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Resenha | O Vale dos Mortos, de Rodrigo Oliveira

Estamos em 2017 … Cientistas descobrem um planeta vermelho em rota de colisão com a Terra. Depois de muito pânico nos quatro cantos do mundo, eles asseguram que o astro passaria a uma distância segura. E todos ficam tranquilos acreditando que nada iria acontecer…

Uma profecia esquecida do Apocalipse, reiterada por outros profetas modernos, ressurge…

“Então 2/3 de todas as pessoas no Planeta são acometidas por uma estranha doença… E abriu-se o poço do abismo, de onde saíram seres como gafanhotos com poderes de escorpiões. E os homens buscarão a morte e a morte fugirá deles.” Apocalipse 9:2-6.

Então um grupo luta por sobreviver num mundo dominado pelo mal.

Com passagens em Brasília, nos Estados Unidos, na China e na França “O Vale dos Mortos” é uma história de zumbis com ação frenética e muita violência, que também trata de valores como liderança, trabalho em equipe, e a força de um jovem casal capaz de tudo para proteger seus filhos e amigos. Acima de tudo, “O Vale dos Mortos” trata de uma grande história de amor capaz de sobreviver a tudo, até mesmo ao fim do mundo.

Resenha

O Vale dos Mortos é o primeiro livro da série As Crônicas dos Mortos, cujo o spin-off Elevador 16 já foi resenhado por aqui. A série ainda contará com os livros A Batalha dos Mortos, A Senhora dos Mortos, A Ilha dos Mortos e A Era dos Mortos, na série é contada uma história em que um planeta vermelho (apelidado pelo nome bíblico Absinto) entra em curso de colisão com a Terra, mas acaba não chegando a colidir, porém a proximidade com ele tem como efeito a transformação de algumas pessoas em zumbis. E entre os humanos restantes estão Ivan e Estela, cujo objetivo é guiar um grupo de sobreviventes e criar a mais preparada comunidade humana no planeta.

A história acontece no ano de 2018, em São José dos Campos, interior de São Paulo, onde Ivan e sua esposa Estela procuram sobreviver e proteger seus filhos Matheus e Ana enquanto o mundo é dominado por zumbis. O primeiro capítulo do livro é eletrizante, o casal e seus dois filhos estão num shopping almoçando quando de repente as pessoas ao redor começam a desmaiar, e em seguida a acordar parecendo loucos e atacando a todos que estão pela frente. Ivan e Estela começam então a fugir desesperadamente destes monstros devoradores de gente.

Aquela primeira senhora que desmaiou, logo voltou a “si”. O médico, paralisado ainda ao seu lado viu quando a senhora abriu os olhos. Olhos leitosos, sem vida, sem cor. Brancos. Mortos!

No primeiro capítulo são logo apresentados os dois personagens principais do livro, e imagino que da série também, Ivan e sua esposa Estela são personagens muito interessantes, ele é o herói clássico que está sempre disposto a ajudar a todos que necessitarem, e ela é a sua conselheira, a mulher forte, inteligente e sensual que durante o livro vai se transformando assustadoramente numa incrível matadora de zumbis.

Depois de muita correria e desespero a família encontra um shopping para se instalarem, onde encontram outros sobreviventes. E a partir daí começa a se formar um grupo de sobrevivência…

Assim que eles entraram no veículo, Ivan pegou o celular e colocou uma música para tocar no MP3 Player.
– Black Sabbath? – Estela perguntou, curiosa.
– Sim. A canção é The Sign of the Southern Cross – Ivan entrou na avenida com o gigante de aço.
– E do que fala essa música? – Estela quis saber.
Ivan sorriu de forma significativa. Depois respondeu:
– Fala que quando surgir um sinal misterioso no céu, a Besta estará livre para vagar sobre a Terra. E os homens terão que se unir para enfrentá-la.

Neste livro também percebi a óbvia semelhança com a série The Walking Dead, mas também com algumas outras histórias apocalípticas, no tocante a formação de grupos de sobrevivência e tal. Mas aí também se percebe uma diferença com relação as outras histórias, nesta o autor já nos disse o que causou o “apocalipse”, não foi um vírus ou acidente químico, foi um planeta misterioso que se aproximou da Terra e ponto. A busca agora não é pela resposta de “como ou porquê aconteceu”, e sim de “como vamos sobreviver a isso que aconteceu”.

Durante o evento cósmico, o autor dá uma passada por alguns lugares do mundo mostrando como os líderes de certos países reagem ao que acontece. Inclusive mostra o do Brasil também, mas prefiro não dar o spoiler de quem é o Presidente brasileiro e o que acontece com ele, acredito que tem gente que vai rir, e tem gente que vai chorar ao ler esta parte. No fim do livro ele explica o processo de escolha destes líderes, é bem interessante a forma como foi feita a previsão para 2018, ficou bem plausível.  

A trama segue se desenrolando de forma frenética e com uma narrativa bem fluida. A narrativa é sem rodeios, ou seja, as coisas acontecem de forma direta. É contado em terceira pessoa, o que permite uma observância melhor dos acontecimentos, mostrando não só os protagonistas, mas também outros acontecimentos paralelos. Algo que achei curioso foi uma estratégia narrativa utilizada pelo autor, onde ele introduz um evento (nem sempre tão claro ou conclusivo) e só depois explica como chegou lá, o que é muito útil para criar plot twist (reviravoltas em histórias). Inclusive, como toda boa narrativa, o fim do livro possui um plot twist muito bom! Apesar de que não teve nenhuma pista que nos levasse a descobrir sozinhos o que aconteceu.

Com relação a capa, gostei bastante da composição criada com os elementos zumbi, céu, estrada e cidade, me lembrou uma das capas do livro Deuses Americanos do Neil Gaiman. A diagramação é simples, mas muito bem feita, já a revisão não ficou tão perfeita quanto a do Elevador 16, mas só possui alguns poucos erros, então não é nada que atrapalhe a leitura (e alguns nem vão perceber).

É preciso também destacar que o livro não trata só de violência, morte e carnificina de zumbis e humanos. Ele trata de nós, seres humanos, e do que somos capazes de fazer para proteger quem amamos, e também de como precisamos uns dos outros para sobrevivermos a situações extremas.

O Vale dos Mortos é uma história com muita ação, suspense e violência, que vai te agarrar até a última página.

PS: Será que veremos os zumbis em outras partes do país nas próximas sequências? Espero que sim.

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Sobre o autor

O Vale dos Mortos é a obra de estréia de Rodrigo de Oliveira. O autor é técnico em publicidade e propaganda, cursou publicidade na Universidade Metodista e é graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela Universidade Paulista. Também é certificado especialista em gerenciamento de projetos pelo Project Management Institute sediado na Filadélfia / Pensilvânia. Rodrigo de Oliveira é casado, pai de dois filhos e reside em São José dos Campos, interior de São Paulo.

 

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Assista o book trailer da série

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Leia a resenha do Spin-Off  da série: Elevador 16!

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Estamos em 2017 ... Cientistas descobrem um planeta vermelho em rota de colisão com a Terra. Depois de muito pânico nos quatro cantos do mundo, eles asseguram que o astro passaria a uma distância segura. E todos ficam tranquilos acreditando que nada iria acontecer... Uma profecia esquecida do Apocalipse, reiterada por outros profetas modernos, ressurge... “Então 2/3 de todas as pessoas no Planeta são acometidas por uma estranha doença... E abriu-se o poço do abismo, de onde saíram seres como gafanhotos com poderes de escorpiões. E os homens buscarão a morte e a morte fugirá deles." Apocalipse 9:2-6. Então um…

O Vale dos Mortos

Capa & Diagramação
Narrativa & Diálogos
Enredo
Personagens
Revisão

Excelente!

É preciso também destacar que o livro não trata só de violência, morte e carnificina de zumbis e humanos. Ele trata de nós, seres humanos, e do que somos capazes de fazer para proteger quem amamos, e também de como precisamos uns dos outros para sobrevivermos a situações extremas. O Vale dos Mortos é uma história com muita ação, suspense e violência, que vai te agarrar até a última página.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • Eu li o Elevador 16 e gostei bastante. Mas aquela personagem, sabe aquela né?? Aquela que entrou no helicóptero, rs, (não quero falar muito pra não deixar spóiler aqui) enfim, ela não aparece??? O quê aconteceu com ela?? Ai Jisuisinho!!! Quero saber, kkkkkkkk

    Adorei a resenha!!!

    Bjkas

    Lelê Tapias http://topensandoemler.blogspot.com.br/

    • Alessandra Tapias

      *spoiler* sem acento. Bati o dedo do lado sem querer 😛

    • Olá Alessandra, segundo o autor ela volta no terceiro livro da série. Também estou na expectativa do que vai acontecer com ela. hehehe

    • Olá Alessandra, segundo o autor ela volta no terceiro livro da série. Também estou na expectativa do que vai acontecer com ela. hehehe

      Obrigado pelo comentário!

    • Você acabou de comentar no meu blog. Então, vou ler este em breve.
      Quanto ao livro que você citou, da Draco, eu conheço, mas não li. Como não conheço o trabalho da editora, fico realmente com medo. Já tive umas experiências bem ruins, rs, por isso o trauma. Se você ler me diga o que achou, principalmente da revisão.

    • Olá Alessandra, não tinha visto que tinha sido você que comentou aqui. rss

      Olha só, com relação ao Terra Morta, vou dá uma chance ao autor nesse projeto: http://catarse.me/pt/terramorta, como 10 conto já dá direito a um ebook do livro, então já dá pra ter uma ideia.

  • Dalila

    Gostei muito da parte da conversa entre "Ivan" e o pastor. Muito boa, mesmo!
    Mas, me decepcionei muito com a punição dada ao Heraldo…tenha dó! O merecedo era jogá-lo aos zumbis, claro! Não sei como não foi feita a merecida justiça! Decepcionante!
    Entretanto, sei que não é possivel agradar sempre…

    • É verdade, em tempos como estes é necessário se tomar medidas mais drásticas… realmente o Heraldo merecia ser jogado ao zumbis, concordo contigo.

  • Diogo

    Sem sombra de dúvidas,o melhor livro que já li até hoje! Sou leitor assíduo de vários temas, mas esse livro superou todas as minhas expectativas. Estou aguardando ansioso por ler os outros, pois ainda não os encontrei. Se souberem, por favor me indiquem! Diogo, São Paulo.

  • Ricardo

    Já li o vale dos mortos e a batalha dos mortos, porém o final do segundo livro achei muito esquisito, podia tentar salvar a irmã…. iria dar muito mais estória, pois o caminho seria longo…..isso e apenas minha opinião, adorei os livros, vale a pena! Descelpe pela falta de acentos, comprei esse tablet a pouco e estou aprendendo…..

    • Olá Ricardo, concordo contigo, e também torci que eles fossem, mas acredito que o autor tentou focar o outro lado da questão, a razão vencendo a emoção. Mas acho que ele nos reservou boas surpresas pro terceiro volume, que é sobre a irmã dela.

      Abraço, e obrigado pelo comentário.

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