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Resenha | Os Demônios de Deus, de Alexander Mackenzie

O paciente que o Dr. R. Mazal, em Victoria, Canadá, estava prestes a atender iria mudar o rumo de sua vida, e as revelações, o curso de tudo o que sabemos sobre nós mesmos até hoje!

Ser compreendido sempre foi um desejo da humanidade. Decifrar a mente humana era a especialidade do Dr. R. Mazal. Todos queriam se deitar no divã do mais famoso psicólogo do oeste norte-americano… Inclusive Deus!

Alguns mistérios nunca deveriam ser descobertos. Enquanto a terapia com Deus segue, a vida do psicólogo entrará em completa derrocada: sua filha e esposa tornaram-se o centro de uma batalha de forças além da compreensão humana. Mal sabiam eles que tudo não passava de uma intrincada artimanha divina. Para Petra o casamento transformara-se num fardo de monotonia, até conhecer Richard. Ela só se esqueceu de que seu passado e sua filha escondiam um segredo. A filha, Jane, apaixonava-se pela primeira vez: entregar-se a Sammy, incondicionalmente, foi seu maior erro.

“Os demônios de Deus” é um livro que responderá quem somos e o levará a conhecer que o acaso é uma armadilha do destino!

O bem e o mal têm suas artimanhas.

Resenha

Os Demônios de Deus é uma mistura de aula de filosofia, antropologia, suspense, teologia e psicanálise. É o primeiro livro de uma saga que não nos permite ficar indiferente, é um romance religioso que ao meu ver não tem a pretensão de dogmatizar.

Alegando sofrer de crises de solidão, Deus irá finalmente falar após anos de silêncio. E ele não poderia ter escolhido melhor pessoa para isso: o Dr. Rodrigo Mazal. À medida que a terapia segue, a vida do psicólogo entra em completa derrocada, além de estar, sem saber, no centro de uma batalha de forças além da compreensão humana. As revelações de Deus confirmam o darwinismo e rebatem as leituras completamente equivocadas sobre o livre-arbítrio. As confissões divinas não deixam de mergulhar nos mais intrincados mistérios judaicos, trazendo à luz o que foi escondido.

(…)As pessoas preferem apenas uma imagem construída ou idealizada de si. Viver de realidade pura e fundamental não é tarefa para raça humana.

A premissa da obra gira em torno da eterna guerra entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Sobre o que é de fato e ou que não é. Durante o livro vemos a explicação de Deus sobre alguns “fatos” narrados na bíblia, e em contrapartida vemos também Lúcifer contando o seu lado da história. Daí surge a dúvida de que talvez Deus e o Diabo não sejam exatamente quem pensávamos serem. Ou será que o são? É uma intriga que nos deixa pensativo a respeito do papel do Todo-Poderoso e do Anjo Caído na história da humanidade. Paralelo a essa trama divina, Dr. Rodrigo vive uma crise conjugal, onde sua esposa Petra o trai com o jovem Richard. E sua filha adotiva adolescente começa a namorar e se apaixonar por um homem mais velho, o Sammy. Sendo que, as duas nem imaginam o quanto estão envolvidas na trama divina que se desenrola.

Os últimos anos de casamento pareciam-lhe sufocar. A filha crescia e tornava-se uma bela mulher. A convivência ao lado de um homem idealizado pelas mulheres aliada aos fortes laços que o marido e a filha tinham eram, por demais, desgastantes. Jane não era uma garota como as outras e Petra não sabia por quanto tempo tudo aquilo permaneceria como segredo. Estava convicta de que certos mistérios deveriam permanecer escondidos para sempre.

O livro me surpreendeu bastante, não esperava encontrar o que encontrei. Como não tinha muita informação a respeito, no início da leitura imaginei que o livro inteiro fosse um debate teo-filosofico sobre a bíblia, aí quando surgiu também a figura do diabo, comecei a imaginar que fosse uma disputa das duas forças pela alma de um mortal de alguma forma especial. Mero engano, é muito mais que isso, é uma disputa sim, mas com muito mais coisas em jogo.

Durante as consultas, vemos questionamentos bem interessantes, um deles foi o desabafo de Deus sobre a versão bíblica da criação do mundo. Será que tudo o que está escrito na bíblia corresponde a verdade? Outra questão foi a sua opinião sobre a evolução das espécies. Será que a evolução nega realmente a criação? Estas e outras questões estão presentes na obra e nos fazem pensar bastante a seu respeito. Além disso, o livro possui muitas frases impactantes e memoráveis, nos fazendo para e pensar a cada instante no que foi lido.

(…)Os fiéis perceberiam que tudo que acreditaram não era verdadeiro. Ficariam sem uma referencial, perderiam o chão!

Se teve algo que me incomodou foi o fato da filha do Dr. Rodrigo, Jane, aceitar muito facilmente o pai conversar com Deus e Lúcifer. Claro, no livro é citado uma certa resistência, mas a meu ver não foi tão resistente quanto deveria. No mais, foi tudo bem encaixadinho.

Com relação ao design, a capa foi bem simples e direta, traduz bem a obra. Já a parte de diagramação, foi muito bem diagramada, com estruturas de capítulos bem feitas e com fontes bem agradáveis. E não encontrei erros relevantes de revisão.

Os demônios de Deus possui revelações fortes e não é para leitores imaturos, apesar de ser uma leitura simples e fácil, trás ideias e conceitos que podem incomodar e até ofender aqueles mais religiosos e de mente nem tão aberta. É um thriller sensacional que promete ser ainda mais eletrizante no próximo volume.

– Sim. Ainda que o gosto do fel seja amargo, proporciona experiência e conhecimento. Apesar do mel ter mais valor pelo doce sabor, aprender pela dor é sempre a melhor escolha! – complementou Deus.

Outros Quotes interessantes:

Amar não é querer possuir o outro para si. Amar é ‘amar apesar de’. Amar apesar das diferenças, dos choques e das decisões contrárias.

– Eu tive coragem de ousar e arriscar-me. Minha queda foi circunstancial. Toda decisão é uma escolha. Toda escolha, uma renúncia… Uma perda.

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • RUDYNALVA SOARES

    Cleson!
    Livros que nos fazem questionar nossas premissas para vida e abordar a questão humana são sempre atrativos para meus olhos, porque influenciam diretamente na minha área de formação e fico bem empolgada para leitura, ainda mais quando envolve religião que que não quer doutrinar o leitor.
    Fantástico.

    “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.
    Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.”(Cora Coralina)

    cheirinhos

    Rudy

    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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