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Resenha | O Sopro dos Deuses, de Bernard Werber

No início, quando chegaram à cidade de Olímpia e foram aprovados na categoria de anjos da guarda, os alunos-deuses eram 144. Agora, esse número está reduzido quase pela metade. Ao longo do jogo em que precisam fazer evoluir seus próprios humanos – e ao fim do qual somente um aluno sairá vencedor –, muitos já foram eliminados e transformados em seres mitológicos. Diante desses perigos, Michael Pinson tenta sobreviver e impedir a extinção de seu povo.

Uma história onde se aprende de forma divertida sobre mitologia e história geral através de uma releitura de importantes episódios da humanidade. O sopro dos Deuses apresenta um mundo divino de fantasia, repleto de suspense e imaginação, com uma emocionante reflexão filosófica sobre a história humana e o significado da vida.

Resenha

Vemos aqui o segundo livro da trilogia Ciclo dos Deuses: O Sopro dos Deuses. O primeiro volume, “Nós, Os Deuses“, já foi resenhado aqui pelo Papiro Digital.

Neste segundo volume do Ciclo dos Deuses, Michael Pinson continua sua narrativa do que vem acontecendo com os povos dos alunos-deuses naquela disputa do jogo que é a mistura de The Sims com Civilization (como expliquei na primeira resenha), sua vida “extra-classe” e as saídas do grupo de amigos de Michael para desbravar Aeden.

A princípio parecia uma sequência arrastada da mesma (e excelente) história anterior, sem muitas mudanças na trama, com as já conhecidas explicações sobre alguns povos-civilizações e mitologias, mas de repente percebemos que a coisa começa a mudar, as disputas entre os alunos estão mais ásperas e intensas. Percebemos as facetas de alguns personagens que não havíamos percebido antes, inclusive surge uma traição entre amigos e um triângulo amoroso bem interessante.

As quase 600 pág. do livro a princípio me deixaram preocupado, já que no primeiro o autor trouxe muita informação sobre história, filosofia e mitologia. Eu imaginei que ele talvez não fosse fugir muito disso, e um livro mais volumoso como esse pudesse tornar a leitura talvez um pouco mais penosa. Mas não foi o que aconteceu, Webber continuou sim com bastante informação no mesmo estilo do anterior, mas a história nos envolve de tal forma que você consegue nem perceber o livro acabando, e quando percebe, lamenta não ter mais para ler.

Na trama apresentada Michael sofre um pouco mais que no volume anterior, seus homens-golfinhos, coitados, comem o pão que o diabo amassou. E quando a gente pensa que vai dar tudo certo, acontece um reviravolta e desmorona tudo novamente. E, claro, envolvido com seus protegidos como sempre, o aluno-deus dos golfinhos fica totalmente arrasado com o ocorrido, parecia que todos estavam contra ele, mas eis que surge uma ideia audaciosa que o ajuda a reagir no jogo. É aí surge uma traição totalmente inesperada, e ele explode colericamente a ponto de estragar tudo que construiu até ali. São momentos em que você quase entra na história pra tentar ajudá-lo, bater nele ou até mesmo consolá-lo. É incrivelmente envolvente!

Durante a história ainda vemos a captura do possível deicida e seu julgamento, a entrega de nosso protagonista a um novo amor, a solução do enigma da Esfinge, uma fuga espetacularmente cinematográfica e, ainda, gigantescas e interessantes revelações sobre a origem dos deuses e do universo em si. (Ufa! É de tirar o fôlego.)

Algo muito interessante presente na obra, é que ela possui mais preceitos e citações fortes que o anterior, nela vemos muitas frases relacionadas ao sentimentalismo e ao racionalismo. É um livro bem mais filosófico que o anterior. Abaixo transcrevi algumas das citações mais fortes que encontrei:

Os pobres, na maior parte do tempo, sonham apenas com uma coisa: serem ricos no lugar dos ricos. Não querem igualdade, querem substituir uma casta por outra. Às vezes, querem apenas ver os ricos sofrerem e isso já basta para que se sintam felizes.

——–

Ninguém é obrigado a conseguir, mas todo mundo deve tentar. Não culpem a si mesmos pelo fracasso, culpem-se apenas por não tentar.

——–

‘Por que você briga, se sabe como vai terminar? Eles são muitos e mais fortes do que você. Não tem nenhuma chance’.

E sabem o que ele me respondeu?

‘Para que eles saibam que nunca vai ser fácil.’ 

——–

Se você não quer ser vítima do futuro, crie-o você mesmo.

——–

Na vida, há duas tragédias. A primeira, é não obter o que se quer. A segunda, é obter o que se quer. A pior delas é a segunda, pois quando se consegue o que se queria, muitas vezes é decepcionante.

 ——–

A lição deste volume da saga é: Lute pelo que acredita, e mesmo que sofra e apanhe, continue lutando sempre!

Em O Sopro dos Deuses, apesar da quantidade maior de páginas, a escrita ficou mais fluída que no primeiro e igualmente cativante e você nem sente o tempo passar durante a leitura. Também é impressionante o quanto nos envolvemos com a história, ficamos curiosos de saber o que tem no alto do monte, ficamos angustiados com o destino de alguns povos em Terra 18, ficamos solidários com Michael Pinson e sua luta sem fim, e principalmente, depois das grandes revelações apresentadas, queremos muito saber como termina a história no próximo volume.

Com relação ao projeto gráfico, igualmente ao anterior, a capa é belíssima e remete bem a questão mitológica. E a diagramação do texto foi muito bem trabalhada, trazendo uma tipografia suave e confortável de se ler.

Continua sendo um belo e recomendadíssimo livro sobre mitologia, filosofia, sociologia, amizade e religião. E ainda mais forte que antes, continua a questão: E você, se fosse Deus, o que faria?

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • Oi Cleson,

    Sua resenha está maravilhosa e com certeza nos deixa sem fôlego aqui também e com muita vontade de ler essa trilogia!! Parece fascinante!!

    Parabéns!!

    Beijos