Review – Rex Mundi

Publicado em dezembro 12, 2011 by   ·   Sem Comentários

 

Já faz um tempo que queria escrever sobre essa série. Crie um universo no melhor estilo noir Howard Chaykin, com mistérios que seguem a linha de O Código Da Vinci, teoria de conspiração e sociedades secretas como Robert Ludlum escrevia em suas obras, magia que nem Lord Voldemort imaginaria, vilões que teriam Vincent Price no papel e coloque em meio a essa história fantástica personagens bem estranhos. A série em quadrinhos Rex Mundi consegue reunir todas essas características, e acrescenta ainda na receita um suspense a la Hitchcock que cria uma tensão imediata ao leitor.

Lançada por aqui pela Devir Livraria, a série foi originalmente publicada pela Image Comics de 2003 a 2006 passando para a Dark Horse Comics no ano seguinte, escrita por Arvid Nelson e com a arte de Eric Johnson, a série é ambientada numa realidade alternativa, por volta dos anos 1930. As principais diferenças para a nossa, é que aqui A Reforma nunca aconteceu, o Catolicismo domina a Europa com mãos de ferros, a Inquisição é uma poderosa força policial e repressora de sacerdotes mascarados, a Guerra Civil Americana terminou em um impasse, dividindo o país em dois estados (Confederação dos Estados da América-CSA e República Federal da América-FRA), a economia mundial depende de um sistema de guildas multinacional e a feitiçaria e a magia existem de fato nessa Terra. Fora isso, as coisas não são tão diferentes, as nações disputam pelo controle do mundo, como no nosso, com a pequena diferença, de igual para igual.

O nome da série deriva do latim, e significa Rei do Mundo. Origina-se das heresias cátaras da Idade Média, que também influenciou a obra “The Holy Blood and the Holy Grail”, livro, escrito em 1982, cujos autores acusaram O Código Da Vinci de plágio, processo que não levou a nada. Já foram lançados três títulos no Brasil e o quarto está saindo este mês de dezembro. O primeiro volume O Guardião do Templo - reúne os seis primeiros, do #0 a 5, além de um webcomic Brother Matthew, Blessed are the Meek. E o segundo volume, O Rio Subterrâneo, do #6 ao 11, com o acréscimo de Brother Matthew. Já o terceiro, Os reis perdidos com a seqüência até o #12 ao 17.

A história gira em torno de um médico, o dr. Julien Saunière, que irá investigar uma série de assassinatos repletos de detalhes mórbidos e que descobrirá uma conspiração de pessoas muitos poderosas envolvendo o Santo Graal. Saunière é um misto de Sherlock Homes com Robert Langdon, personifica a figura de um herói genérico, como médico trata dos pobres, sem qualquer custo, e logo se envereda numa teia de mistérios envolvendo rituais, assassinatos, um pergaminho medieval desaparecido, um feiticeiro mortal, uma sociedade secreta similar aos Cavaleiros Templários, a Máfia, o nacionalismo, passagens secretas, política diplomática, uma monarquia no fim entre outras características marcantes desse amálgama.

Nelson consegue criar uma narrativa que desperta a curiosidade de qualquerleitor, os personagens estão bem caracterizados, vemos a técnica de um bom escritor pulp ou de um roteirista de cinema. Mas o que vale mesmo é a arte de Eric Johnson, com um estilo bastante realista, se inspirando em Mike Mckone e Bryan Talbot para reproduzir os cenários dos anos 1930, segue o enredo com uma maestria, servindo de flamesdetalhados, com uma textura forte e escura na arquitetura dos cenários, das ruas desgastadas e edifícios desbotados, no clima soturno do estilo noir, além de captar perfeitamente o foco expressivo dos personagens da história, que é composto excepcionalmente porJeromy Cox na coloração de cada quadro. Jim Di Bartoloe o capista da série Juan Ferreyra se reúnem a partir do terceiro tomo na equipe, ilustrando alguns capítulos. Os traços faciais dos personagens seguem um padrão, dos gestos, ao físico, aos maneirismos de cada um, descrevendo uma sensação de profundidade emocional em meio a cores fortes que dão personalidade à série. Outro ponto positivo para Rex Mundi é a divisão de cada capítulo, onde se compila um jornal, Le Journal de la Liberté, que contextualiza a história dessa realidade.

Uma boa sacada dos autores surpreende a cada volume lançado, pelo enredo misterioso e atraente, pelo uso do lado esotérico e das sociedades secretas, bem antes que Dan Brown tenha escrito seu O Código Da Vinci. Os detalhes históricos dão uma veracidade aos fatos ocorridos nessa realidade alternativa, com o ritmo da narrativa bem gerenciada. O suspense dos mistérios é revelado gradualmente e novas questões surgem, sem reiniciar o enredo. O cenário se encaixa na ambientação que Nelson cria, dominando seu thriller com perfeição. Fico no aguardo do próximo volume.

CURIOSIDADE

Há rumores que Johnny Deep poderá produzir a adaptação ao cinema, ao qual protagonizará. O roteiro estará a cargo de Brian Klugman e Lee Sterntha (a partir de um primeiro rascunho de Jim Uhls), numa produção de Depp e da sua empresa Infinitum Nihil.

 

Série Rex Mundi – Volume 1 (O Guardião do tempo), Volume 2 (O rio Subterrâneo), Volume 3 (Os reis perdidos)

Arvid Nelson e Eric J 
Devir Livraria
Tradução de Marquito Maia
216 páginas
Formato: 16,5 cm × 24,0 cm
Preço: R$ 48,50

 

Abraços,
Cadorno Teles
spetrocad@gmail.com

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