Stan Lee mudou minha vida

“Stan Lee mudou minha vida.”

Recentemente, vi uma camisa a venda com esses dizeres, e pensei… aconteceu comigo.

Lá estava eu… um pré adolescente de 10 anos, em uma cidade do interior de Minas Gerais,  cheio de energia pra gastar e de acordo com minha mãe, cheio de más companhias.

Numa cidade pequena do interior, a gente crescia na rua. Brincava até tarde e voltava quando já anoitecia.

Isso deixava minha mãe de cabelos brancos, coitada. Até hoje sou motivo de preocupação pra ela com minhas viagens de moto.

Minha mãe, leitora assídua de telenovelas, quis então, arrumar uma maneira de controlar minhas saídas de casa.

Começava assim minha jornada pelas revistas em quadrinhos. A Marvel está no Brasil, há uns 40 anos. Minha idade. A primeira revista do Homem Aranha que ganhei era da Ebal e trazia uma historia do aracnídeo contra Kraven. Na época a Gwen ainda era a namorada do Peter e não havia se transformado ainda na, por falta de expressão melhor, sem vergonha que engravidaria do Osborn.  Harry ainda estava vivo e se injetando adoidado, e Mary Jane só na curtição. E o Peter, tinha uma “motoca”. Eu adoro a fase da motoca.

Os diálogos eram de uma inocência, que comparando a hoje, eu me pergunto se evoluíram ou retrocederam.

Imaginem a Mary Jane chegando pro Peter e dizendo: “Puxa gatão, hoje você está um pão.”

Quando eu pego essas revistas, que ainda estão guardadas na casa da minha mãe pra reler… eu tenho umas 1000 e poucas lá. Eu literalmente “viajo” no tempo.

Me lembro perfeitamente como minha mãe mantinha minha coleção sempre atualizada pra que eu não tivesse tempo, nem interesse, de sair pras ruas e aprontar alguma.

Me lembro que eu ficava horas lendo sem parar as mesmas histórias e de como eu ficava no pé da minha mãe e irmãs mais velhas querendo saber onde era Nova York, Manhattan, se existia raio repulsor ou se a radiação rama podia fazer realmente “aquilo” com a gente.

Meu universo de conhecimento foi crescendo de forma assustadora. Minha curiosidade atiçada. Eu comecei a desenhar e a criar minhas próprias historias, e olha que eu desenhava bem… ou não. Ainda vou fazer um curso de desenho… prometo.

Stan Lee expandiu meus horizontes, me trouxe alegrias, tristezas e aguçou minha imaginação, me transformou em um leitor assíduo de quadrinhos e de livros. Transformou um possível delinqüente em um amante da Nona arte. Hoje eu vejo meus antigos heróis de gibis, transformando-se em filmes e não perco uma estréia. E vê-lo lá em todos os filmes, é divertidíssimo.

Eu aprendi que o mundo era maior e tinha muito mais coisas pra ver do que minha pequena cidade do interior, tudo graças às revistas em quadrinhos. Para uma criança, crescer sabendo noções de Bem e Mal, é importantíssimo. “Grandes poderes, trazem grandes responsabilidades.”. E tinha tudo isso lá… ao meu alcance.

Stan Lee… esse é o verdadeiro super-herói. Junto a Jack Kirby… que desenhista espetacular, além de Steve Ditko e outros imortais, criaram um universo que até hoje me fascina. Não é incrível que após 30 anos, eu ainda colecione revistas em quadrinhos? Eu simplesmente não consigo parar de comprar. É o meu vício. E a minha filha de 7 anos, já adora o Homem Aranha. Que coisa.

Stan Lee, você mudou minha vida. Obrigado. Queria poder dizer isso pessoalmente um dia.

 

Arisio – O terror que voa na noite
arisio.sousa@gmail.com
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