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Resenha | Perdido em Marte, de Andy Weir

Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho.

Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente.

Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate.

Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um senso de humor inabalável –, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.

Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá.

Com um forte embasamento científico real e moderno, Primeiro lugar na lista de mais vendidos do The New York Times.

“Não consegui largar este livro! É a rara combinação de uma ótima trama original, personagens incrivelmente reais e uma precisão técnica fascinante. É como um episódio de MacGyver na Ilha misteriosa.” – Astronauta Chris Hadfield, comandante da Estação Espacial Internacional e autor de An Astronaut’s Guide to Life on Earth.

Resenha

Num futuro não muito distante, a terceira missão tripulada a Marte pousa no planeta vermelho. Mas a missão Ares 3 acaba sendo abortada devido a uma tremenda tempestade de areia. Durante os preparativos para partir, ocorre um acidente, e um dos astronautas “morre”. Seguindo o protocolo, seus colegas deixam seu corpo para trás. Acontece que a vítima não morreu. Recupera-­se do ferimento e acaba por se ver sozinho a milhões de quilômetros da Terra, sem nave, suprimentos ou rádio.

A Ares 3. Bem, essa foi a minha missão. Certo, não exatamente a minha. A comandante Lewis era a responsável. Eu era apenas um dos trripulantes. Só ficaria “no comando” da missão quando fosse a última pessoa que restasse. Quem diria?… Estou no comando.

Perdido em Marte é um livro interessante, Andy Weir teve a intenção de mostrar um personagem que nunca se deixa abater, que possui um bom humor totalmente fora do padrão e habilidades de sobrevivência do nível do McGyver. Devo dizer que, na minha opinião, em muitos momentos ele errou na dose. Não que o livro seja ruim por isso, de jeito nenhum, talvez ele tenha se tornado mais divertido exatamente por isso!

Não é uma ficção científica tradicional, aliás nem acho que o autor o classifica dessa forma, é um livro de scifi que não se leva a sério como tal. Acredito que Andy Weir não tem intenção de ser um novo Asimov, sua obra é mais uma aventura no espaço com pitadas de ficção cientifica e humor.

Mark Watney, engenheiro mecânico e botânico, resolve utilizar-se destas e de mais algumas habilidades de químico-físico para conseguir sobreviver em Marte por mais quatro anos, até a chegada da suposta próxima missão espacial. Ele conserta e adapta equipamentos, que muitas vezes ele mesmo quebrou, transforma a terra seca e morta de Marte em uma terra fértil capaz de cultivar batatas, e consegue CRIAR água através da quebra de moléculas de hidrogênio. Tudo isso devidamente registrado em seu diário de bordo, que vamos acompanhando ao longo de todo o livro. A parte que pode atrapalhar a leitura de alguns é o excesso de termos técnicos e siglas que o personagem usa para explicar cada passo dado por ele, o que pode deixar a leitura mais enfadonha. Mas no meu caso, como tenho uma certa bagagem técnica, até que gostei disso. 🙂

Preciso criar calorias. E preciso de uma quantidade que dure os 1.387 sóis até que a Ares 4 chegue. Se eu não for resgatado pela Ares 4, vou morrer de qualquer maneira. Um sol, ou dia solar marciano, é 39 minutos mais longo do que um dia terrestre, portanto, estou falando de 1.425 dias. Essa é a minha meta: alimento para 1.425 dias.

Um ponto curioso da narrativa é que ela se assemelha a de um filme, ora vemos o personagem nos falando o que acontece com ele através do diário, ora vemos o que acontece na terra. Então, não é surpresa o filme ser uma adaptação bem fiel ao livro. Ainda não conferi, mas pelo que ouvi falar, é bem isso mesmo.

Outro ponto a destacar é o bom humor sempre presente no livro, nosso McGyver marciano não consegue escrever um capítulo do seu diário sem soltar uma piadinha infame ou um comentário bobo. Isso é bem legal porque a gente acaba por gostar cada vez mais dele. Mas por outro lado, mesmo a gente sabendo o quão dramático e desesperador deve ser estar perdido em outro planeta, sozinho e sem perspectiva de sobrevivência, em nenhum momento o Mark passa essa sensação pra gente. Talvez o autor devesse ter dosado melhor isso, ou talvez não, acho que ele quis evitar uma atmosfera mais densa pro livro, deixou bem leve de propósito mesmo.

– Como deve ser? – perguntou. – Ele está perdido lá. Acha que está totalmente sozinho e que desistimos dele. Que tipo de efeito isso pode surtir no psicológico de um homem? – Em seguida, virou-se de novo para Venkat. – Fico me perguntando o que ele está pensando neste instante. —————————————————————————————————————————                                    DIÁRIO DE BORDO: SOL 61                                                      – Por que o Aquaman consegue controlar baleias? Elas são mamíferos! Não faz sentido.

Com relação a capa, meu exemplar é o relançamento com a capa do filme, e eu achei bem legal o rosto sério do eternamente perdido Matt Damon dentro de um capacete quebrado. Já a diagramação e revisão, segue o sempre excelente padrão de qualidade da Arqueiro.

Bem, esse foi um livro que gostei bastante, apesar de em alguns momentos o autor exagerar nos termos e explicações técnicas, e também no humor juvenil, o livro é um entretenimento leve e despretensioso, bem gostoso de se ler. Vale muito a pena, principalmente pra quem procura uma história com um embasamento científico bem realista.

Ao final do livro vemos o trecho a seguir, com uma reflexão tristemente atual….

(…)todo ser humano tem um instinto básico de ajudar os outros. Talvez não pareça ser assim às vezes, mas é verdade. Se um excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado.

Trailer do Filme

Sobre Cleson Cruz

Sou potiguar com muito orgulho, pai e marido. Engenheiro Eletricista e Designer Gráfico de formação. Gosto muito de música e cinema. Sou viciado em séries de tv. E leio muito quadrinhos e livros desde a minha tenra infância.

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  • @andyweirauthor @editoraarqueiro Nem percam tempo lendo a resenha. O livro é muito bom! 😉

  • Olá Cleson, muito bom seu ponto de vista sobre o livro, acho muito válido a percepção do leitor quanto ao livro e o filme. O livro por mais que tivesse os termos técnicos que são inevitáveis em uma história como essa, não foi uma coisa que me desagradou, pelo contrario me desafiou a entender, e o filme conseguiu ser bem original. Matt está hilário nesse filme.