fazem viajar, alguns em uma única viagem de Recife para Natal e vice-versa. As tardes de risadas e conversas jogadas fora com os amigos, aquele filme visto no cinema com os amigos, e tem aquele com a namorada e futura esposa, que foi tudo menos visto. Aquela música que me faz querer voltar anos no tempo. Aquela matéria na faculdade que passei com esforço e quase surtei, aquele semestre que surtei. O atrapalhado primeiro beijo, o pior beijo, o melhor beijo. Uma lambida, uma mordida, um arrepio. Sentir o prazer de ver as paisagens passarem pela janela, sentindo o movimento da vida. Um sotaque gostoso, uma risada gostosa, uma conversa sincera. Horas de papo no telefone com a namorada. Um EU TE AMO recíproco. O primeiro beijo na minha esposa, nossa viagem a Europa, nosso passeio pelo Jardim de Versailles, pelo rio Sena, pelo estádio Santiago Bernabéu e pelo parque El Retiro, e o noivado na Torre Eiffel. Comer dois pratos de Paella em Madrid (minha mulher não quis o dela), e ser parado por um cão de polícia de Marseille só por causa de uns pedaços de queijo e presunto. Meu casamento. O nascimento do nosso filho, as madrugadas acordado, e o sorriso lindo dele. Um passeio com a família toda. Um momento de silêncio. Um trabalho finalizado e bem feito. Uma água de coco, um mentos, um pirulito de chiclete, uma pipoca. Jogar videogame e assistir uma série/filme com minha esposa.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • roberta

    A sinópse e as propagandas que fizeram me fez criar muita expectativa que não foi correspondida. E a lista de coisas que são o sal da vida eu também achei cansativa porém, ao mesmo tempo me deixava curiosa para ler outras coisas que também poderiam ser o sal da minha vida! Valeu ler até o final!