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Astronauta – Magnetar

Depois de ler inúmeras resenhas elogiativas e de ver circulando no twitter outros tantos belos comentários a respeito desde álbum, eu disse a mim mesmo que precisava ler este lançamento.

Vi a oportunidade de adquiri-lo na X Bienal do Livro de Fortaleza, minha querida cidade. Muito já se falou desta revista, o que torna a tarefa de comentá-la um tanto mais difícil, pois vários foram os pontos de vista e aspectos já apresentados. Portanto decidi abordar minha relação pessoal com ela.

Era certo que compraria Astronauta – Magnetar naquela sexta. É o tipo de lançamento que você não tem opção e não ser possui-lo. Isso ou ficar pra trás nas conversas com os amigos, seja no posto tomando uma breja ou no facebook participando de alguma discussão. Comprei-o no estande da Comixe, no primeiro instante fiquei em dúvida sobre qual versão comprar: o de capa dura ou o de capa cartonada. Decidi-me pelo último e somar os R$10,00 economizados a outro quadrinho. Depois me arrependi muito da minha decisão, pois sua capa belíssima é de encher os olhos e merecia mesmo o investimento na sua sua versão de luxo.

Nem esperei chegar em casa, pus-me a lê-lo por lá mesmo. De primeira já afirmo que o álbum não deixa a desejar pra nenhum concorrente estrangeiro. A arte, as cores o acabamento tudo coisa finíssima, me deu orgulho este Astronauta – Magnetar. A esta altura você está careca de saber do que se trata, mas não custa nada informar: Astronauta – Magnetar nos apresenta uma releitura do clássico personagem criado por Mauricio de Sousa. Narra uma aventura que na verdade se torna um fracasso, similar ao de Apollo 13 citada de forma muito inteligente na trama, onde após pesquisar um fenômeno natural conhecido como magnetar, o Astronauta vê-se, após um erro, perdido e isolado nos confins do espaço. São meses à deriva, completamente solitário e sofrendo todos os efeitos psicológicos que uma situação dessas traz. A única “força” presente aqui é a da própria vontade do personagem, que “teima” em não desistir e deixar-se levar pelo esquecimento, sozinho e distante de todos que ama. E é nas lembranças dos entes amados onde, talvez, resida sua única chance de salvação. Magnetar se passa no espaço, a bordo de uma astronave, e mesmo assim, consegue contar a mais humana das histórias.

Pode não ter nada a ver e talvez eu esteja apenas “viajando”, mas como sou do nordeste e vira e mexe vejo notícias em telejornais sobre o assunto, não pude deixar de me comover com sua luta desesperada em busca de um elemento tão abundante e por vezes tão difícil de se conseguir quanto a água. Também me fez brilhar os olhos a excelente opção pela repetição de páginas para mostrar o terrivel isolamento e o longo e lento passar dos dias… é angustiante.

O texto econômico, quando preciso e explicativo, quando necessário, é certeiro e mesmo em se tratando de um monólogo, a maior parte do tempo nunca cansa.

Parabéns a todos os envolvidos, mas principalmente a Danilo Beyruth pelo trabalho aqui apresentado. Criou uma HQ memorável, um clássico instantâneo.

 Que venham mais releituras desse nível. Estou aguardando ansioso.

Serviço:

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Danilo Beyruth (roteiro e arte) e Cris Peter (cores).

Preço: R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura)

Onde Comprar: Livraria Saraiva | Cia. dos Livros | Livraria da Folha

Número de páginas: 80

Data de lançamento: Outubro de 2012

Sobre Lenilton

Pai do Dudu e fundador do blog Gibiscuits.
  • Marco Antonio

    Sempre gostei de ler Mauricio de Souza, como muitos brasileiros aprendi a ler com seus gibis. Este livro é mais adulto portanto adorei.