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Resenha | O Sangue do Cordeiro, de Sam Cabot

o sangue do cordeiro“Este documento, querida amiga, vai abalar a Igreja.”

Ao ler essas palavras em uma carta encontrada em um arquivo empoeirado, Thomas Kelly fica cético. O documento citado na correspondência está desaparecido, mas Thomas, padre da ordem dos jesuítas, duvida que exista algo com tal poder – até ser convocado ao Vaticano para iniciar uma busca desesperada por ele.

Enquanto isso, diante de um conselho formado por seus superiores, Livia Pietro recebe instruções claras: encontrar um padre jesuíta recém-chegado a Roma e juntar-se a ele na procura da Concordata, um tratado que contém um segredo tão chocante que poderá destruir para sempre todo o povo de Livia.

Enquanto pistas cifradas do passado lançam os dois em um universo traiçoeiro repleto de obras de arte, maquinações religiosas e conspirações, eles são caçados por pessoas capazes de tudo para achar o documento primeiro. Thomas e Livia, então, precisam correr para montar o quebra-cabeça capaz de redefinir os rumos da história e evitar o caos e a destruição que a revelação da Concordata poderá causar. Livia, porém, tem um segredo: ela e seu povo são Noantris.

Resenha

O Sangue do Cordeiro é um thriller bem interessante. Fiquei bastante interessado quando soube que a sua história se assemelhava aos escritos de Dan Brown, misturado com os de Anne Rice. E fiquei bem feliz ao perceber que era isso mesmo, melhor descrição não poderia ser feita.  A trama nos fala sobre um importante documento mantido em segredo pela igreja e que agora é motivo de uma eletrizante caça ao tesouro. O tal documento perdido é chamado de Concordata e nele a existência dos Noantri se faz conhecida.

Em 1849, o Noantri Mario Damiani rouba da biblioteca do Vaticano a via da Concordata da Igreja, com o intuito de mostra-la ao mundo. Antes que Damiani prossiga com seu plano ele é assassinado pelos seus próprios colegas Noantris. Antes de morrer, Damiani esconde a cópia do Vaticano e envia outra cópia para sua amiga Margareth, que também é morta em um naufrágio. Os dois documentos nunca vieram a público.

Já em 2012, outro Noantri diz saber onde Damiani escondeu a Concordata e ameaça seu próprio povo para que eles a divulguem para o mundo, caso contrário ele mesmo irá fazê-lo. O Conclave dos Noantris convoca Lívia, para que ela recupere o documento e mate o Noantri traidor. E ao mesmo tempo, no Vaticano se tem início a mesma busca, com o padre Thomas Kelly assumindo a tarefa de trazer a Concordata de volta ao Vaticano, mesmo sem saber do que se trata tal documento. Os caminhos do padre Kelly e da noantri Lívia acabam por se cruzar, gerando uma aliança bem interessante.

Ela insistiu em usar a palavra ‘noantri‘. É um termo em romanesco, uma contração de ‘noi altri’, que significa “nós outros”. Os moradores de Trastevere referem-se a si mesmos usando essa palavra, mas ela disse que não é o único significado, que o termo se refere também ao povo dela. (…)

Olha só, apesar de que se você pegar a sinopse oficial (ou ler outras resenhas por aí) vai saber de cara quem são os noantri, prefiro não revelar quem são eles. Até porque percebi que o autor assim iria querer, já que no livro não é dito logo de imediato quem eles são. O leitor mais tarimbado perceberá logo, bastará uma leitura mais atenta da resenha… 🙂

Bem no estilo Dan Brown de escrever, a busca é frenética, com muita ação no enredo, onde uma pista leva a outra, que leva a vários cenários incríveis, e no final temos aquela grande surpresa de chocar os leitores mais religiosos! Aí você se pergunta, onde entra o estilo da Anne Rice? Temos um pouco de sobrenatural presente, mas com um pé tão na realidade que a gente chega a pensar que é bem factível de ser verdade.

A trama é bem simples, mas a dupla Sam Cabot (pseudônimo de Carlos Dews e S. J. Rozan) soube desenvolvê-la de forma magistral e ousada. Ao fazer uma “releitura” sobre uma história que já conhecemos e damos por verdadeira, eles conseguiram criar algo bem original onde antes de ler você poderia considerar um clichê. Acredito que daria um excelente filme, daqueles que te prende na frente da tela do início ao fim.

As labaredas voltarão. Seremos caçados por medo e fúria, expulsos, e iremos todos morrer. Você não conheceu esses tempos. Eu conheci. Nós conhecemos.

A diagramação, como sempre acontece com a Arqueiro, é impecável. A capa é linda e fala tudo sobre o livro (experimente olhá-la antes e depois de ler). O livro tem páginas muito boas de tocar e de ler, a tipografia e o espaçamento são muito confortáveis. E a revisão então, quase não encontrei erros.

O Sangue do Cordeiro é para quem gosta de ter entretenimento, cultura e diversão numa leitura, é para aquele que curte um pouco de história e arte, e principalmente para aqueles que gostam de uma boa trama envolvendo religião, teorias conspiratórias e uma pitada de sobrenatural. Só não recomendo para aqueles religiosos mais xiitas, que não conseguem separar ficção de realidade, achando que tudo é uma afronta a seus dogmas religiosos. No mais, o livro é uma viagem inesquecível para um passado inconcebível! E já estou no aguardo da sequência: Skin Of The Wolf (que provavelmente será traduzido como A Pele do Lobo).

O inalterado se altera; só o transformado se mantém sem transformação.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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