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Batman – Gothan City 1889

Um dos grandes trunfos da DC Comics sempre foram suas histórias alternativas com versões variadas de seus conhecidos personagens. Dessa premissa saíram grandes histórias, algumas clássicos eternos tais como Batman – O Cavaleiro das Trevas, Reino do Amanhã e Watchmen para citar apenas três. E embora Gotham City 1889 não seja a primeira revista a beber dessa fonte inesgotável de boas histórias foi a primeira a levar o selo “Elseworlds” na capa. Elseworlds ficou conhecido no Brasil como “Túnel do Tempo”.

Em Gotham City 1889, Gotham by Gaslight no original, o tradicionalíssimo personagem Batman e sua mitologia são transportados para o passado e recriados ao sabor da época. Assim temos a oportunidade de ver o mito remoldado sem influenciar sua versão tradicional.

Nesta história escrita por Brian Augustyn acompanhamos Batman em sua busca por justiça e vingança pela morte de seus pais (sim, aqui como lá, ambos são assassinados quando Bruce Wayne era criança) treinando com o grande detetive inglês Sherlock Holmes ( bem, diga-se a verdade isso é apenas citado no álbum) e afiando a mente com ninguém menos que Sigmund Freud o pai da psicanálise.

Nossa história começa exatamente ao fim de seu árduo treinamento, consumado na Europa onde na época estavam as maiores mentes do planeta. Bruce Wayne embarca  de volta pra América sem saber que no mesmo navio encontra-se Jack, O Estripador, em busca de novos lugares para continuar seus bizarros crimes uma vez que toda a Inglaterra está em seu encalço. Interessante notar que o escritor teve o cuidado de pesquisar em quanto tempo na época se fazia esta viagem e colocar sua pesquisa nas anotações de Wayne ( a embarcação que sai no dia 2 de Maio de 1889 da Inglaterra chega em Gotham no dia 23).

Ao chegar em casa Bruce Wayne coloca em prática seus planos de combate ao crime. Já Jack coloca em prática sua rotina de de crimes contra prostitutas. Ao seu jeito cada um provoca medo instantâneo na cidade.

Como de costume nessas histórias alternativas somos apresentados, mesmo que rapidamente, as versões de vários personagens coadjuvantes na série regular. Aqui temos Alfred (amigo, confidente e servil como sempre) o Inspetor Gordon (sim, inspetor e não comissário) e o jovem e perigoso Coringa (aqui uma especie de viúva negra às avessas).

O roteiro segue com belas reviravoltas e um final que se não pode ser chamado de original ao menos é muito bem realizado. E nisso está parte do charme desta história: os clichês que são muitos são também muito bem praticados não deixando o ritmo cair em nenhuma das 48 páginas da revista. Digo parte do charme porque o grande mérito desta história encontra-se na arte realizada com total competência por parte de Mike Mignola (criador de Hellboy) cujo traço casa perfeitamente ao clima gótico presente. Sua Gotham é impressionante! A arte-final do excelente P. Graig Russel com certeza aumentou muito o alcance de seus desenhos. Acompanhamos Batman em sua luta contra o crime. Paralelamente Jack começa a matança que logo chama a atenção do Cruzado de Capa. A população de Gotham fica entregue ao horror e  no meio do pesadelo que se transformou a cidade começam a pensar que a estranha criatura noturna talvez seja o causador das mortes. Coincidentemente uma velha vingança familiar é colocada em curso para acabar com Bruce Wayne. Assim vemos ambos os alter-egos de Wayne as voltas com sérios problemas…

Enfim, Gotham City 1889 entrega um belíssimo conto alternativo de Batman e graças a seus autores e ao próprio conceito da série Elseworlds não envelheceu com o tempo.

SERVIÇO:

Título: BATMAN – GOTHAM CITY 1889 (Abril) – Edição especial

Autores: Brian Augustyn (roteiro), Mike Mignola (desenhos), P. Craig Russell (arte-final) e David Hornung (cores).

Preço: Cr$ 120,00 (na época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: 1990

Sobre Lenilton

Pai do Dudu e fundador do blog Gibiscuits.

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  • Maristela G Rezende

    Eu adorava assistir o Batman e fiquei com saudades ao ler esse post. Gostei da apresentação dele.