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Resenha | Os Filhos de Odin, de Padraic Colum

Antes de o tempo como nós o conhecemos começar, deuses e deusas viveram na cidade de Asgard, que significa Local dos Deuses. Uma era de mágica, quando seres míticos podiam usar seus poderes e definir os caminhos do futuro, e proteger o mundo.

Entre as cruzadas de Odin para encontrar a sabedoria necessária para salvar o mundo, os feitos incríveis de Thor e seu martelo e as travessuras de Loki, o agente do bem e do mal, Padraic Colum reconta as sagas nórdicas revelando o tempo em que a magia, os poderes e as maravilhas fantásticas corriam pelo universo.

Em Os filhos de Odin, descubra a origem das histórias de Odin, Thor e Loki, onde Asgard foi construída e o que estava escondido durante o Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses. As histórias que encantam a todos nós nos cinemas possuem um enredo ainda mais fascinante do que você imagina!

Resenha

A Mitologia Nórdica, também conhecida como mitologia escandinava ou viking, é composta pelo conjunto de lendas, crenças e religião dos povos escandinavos antigos (que habitaram a região da Península da Escandinávia). Os principais mitos nórdicos são originários, portanto, dos reinos vikings. E é portanto uma coleção de histórias e crenças compartilhadas pelos antigos povos germânicos do norte.

Neste livro, o autor coletou alguns destes contos e os organizou em uma sequência mais ou menos lógica, dividindo-os em quatro partes: Parte I – Os Habitantes de Asgard; Parte II – O Coração da Bruxa, Parte III – Odin; o Andarilho; e Parte IV – A Espada Flamejante e o Crepúsculo dos Deuses. Cada uma dessas partes é dividida em pequenos contos independentes uns dos outros, mas que ao avançarmos a leitura percebemos uma certa interligação entre eles, não são necessariamente uma sequência direta, mas sim uma forma de nos mostrar como uma coisa levou a outra. Cada capítulo da obra conta uma lenda/mito Viking, indo desde a criação de Asgard, acompanhando as aventuras de Thor, as travessuras de Loki e a jornada de Odin em busca da sabedoria, passando pelas aventuras dos heróis Volsungos, até chegarmos ao Ragnarök, também conhecido como Crepúsculo dos Deuses. Além da tríade já conhecida, também encontramos personagens como Heimdall, Frigga, Sif, Baldur, Freya, Tyr, Vali e Vidar.

Nesses tempos, os Deuses estavam vivos: Odin e Thor, Hödur e Baldur, Tyr e Heimdall, Vidar e Vali, assim como Loki, agente do bem e do mal. E as belas Deusas viviam entre eles: Frigga, Freya, Nanna, Iduna e Sif. Contudo, quando o Sol e a Lua foram destruídos, os Deuses foram destruídos também – todos, exceto Baldur, que havia morrido antes, Vidar e Vali, os filhos de Odin, e Modi e Magni, os filhos de Thor.

A Mitologia sempre me atraiu bastante, sempre fui fascinando pelas histórias dos personagens das mais diversas e, apesar de gostar bastante do assunto, a nórdica ainda me faltava um pouco mais de aprofundamento, e Os Filhos de Odin me ajudou um pouco a preencher essa lacuna. Leio quadrinhos desde muito cedo, e as aventuras de Thor e seus irmãos asgardianos sempre tiveram um lugar especial na minha coleção. Então, de imediato já achei meio exagerado o splash da capa: “Os mitos que deram origem aos quadrinhos e filmes da Marvel”. Não é bem assim, eu diria que foram inspirados, não que originaram, pois as diferenças são gigantescas. E outra, quem leu os quadrinhos da Marvel vai poder fazer uma relação bem melhor com o que conhece, do que quem viu apenas os mal adaptados filmes do Thor (apesar do segundo ter sido imensamente melhor que o primeiro).

Alguns contos mostram detalhes curiosos para quem só conhece a versão Marvel dos principais personagens, neles ficamos sabendo como foi criado o famoso martelo de Thor, vemos a construção do indestrutível muro de Asgard, acompanhamos a complexa relação de Loki com os outros deuses asgardianos, descobrimos como Odin perdeu um de seus olhos, e por aí vai. A narrativa é bem infantojuvenil, mas acredito que ela pedia isso mesmo (tipo o hilário momento em que Thor se veste de mulher por sugestão de Loki).

O corpo estava em chamas, exceto o coração. E Loki, em sua fúria, pegou o coração da bruxa e comeu. Oh, negro e terrível foi em Asgard o dia em que Loki comeu o coração que as chamas não podiam devorar.

Mas durante a leitura, senti falta de dois contos famosos da mitologia germânica/nórdica: A Lenda de Beowulf e O Anel dos Nibelungos. Estes dois poemas/contos serviram de inspiração para que um certo professor Tolkien escrevesse um livro chamado O Senhor dos Anéis. Na verdade, se fizermos uma leitura mais atenta nas histórias da última parte do livro, veremos nos contos que antecedem o Ragnarok a história de Sigfried, filho de Sigmund, que por sua vez era filho bastardo do próprio Odin. Durante a Saga dos Volsungos vemos o autor falar por alto de um certo anel dos anões Nibelungos, ele não afirma claramente, mas percebemos que o anel meio que se encontra presente em momentos trágicos das histórias contadas nessa parte do livro. Logo, um leitor beeem mais atento perceberá uma certa semelhança com o “O Anel” das histórias de Tolkien.

Loki pegou o anel mais precioso e o colocou e seu dedo. Então o Anão gritou para ele, apontando seu dedão numa maldição: “O Anel com a runa

De poder sobre ele:

Acabará com tua fortuna,

E carregará de mal,

A ti Loki, e a todos em geral

Que ambicionam ter

O anel que esteve em meu poder.”

[…]Sigurd colocou suas mãos nela na luta. Naquela mão havia um anel, e Sigurd se abaixou e o retirou. Era o anel de Andvari, o anel que ele havia colocado no dedo dela. E qundo o anel foi retirado, Brynhild caiu de joelhos sem forças.

Achei uma pena a ausência do herói Beowulf  e essa total falta de ênfase na história do anel, que aliás é uma história tão interessante que até se transformou na obra-prima do compositor alemão Richard Wargner, a ópera “O Anel dos Nibelungos”. Mas acredito que talvez tenha sido a fonte utilizada pelo autor: Os Relatos de Eddas. Já que existem as mais diversas versões dos mais variados mitos nórdicos, talvez esta versão seja assim mesmo. Outro detalhe curioso é que este livro foi escrito por Padraic Colum em 1920, talvez daí venha o trato mais “fábula” nos contos.

Com relação ao projeto gráfico, a capa é linda, e traduz bem o que encontraremos dentro (com exceção do splash, já citado): vemos o martelo de Thor rodeado por raios e o mar revolto ao fundo. A diagramação é perfeita, principalmente com a escolha de uma fonte diferenciada na letra inicial de cada capítulo enriquecendo a obra. A gramatura das páginas deixou uma sensação excelente ao tocá-las, é um livro muito agradável de se ler e segurar.

As ressalvas que fiz não significam que não gostei do livro, pelo contrário, o livro é muito bom. Entre os contos encontramos alguns bons, alguns mais fracos e ainda alguns outros excelentes, em especial os da última parte. O livro é muito indicado para quem curte mitologia, mas também indico pra quem curte os quadrinhos do Deus do Trovão e até mesmo para quem só assistiu os filmes da Marvel. É uma leitura divertida e agradável.

Então, nasceu um novo sol e uma nova lua, e deuses, gigantes, dragões, homens e todos os seres fascinantes teriam uma nova chance – pelo menos até o próximo Crepúsculo.

Clique aqui para conhecer algumas informações adicionais a respeito da Mitologia Nórdica

Principais criaturas da mitologia nórdica:
– Deuses e deusas: deidades superiores.
– Valquírias: deidades menores, servas de Odin.
– Heróis: criaturas que realizavam grandes feitos, pois possuíam poderes especiais.
– Anões: possuíam inteligência superior e muitos tinham a capacidade de prever o futuro.
– Jotuns: gigantes com poderes especiais que quase sempre aparecem em oposição aos deuses. Destaque para Surtur, o gigante de fogo que guarda Musphelhein. No Ragnarok, ele lançará fogo nos nove mundos.
– Bestas: seres sobrenaturais como, por exemplo, Fenrir (lobo gigante) e Jörmundgander (serpente marinha gigante).
– Nornas: deusas que tinham funções específicas relacionadas ao controle do presente, passado, futuro, sorte, azar e providência.
– Elfos: viviam nas florestas, fontes e bosques. Eram imortais, jovens e tinham poderes mágicos.

Os principais deuses da mitologia nórdica:
– Odin: deus, rei de todos os deuses.
– Thor: deus dos raios e dos trovões. Filho mais velho de Odin.
– Balder: deus da justiça e da sabedoria.
– Loki: deus do fogo
– Tyr: deus do combate, do céu, da luz, dos juramentos e por isso patrono da justiça, precursor de Odin.
– Frigga: deusa da fertilidade e do amor.
– Bragi: deus da sabedoria e da poesia.
– Dag: deus do dia.
– Njord: deus dos ventos e da fertilidade.
– Frey: deus da fertilidade e do tempo.
– Ran: deus dos mares.
– Gerda: deusa das almas perdidas.
– Freyia: deusa do sexo, do amor, da beleza e da fertilidade.
– Heimdall: é filho de nove donzelas, nove ondas, filhas de Aegir. Heimdall é o Deus da Luz, chamado de Deus Reluzente de Dentes de Ouro.
– Vali: filho de Odin, é o deus da natureza, vivia obcecado pela dor que lhe causara a morte de Balder, de tal modo que não tinha sequer tempo para lavar as mãos ou pentear os cabelos.
– Vidar: filho de Odin, deus da vingança. Conhecido com valente e audaz, mas desprovido de inteligência. No Ragnarok será o responsável pela morte do lobo Fenrir, sobrevivendo ao crepúsculo dos deuses e sucedendo seu pai no novo mundo, preservando a cultura Viking.

Os principais heróis da mitologia nórdica:
– Beowulf: guerreiro que venceu o dragão e o grande monstro Grendel.
– Siegfried: personagem épico na saga dos Volsungos (O Senhor do anel dos Nibelungos).
– Grendel: monstro que foi derrotado por Beowulf.
– Volsung: personagem rei.
– Erik, o vermelho: descobridor da Groelândia.

As Valquírias:
– Brünhild
– Gunnr
– Skuld
– Hilkdr

Influência nos atuais dias da semana:
– Segunda-feira <=> Måndag <=> dia da Lua
– Terça-feira <=> Tisdag <=> dia de Tyr
– Quarta-feira <=> Onsdag <=> Meio da Semana (alemão), dia de Odin (Woden ou Wotan)
– Quinta-feira <=> Torsdag <=> dia do trovão (alemão), dia de Thor (inglês)
– Sexta-feira <=> Fredag <=> dia de Freyja
– Sábado <=> Lördag <=> Sabá (alemão), dia de Saturno (inglês)
– Domingo <=> Söndag <=> dia do Sol

Animação contando a fábula sobre um anel de ouro, O Anel do Nibelungo, com a ópera de Wagner ao fundo:

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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